Vamos falar de injecções de preenchimentos e botox? (eu já fiz)

28 de novembro de 2016


Este foi um post em que ponderei (muito) se o escrevia ou não porque, infelizmente, há muita coisa que é sempre mal interpretada. Mas quem segue este blogue, já me leu inúmeras vezes a abordar este tema. Porque eu bato nesta tecla incessantemente - se calhar é a minha mensagem neste mundo. Já falei sobre esta necessidade absurda de nos expormos na internet (aqui), já falei sobre o facto de nos comportarmos como inocentes objectos sexuais (aqui), já falei sobre a imposição que colocamos a nós próprias para ter um corpo perfeito (e que não é real, aqui) e até abordei este novo conceito de beleza que obriga a todos estes preenchimentos faciais e carradas de botox, dando como exemplo as raparigas do reality show inglês Geordie Shore (aqui e, by the way, um dos meus posts mais lidos de sempre).


No meio disto tudo, tive a sorte e o privilégio de ter conseguido criar, faz agora um ano, o projecto Vive a Tua Beleza, com mais 7 mulheres inspiradoras (podem ver mais aqui) e que procurou falar sobre isto que é a imposição da beleza.

E porque é que estou (novamente) a falar sobre isto hoje? Devido ao rumor dos preenchimentos da última irmã Kardashian que ainda era virgem nisto das injecções. Toda a gente acha que sou contra - porque passo a vida a criticar esta obsessão - mas o propósito deste post é tentar abordar um outro lado deste bicho papão da beleza. Eu não critico, nem sou contra. Só tento consciencializar.

Vaidade ou auto-estima?

O ano passado, falei no Observador sobre Botox e preenchimentos e mostrei que, além da parte estética e meramente vaidosa, há um outro lado mais real onde estas são soluções acessíveis para resolver várias desordens estéticas que podem mexer com a auto-estima. E uma das coisas que mais defendo é fazermos tudo o que está ao nosso alcance para melhorarmos continuamente a pessoa que somos - por dentro e por fora. Se há algo que vos deixa infeliz e que pode ser resolvido - força. Quer seja um aumento mamário, um preenchimento facial, remoção de sinais, endireitar dentes... a lista é infinita.

A razão porque tanto bato nesta tecla é a banalidade com que os preenchimentos hoje em dia são feitos por jovens com pouco mais de 20 anos e que acham que, para serem bonitas, precisam de ter lábios maiores e bochechas salientes (os preenchimentos mais comuns nesta geração do Instagram). E isto nada tem a ver com desordens estéticas que mexem com a auto-estima. É apenas uma necessidade de responder a um padrão de beleza. Por mais que se tenha dito que a Kylie Jenner se sentia feia com os lábios finos, há só uma coisa a afirmar: ela tem uma mãe que a deixou injectar os lábios aos 17 anos. E isso passa uma mensagem completamente irreal para as jovens dos dias de hoje. Eu também queria ser morena, ter olhos verdes e lábios à Angelina Jolie. E agora? Vou fazer plásticas?

Há poucas pessoas, hoje, que assumam os seus rostos virgens na televisão. Praticamente toda a gente tem preenchimentos e botox. E isso não é nenhum bicho-papão. Quando bem feitos, podem ser uma arma brutal de auto-estima e rejuvenescimento. E dificilmente conseguimos "notar" quando estes preenchimentos são bem-feitos (que não é o caso nesta geração de rostos plastificados). Mas a minha questão vai ser sempre a mesma: Uma rapariga de 20 anos precisa disto ou serão as suas motivações simplesmente erradas?

Eu faço - serei hipócrita por isso?

Eu já fiz (e faço) injecções de preenchimentos e botox. Oh meu Deus! Quão hipócrita eu sou - é isso que estão a pensar. Mas há mais que se lhe diga. E era este outro lado que queria partilhar.

Ao longo da minha adolescência, usei 6 aparelhos nos dentes. E tive de usar duas vezes porque, à primeira, voltaram a entortar. Passei, feitas as minhas contas, quase 10 anos com aparelhos (embora não seguidos). O que significa que, aos 26, quando tirei o último, a minha pele ressentiu-se: fiquei com sulcos nos cantos da boca (aquela ruga que vai dos cantos dos lábios até às narinas) e um sorriso gengival por levantar - involuntariamente - demasiado o lábio.

E eu odiava estas duas rugas e o facto de mostrar metade da gengiva ao sorrir e ao falar. Odiava quando me via ao espelho. Faziam-me sentir menos bonita. Menos eu. E isto mexia com a minha auto-estima. E, tal como estou sempre a dizer, o ano passado decidi procurar se havia alguma solução que estivesse ao meu alcance. Tal como procurei um dentista para endireitar os dentes - duas vezes.

