Bye bye pijamas. Arranjei um escritório, carago!

17 de fevereiro de 2017


Quando, há três anos, me despedi para me tornar freelancer jamais imaginei que iria chegar onde cheguei. Primeiro, jamais pensei que ia conseguir escrever para onde quer que fosse. Depois, jamais pensei que alguém me iria querer contratar num regime freelancer. Depois, jamais imaginei que pudesse ter sucesso. E depois, jamais imaginei que fosse realmente conseguir viver disto.

Foram três anos em que passei do nada para uma vida minimamente estável. Em que lutei contra tudo e todos e principalmente contra mim própria. Em que voltei ao ninho e vendi tudo o que tinha e não tinha para começar de novo. E juro-vos. Foi a coisa mais difícil que fiz na vida e hoje, ao olhar para trás, consigo ver que estive muitas vezes para desistir. Jamais imaginei que fosse ter a perseverança que tive (e tenho). A resiliência para ouvir tantos nãos e simplesmente continuar a acreditar que ia conseguir. Conseguir o quê? Nem sei bem. Mas conseguir viver disto - da minha escrita, da minha carreira enquanto freelancer. Conseguir que acreditem em mim e me continuem a dar trabalho.


Ainda não consigo mandar tudo ao ar e ir de férias para o Brasil mas...

Todos os meses são uma incerteza e ainda não consigo respirar fundo e sem medos. Porque as dúvidas e as incertezas pairam no ar todos os dias. Ainda não consigo fazer planos a longo prazo ou de pensar: que se lixe, vou de férias para o Brasil. Ainda não consigo estourar dinheiro à maluca e poupo tudo o que tenho com medo de voltar à estaca zero. Mas o maior de todos - começar a tentar comprar uma casa - já comecei. E ainda sei que todos os meses são uma incerteza mas já acredito que vou conseguir. E acreditar é o que da motor à nossa vida.

Uma das coisas que mais me mudou nestes três anos foi o simples facto de trabalhar em casa. Estar-se tanto tempo sozinha e dentro da nossa bolha não é algo com que seja fácil lidar. Isso aumentou a minha ansiedade e houve dias em que me deixou quase maluca.

As saudades de dizer bom dia ao colega do lado...

Por vezes, no passado, irritava-me estar rodeada de tanta gente, os atritos entre colegas ou as pessoas chatas que me estavam sempre a incomodar no dia-a-dia. Mas, nestes três anos, passei a dar valor a isso. Senti na pele a solidão de não ter mais ninguém a quem dar bom dia ou reclamar do patrão na hora de almoço. Senti saudades de toda a gente com quem já trabalhei. Quase que chorei a lembrar-me das gargalhadas e das conversas que tinha durante o trabalho. Das palhaçadas. Dos momentos de descontração. Da troca de ideias. Da partilha do dia-a-dia. Da cumplicidade.

Trabalhar-se sozinha é, foda-se (e desculpem-me o termo), por vezes uma grande merda.

Hoje a minha vida mudou porque arranjei um escritório maravilhoso que vou dividir com outra freelancer (em breve partilho mais detalhes) e que, acima de tudo, é numa zona fantástica, criativa, artística e cheia de gente para dar bons-dias todos os dias. Este passo - o passo de me assumir como independente e ter um escritório próprio - foi algo que sempre vi como lá bem longe no horizonte. Algo que só se iria concretizar quiçá um dia quando fosse realmente alguém independente... mas o que é isso de ser independente? Já não o sou?

Escrevi um livro. Está quase a sair. Estou em pulgas com isto tudo. Não vejo a hora de o ter na mão. De o ver nas mãos das outras pessoas. Pode ser um fiasco - é tudo imprevisível - mas pelo menos já comecei a escrever. O que é ser mais independente do que isto?

Mas agora vou ter um escritório, um espaço de trabalho, um local cheio de gente com quem partilhar o dia-a-dia e não o sofá da minha sala.

Questiono-me do que é que, agora nesta nova vida, mais vou ter saudades.

E já sei que é dos pijamas. Porque passar o dia em pijama, por vezes, é a melhor coisa do mundo. Hihihi.

(O pijama desta foto - e de tantas outras que já partilhei no Instagram nos últimos meses - é do Jumbo Moda. É daqueles que, se tiver que sair de casa para fazer alguma coisa e não me apetecer vestir de propósito, ninguém diria que era um pijama. E isto é o expoente da preguiça, eu sei. Mas isso vai mudar com o novo escritório. Fotografias tiradas por Faz de Conta Fotografia)

7 comentários

  1. Parabéns por esse passo, Helena! :)

    Percebo as saudades que vais sentir dos pijamas... Eu espero ansiosamente pelo dia em que vai ser socialmente aceite (e até valorizado) o facto de andarmos de pijama na rua e virmos de pantufas para o trabalho XD

    Boa sorte para todos as coisas que estão a acontecer! E espero que um dia consigas largar tudo e ir para o Brasil! :)

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  2. Tão orgulhosa de ti! Um beijinho enorme meu bem! Toda a sorte do mundo querida! És um orgulho enorme para todas nós!

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  3. Desejo-te a maior sorte nesta fase da tua vida! Mereces tudo aquilo que tens vindo a conquistar. Quanto a mim estou cá para te apoiar sempre!

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  4. Adorei a novidade e estou ansiosa por ver o livro :)
    Boa sorte nesta nova etapa!
    Beijocas

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  5. Adorei a notícia e o facto de saber que há alguém, por esse mundo fora, que consegue sair-se bem e fazer o que gosta...

    Fico muito feliz por ti, genuinamente.

    Beijinho ♥

    http://cristiana-tavares.blogspot.com

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  6. És fantástica e mereces todo o sucesso do mundo! Beijinho

    thebrunettetofu.blogspot.pt

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