Diz-lhe Que Não

domingo, 26 de fevereiro de 2017

Mas o que é que beleza tem que ver com feminismo?


Se eu ganhasse um euro por cada vez que me perguntam isto - o que só prova como ainda é necessário abordar-se tanto este assunto -, estava literalmente com muito dinheiro. Na semana passada, a Vichy convidou-me para ser uma das oradoras nas suas Beauty Talks para falar de temas que se podem a partir de agora encontrar no site Vichy Mag: beleza, bem-estar e auto-estima. E eu decidi que, mais do que falar, poderia contar duas histórias.

Já toda a gente sabe que quero escrever livros para o resto da minha vida (se assim o puder, claro) e que, em breve (cada vez mais breve), vai sair o meu primeiro. E uma das coisas que ouço muitas vezes é: Queres escrever livros? Mas tu escreves sobre cremes, perfumes e batons. E, normalmente, esta afirmação vem acompanhada de um olhar de desdém, até de amigos. E é perfeitamente normal e eu não fico nada ofendida com estas coisas. Para o comum dos mortais - que não pensa muito nestes temas no seu dia-a-dia - falar-se de cremes é, em última análise, fútil, frívolo e superficial. Mas o que eu costumo dizer - e partilhei na Beauty Talk - é que sem esses cremes, perfumes e batons nenhuma de nós sairia de casa com a mesma confiança com que sai todas as manhãs. Porque algo tão sem importância como um creme, um perfume e um batom tem o poder de mudar por completo a forma como nos sentimos e vemos.


Para mim, é uma arma de mudança exterior que tem muito mais impacto no interior.

Quando eu digo que a beleza é uma arma de empowerment refiro-me exactamente ao impulso de segurança com que nos enche. Quando eu não me maquilho (e eu sou uma pessoa extremamente natural na maquilhagem), toda a gente me questiona se estou doente. Se eu tinha a coragem de sair de casa e falar para 150 pessoas sem maquilhagem? Não. Nunca. Porque não me iria sentir tão confiante quanto me sinto com a pele bonita.

Assim, da próxima vez que virem alguém falar de beleza enquanto arma de feminismo, não revirem os olhos. Antes, pensem de que forma é que a beleza tem impacto na vossa vida.

Apenas 4% das mulheres se considera bonita. E 80% concorda que todas as mulheres têm qualquer coisa sobre elas que as torna bonitas, mas não o conseguem ver nelas próprias.

Estas estatísticas (e outras) podem ser consultadas aqui. E ainda acham que não é preciso falar-se beleza enquanto mote de feminismo? Na nossa cultura, somos todos os dias bombardeadas com ideias sobre a forma como devemos ser para nos podermos considerar bonitas. Essas ideias estão espalhadas por todo o lado: TV, internet, redes sociais, moda, filmes, anúncios...  E, como Bruno Mars tão bem cantava, também ouvimos que somos bonitas como somos. E isso é óptimo e não significa que temos de abraçar a filosofia de vida de Alicia Keys de nunca mais se maquilhar para não corresponder à pressão da sociedade. Significa apenas que somos bonitas, ponto. Com ou sem maquilhagem. Com ou sem cremes. Com ou sem perfumes. Mas se com eles nos sentimos bem, porque não os usar livremente? Se nos preocupamos com beleza, somos fúteis. Mas se não nos preocupamos, somos estranhas e até podemos perder o nosso emprego.

Então, porque continuamos a deixar que nos escrutinem numa área que além de nos fazer sentir bem por fora ainda nos faz sentir bem por dentro?

Mostro aqui em baixo o vídeo com grande parte dos meus 5 minutos de pitch na Beauty Talk. A parte final não aparece porque, como me deu uma branca, a pessoa que filmava parou de filmar mas, posteriormente, eu lembrei-me e terminei com uma mensagem que quero replicar aqui.

Faço constantemente tratamentos e hidratações de pele por causa das crises de acne. E quando a Vichy me convidou para falar (há três semanas), eu estava exactamente com uma crise e pensei: mas com que moral é que vou falar de pele quando estou neste estado? Mas desvalorizei porque, eventualmente, iria arranjar um gancho para abordar este tema. Mas acabei por ir fazer uma hidratação e purificação e a crise de acne acalmou. Quando, dois dias depois, me encontrei com umas amigas, elas disseram: o que é que fizeste? Estás diferente. A tua pele está bonita.

E sentirmo-nos com a pele bonita é o melhor do mundo. Então, se há uma arma que nos deixa a sentir assim, usem e abusem dela.

video


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8 comentários

  1. Helena, podes partilhar onde fizeste esse tratamento?

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    1. Costumo fazer na Well's (limpezas) e no ECI (nas marcas). Este que fiz a semana passada foi na Clarins. :)

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    2. gostava de fazer uma coisa dessas, mas tenho a pele tão sensível e tão reactiva que tenho medo que me faça mal e que a minha cara fique ainda pior! Vou investigar o da Well's, não sabia que faziam. Obrigada *

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  2. Subscrevo e assinto por baixo. You rock Helena!

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    1. Ohhhh obrigada, que bom saber que estes temas vos interessam :D

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  3. WOW! Grande texto,Helena!É exactamente isto que penso e tento fazer ver às minhas amigas quando se fala de beleza e do poder que representa. Sou a primeira a reconhecer que quando estou no meu melhor com uma pele bem tratada, uma maquilhagem bonita e o meu perfume favorito me sinto pronta para conquistar o mundo. :) Obrigada por tentares fazer com que algumas pessoas percebam que beleza não é automaticamente sinónimo de futilidade e de cabeças ocas. Vou partilhar este texto sem dúvida!

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