Estava borrada de medo, confesso - mas aceitei a opinião do cirurgião da clínica MyMoment (que não, não me está a pagar para dizer isto) que me disse que essas rugas se podiam facilmente resolver com um preenchimento que me duraria cerca de um ano e as iria suavizar. E que o sorriso gengival se poderia resolver com botox ao invés de uma cirurgia de contenção de lábios (hello? uma operação jamais!). E, acreditem, quando ouvi botox, abri os olhos e pensei: nunca na vida!

Tive um medo absurdo de o fazer, acreditem. A ideia que todos temos destas injecções são os casos mediáticos que conhecemos (Kardashians, Lindsay Lohan ou mesmo Lili Caneças). Tinha medo de ficar esticada, estranha, com uma imagem plástica, menos eu, sei lá. Mas não aconteceu nada disso. O preenchimento simplesmente "preencheu" os sulcos que, então, desapareceram. E o que o botox faz é paralisar ou diminuir a força muscular, ou seja, vai "prender" o músculo do lábio por forma a que, a falar e a sorrir, o lábio se mantenha à altura dos dentes. Normalmente é usado na testa e junto aos olhos para "esticar" (lá está, a imagem esticada que conhecemos) mas tem muitas outras componentes de saúde como esta particularidade que, com uma injeção de cinco segundos, pode ser resolvida.



Fiquei diferente com botox e preenchimentos? NÃO!

Estou diferente? Claro que não. Estou igual a mim própria. Apenas deixei de ter aqueles dois sulcos que tanto odiava e o sorriso gengival. Nada mudou em mim. Estas particularidades mexiam mais com o interior do que o exterior. Nada do que eu fiz é perceptível às pessoas de fora - provavelmente, ninguém reparava na minha gengiva nem nos sulcos. Mas EU reparava.

Percebem agora quando falo de motivações? Os preenchimentos e o botox não são um bicho-papão. Esta geração é que o está a tornar assim.

Eu não quero preencher os meus lábios para ter uma boca à la Kardashian. Não faço botox para esticar a testa. Se calhar vou fazer, sabe-se lá, quando tiver 50 anos. Mas as motivações que estão por trás desta necessidade de recorrer a estas intervenções tem de ser muito mais do que tirar fotografias sexys para o Instagram.

Tenho uma amiga que faz injecções de preenchimento para preencher "buracos" de acne de quando era adolescente. A pele dela fica mais lisa. Tenho outra amiga que aumenta o lábio superior para "tapar" os dentes da frente que são grandes. Nenhuma delas faz preenchimentos com objectivo de ser sexy. E, para as pessoas de fora, o que elas fazem é completamente imperceptível.



Uma das coisas que mais digo às mulheres com quem convivo é para pensarem na imagem que querem passar. Que pessoa querem ser para os outros e para vocês próprias? Essa pessoa corresponde a lábios enchidos e bochechas salientes? Quando olham para as Kardashians ou para qualquer miúda plástica do Instagram, imaginam-nas médicas? Advogadas? Engenheiras? Professoras? Enfermeiras? Escritoras? Jornalistas? Arquitectas? Veterinárias? Acho que não...

É esse o perigo destas intervenções fáceis e "rápidas". Quando deixamos de ser nós próprias e colocamos em risco tudo aquilo que somos em prol de uma imagem exterior que corresponda a um padrão que (achamos nós) é mais bonito, mais sexy e mais apelativo.

23 comentários

  1. Não acho que sejas hipócrita, de todo. Também eu me insurjo contra a padronização da beleza e planeio fazer uma cirurgia estética. Parece um contra-senso, mas só o é à superfície. É completamente diferente querermos certas características (mamas grandes, rabo empinado, etc.) apenas porque estas estão de acordo com o padrão atual e querermos mudar algo que vai contra a nossa noção pessoal de estética. Às vezes a nossa visão pode coincidir com a estética-padrão, e também não faz mal. Eu quero (vou!) submeter-me a uma cirurgia (algo até mais 'sério' e definitivo que as injecções) porque tenho uma característica que não quero nem consigo aceitar, e sei que serei ainda mais feliz quando o fizer, porque finalmente verei ao espelho a imagem que vejo na minha mente. Não vou deixar de ser eu própria, vou passar a ser muito mais eu :)

    Kill Your Barbies

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Concordo completamente. Eu não usei 6 aparelhos porque queria ter dentes direitos? É a mesma coisa. Se há algo que possamos mudar em nós e que mude a nossa auto-estima, força. É como usarmos maquilhagem - o objectivo é sentirmo-nos ainda melhor. Go for it Nádia :D

