Diz-lhe Que Não

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

O que queres ser quando fores grande? Blogger.



Desculpem-me o tudo o que vou escrever. Aliás, peço desculpa, desde já, por todas as susceptibilidades que vou ferir. Mas eu preciso de o dizer: que merda de geração é esta que se está a criar? Uma geração que não quer trabalhar, que luta com unhas dentes por uma fama virtual nem que, para isso, se tenha de despir ao espelho do quarto e que tem como objetivo de vida, não ser médicos, não ser enfermeiros, não ser jornalistas, não ser contabilistas, não ser advogados, não ser qualquer outra coisa de útil à sociedade, mas sim: blogger, youtubber, instagramer.


Eis a nova profissão dos tempos modernos: ser-se blogger. Em casa. No quarto. No telemóvel.

E de quem é a culpa? De todos nós.

Eu queria ser top model, bailarina, cantora e famosa

Quando eu tinha 15 anos, tinha muitos sonhos. Queria ser top model. Queria ser bailarina. Queria ser cantora. Amava tirar fotografias (tenho caixas e caixas de fotografias de todos os anos da minha vida). Amava dançar nas discotecas. Amava fingir que ia ser famosa. Cantava na escola. Mas na verdade, e quando falava a sério, eu não sabia o que queria fazer da vida mas queria que fosse qualquer coisa relacionada com o trabalho com outras mulheres. Queria fazer a diferença na vida delas. E podia continuar a dançar, a tirar fotografias, a cantar e a fingir que era top model com as roupas bizarras que levava para a escola para ser diferente de toda a gente (ainda não havia os blogues, porque eu teria sido a rainha da cocada preta) mas isso tudo não deixavam de ser hobbies.

Foi por isso que estudei Política Social e, mais tarde, Criminologia. Isso concretizou-se. Trabalhei muito. Conheci demasiado bem a realidade social portuguesa ao ponto de a odiar. E mesmo quando decidi pegar no meu hobbie a sério - escrever - e torná-lo um trabalho - jornalismo - sempre soube que esse era o meu caminho para fazer aquilo que, no fundo, sempre quis fazer: marcar a diferença na vida de alguém. E esse é o propósito de qualquer profissão: médico, enfermeiro, advogado, psicólogo, professor... ser útil a alguém.

Eu não cresci na época em que miúdas de 16 anos são estrelas porno do Instagram

Mas, bem, eu não cresci com redes sociais. Eu cresci na época em que os telemóveis tinham uma antena, um ecrã do tamanho de uma unha e só serviam para telefonar, dar toques às minhas paixonetas e mandar SMS rápidas. Eu cresci na época em que famosos eram aqueles que apareciam na televisão e ouvia na rádio porque essas eram as suas profissões. Eu cresci na época em que tirar fotografias em biquini implicava palhaçadas na areia e línguas de fora para a câmara porque, hellooo?, eram férias de verão. Eu cresci na época em que quando o Ivo lá da escola me viu na praia e, quando as aulas começaram, disse a toda a gente que era uma boazona, eu fiquei mais corada que um tomate. Eu cresci na época em que ser famosa era ter a escola inteira a gozar com as minhas calças à boca de sino (quando usar calças à boca de sino era um faux pas da moda, coisa do século passado).

Eu não cresci na época em que, de repente, toda a gente quer ser virtualmente famoso. Sem fazer nada. Apenas por estar em casa a fotografar-se, a filmar-se e a expor-se pela internet fora. Eu não cresci na época em que raparigas de 16 anos são estrelas porno das redes sociais. Eu não cresci na época em que raparigas deixam de estudar e de trabalhar para se dedicarem àquilo que realmente gostam de fazer: tirar fotografias à sua roupa e à sua maquilhagem.

E de quem é a culpa? De todos nós.