      Eliminar
  2. Obrigada por este post. Jamais imaginei que tivesses e sempre associei essas intervenções exactamente a mulheres como as Kardashians. Ha realmente um outro lado que devia ser mais falado e que pode ajudar muita gente que fica assustada só de ouvir a palavra Botox :-)

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. A palavra botox assusta porque tornou-se mediática graças a todos os casos negativos que vemos na televisão e nas redes sociais. Mas há todo um outro lado... :)

      Eliminar
  3. texto incrível, inspirador e muito bem estrutuado. adorei :) you go girl

    beijinho,
    Moi by Inês

    ResponderEliminar
  4. Sou uma fã incondicional! Obrigada por nunca perderes a tua essência :) <3

    ResponderEliminar
  5. Se te sentes bem pq raio te haveria de criticar? Oh minhas senhoras não opinem tanto sobre os outros, agarrem num livro masé. As mulheres estão cada vez mais criticas em relação às outras. Obrigada por partilhares a tua história :)

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. É preciso haver mais gente a partilhar as suas histórias para que as mulheres consigam olhar mais para dentro delas próprias :)

      Eliminar
  6. Concordo com tudo, tudo o que escreveste. E não te acho nada hipocrita. Eu também já fiz uma alteração estética e mudou a minha vida e a forma como eu me via. Provavelmente era um pormenor insignificante para quem olhava para mim, mas para mim mexia com a minha auto-estima. Obrigada por este texto tão bom ❤️

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Ora nem mais! Podia ser um pormenor insignificante mas se mudou a tua auto-estima, foi o melhor que fizeste :)

      Eliminar
  7. Helena, eu acredito que tudo o que nos faça sentir bem, independentemente da motivação, e desde que não prejudique os outros, só pode ser bom. Não te critico, assim como não critico a Kim Kardashian.
    No fundo, acredito que o caminho para nos sentirmos bem na nossa própria pele, passa também por olharmos mais para nós, melhorar-nos, em vez de andarmos a viver a vida alheia e a criticá-la.
    Muito boa, esta partilha.
    Beijo.
    lefashionaire.com

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. As Kardashians claro que podem fazer o que quiserem com os seus corpos. Se lhes apetecer colocar 10 litros de silicone, porque não? É o corpo (e o dinheiro) delas. Mas elas são os casos mediáticos que depois fazem com que as pessoas olhem para estas intervenções pelo seu lado negativo e exagerado e até um pouco inconsciente. Além de passarem mensagens erradas a toda uma geração que, aos 18 anos, já está a fazer preenchimentos labiais. Há dois lados nesta moeda e eu tentei apenas passar o lado positivo :)

      Eliminar
  8. Eu já conhecia a história desta tua intervenção e mesmo não te conhecendo antes disso, nunca diria que tinhas feito alguma coisa!
    A verdade é que, mesmo associando este tipo de coisas com pessoas mediáticas e - admitamos - fúteis, as cirurgias e pequenas intervenções cosméticas existem também com outros fins em mente, até mesmo para reconstrução, no caso da cirurgia plástica.

    Sabes como me relaciono com isto, porque já fiz uma cirurgia plástica por motivos de saúde e não de vaidade, embora a minha auto-estima tenha melhorado em função disso (e de forma algo inesperada).

    Adorei este post como adoro os outros que escreves, porque nunca são escritos só porque sim e porque têm sempre uma mensagem.

    Maravilhoso! :D

    Joan of July

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. É verdade e já falámos imenso sobre isto. E já viste como a tua vida mudou depois dessa cirurgia plástica? Só temos de agradecer estes avanços na ciência mesmo que, por um lado eles salvem vidas e, por outro, levem muitas mulheres a exigirem para si próprias padrões de beleza irreais. Há sempre os dois lados mas nós podemos contar o lado bom :)

      Eliminar
  9. Eu não entendo o que te torna diferente da Kylie que preencheu os lábios porque se calhar até se sentia uma merda com a aparência que tinha antes. Não entendo qual é o problema de mudar a expressão do rosto ou o formato do corpo. O que importa não é estarmos felizes? O conceito de beleza e perfeição é tão subjetivo, Helena. E este texto tem uma mensagem um bocadinho hipócrita, do meu ponto de vista. A tua cirurgia é válida mas as das miúdas do instagram não. Tu que dizes que as mulheres são inimigas entre si vens mais uma vez julgar pessoas do mesmo género que tu... Posso estar a ver mal mas acho que o teu discurso tem tantas incongruências.
    Joana M.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Portanto, a solução para todos os nossos problemas é mudarmos a nossa aparência e expressão? É por o conceito de beleza ser tão subjectivo que é extremamente importante aceitarmo-nos. Procurarmos melhorias é saudável - endireitar dentes, fazer alguma coisa estética que não esteja tão bem - seguir um padrão de beleza do Instagram, pelo menos para mim e para as coisas que defendo, não é. Encher lábios, bochechas e procurar incansavelmente corresponder a uma imagem que vemos (editada e com filtros) não é nem nunca será saudável. Se há 15 anos se batia na tecla de que as capas das revistas padronizavam mulheres que não correspondiam a uma imagem real, essas mulheres não deixavam de ser modelos pagas para isso. Toda a gente sabia que as capas tinham (e têm) photoshop e representavam modelos cujo trabalho é representar um padrão que, à mulher comum, pode ser visto como irreal mas nem todos somos modelos, nem todos somos actores... são profissões. Hoje em dia, essas imagens irreais que nos são vendidas chegam por parte da mulher comum ao nosso lado. Entram-nos pelo telefone dentro e tornam as raparigas desta geração - 18-28 anos - sensibilizadas para um padrão de beleza que, não só não é real novamente (porque tem 500 filtros e edições) mas que nos faz acreditar que a mulher comum é assim - menos nós. Vou então encher os lábios e as bochechas porque quero muito ser sexy. A motivação por trás - que é o mais importante nisto tudo - é errada. E devia haver médicos e pais sensibilizados para isto. Mas são meramente opiniões :)

      Eliminar
    2. Oh Helena, não é a solução para todos os problemas, que fatalista. Se eu tivesse um caroço de azeitona no nariz podes ter a certeza que tirava. Ia mudar a minha aparência. Se era por causa das revistas? Pá não. Se é para ficar muito sexy para o instagram? Não! As gajas há milhentos anos não sufocavam dentro de corpetes para ficarem com uma cintura mínima? Não é de agora, Helena. O post que fizeste sobre o que te deviam ter dito quando tinhas 20 anos fez-me corar de vergonha. Eras uma visionária porque te comportavas como as miúdas de agora :)
      Há muitas miúdas de plástico pelas redes sociais, claro que há! Mas já as havia quando tinhas tu 20 anos e quando tinha a tua mãe 20 anos. Os recursos é que mudaram. Agora meteres no mesmo saco a rapariga que encheu as bochechas até ao infinito e a que meteu silicone porque tinha uma copa A e uma copa C no mesmo corpo só porque não conheces o "antes" e as motivações, parece-me redutor.
      Ainda assim os meus cumprimentos por explanares tão bem a tua opinião ;)

      Eliminar
    3. Mas nem aos 20 anos eu quis mudar a minha aparência. É por vivermos todos ciclicamente que fiz esse post. Todos repetimos os mesmos erros e era uma forma de, com piada, mostrar que não se vale a pena bater tanto com a cabeça. Mas estamos a viver uma era que nunca foi vivida - a era do digital e da influência - e que está a mudar o mundo: a torná-lo melhor, por um lado, mas muuuuito pior por outro. É por isso que bato incansavelmente nesta tecla. A geração que, aos 18 anos, resolve uma frustração com um preenchimento labial, é a mesma geração que acha que não precisa de estudar nem de trabalhar porque vai ser Instagrammer/blogger/Youtubber. Querer-se uma boca à la Kardashian não tem naaaaada a ver com alguém que não tem seios e, por isso, não se sente feminina e opta por uma cirurgia - eu não meti no mesmo saco, eu separei MUITO bem os temas. Sou totalmente a favor por qualquer intervenção que melhore a auto-estima. Injectar lábios e bochechas para se conseguir ser igual às estrelas porno do instagram, não.

      Estamos a passar por um fase de viragem no mundo e é preciso tocar-se nestes temas - eis o lado bom do digital: liberdade de escrevermos o que quisermos. Se, com estes posts, eu perder mil leitores que me acham chata mas fizer uma rapariga de 18 anos pensar melhor sobre o seu futuro, já ganhei o dia. E claro que eu continuo nesta "explanação", são dos temas que mais gosto de debater :)

      Eliminar
  10. Adoro estas tuas intervenções! Há que acabar com o estereótiopo, até em relação à mamoplastia há muito burburinho de fundo. O que importa é a nossa auto-estima e sentir-mo-nos bem connosco.

    Um beijinho grande

    thebrunettetofu.blogspot.pt

    ResponderEliminar
  11. Você é linda! Eu também sou adepta ao botox, fiz na Master Health e amei o resultado.

    ResponderEliminar

Latest Instagrams

© the styland. Design by Fearne.