A culpa é minha, é vossa e das marcas que tornaram raparigas normais em blogaholics


É minha porque mostro aqui todo o lado bom de ter um blogue. Mas o que, se calhar, muita gente não vê é que eu trabalho a sério. Horas e horas. Eu escrevo, eu sou jornalista e, porra, trabalhei durante 2 meses no verão para montar um dos maiores sonhos que tinha. E que não, não tem a ver com roupas, maquilhagem nem pinturas de cabelo. Tiro fotografias para ilustrar estes posts, é verdade, porque continuo a adorar tirar fotografias (exactamente como quando tinha 15 anos) mas faço-o no meu tempo livre (tal como o fazia na altura, fora das aulas). Não tenho qualquer objetivo de parar de escrever para ser blogger de lifestyle. Porque o que é que é isso afinal de contas? Nada.

É vossa porque alimentam esta obsessão. Eu gosto de chamá-la blogaholic. Todas as vezes em que veem o instagram de alguém a passear, a maquilhar-se, a tirar fotografias nos provadores das lojas ou quase nua ao espelho do quarto e comentam coisas fofinhas como "que linda, olha para essa barriga", "adoro esse batom, qual é a marca?" ou "amooooo essas botas, compra" estão a alimentar ainda mais esta obsessão. A obsessão por ter mais likes, mais comentários, mais aprovação. A pessoa começa a tornar-se cada vez mais blogaholic. Compra seguidores, compra likes, tem redes sociais com milhares de seguidores falsos, contacta todas as marcas possíveis e imaginárias, vai aos eventos todos e quer aparecer mais e mais e mais. Quer estar em todo o lado. Quer receber goodie bags de todas as marcas. E acha-se no direito de o fazer. Trabalhar e estudar é uma perda de tempo porque, afinal, tira-lhe o tempo necessário para fazer monólogos para a câmara em casa ou tirar 50 fotografias, escolher uma, colocar 10 filtros, publicar, usar a aplicação de likes para ganhar moedas, usar as moedas para colocar likes nas suas fotos. E, bem, já passaram duas horas. Está na hora de tirar mais uma fotografia.

É das empresas e das marcas que usam estas blogaholics para divulgar a troco de quase nada os seus produtos. No outro dia, falei com uma marca de ganga da minha adolescência que me tinha contactado e queria contar, com ela, uma história sobre a forma como a moda moldou a minha personalidade enquanto crescia (eu era, eventualmente, uma das miúdas mais bizarras da escola). Não ia colocar fotografias parvas nas redes sociais nem fazer um post chapa cinco igual ao press-release deles. Fiz uma proposta concreta com pés e cabeça. Não quiseram. Porquê? Porque, afinal, já tinham fechado as parcerias todas. Passado uma semana vejo, no Instagram, um blogaholic que conheço (e que deixou de trabalhar para ser blogger) com essa marca. Tem 80 mil seguidores (uau!), fotografias com 700 likes. Mas colocou um video e apareceram lá 400 visualizações. Onde estão os restantes 79 mil e 600 seguidores? De quem é a culpa, então? É das marcas, que alimentam esta obsessão. E que fecham os olhos porque é mais fácil apresentar ao chefe que trabalharam com um blogaholic com 80 mil seguidores, mesmo que 79 mil sejam falsos.

O que é que é preciso mudar para esta geração?

O que é que é preciso mudar para esta geração que se está a criar? Toda esta falsa noção de fama virtual. Até Kim Kardashian, rainha do não fazer nada de útil, o percebeu da pior maneira: ao ser assaltada à mão armada no hotel. A forma negativa como nos expomos tem sempre consequências, mais ou menos graves. Para ela pode ter sido ser quase morta, para nós pode ser perdermos um emprego a sério porque o empregador nos encontrou nas redes sociais e ficou, bem, com vergonha alheia.

Ter um blogue é fantástico, aconselho a toda a gente. Mas um blogue tem de vir com um propósito claro, um gosto inato, uma necessidade da alma. No meu caso, é para chegar a mais leitores. Por forma a que, um dia, possa escrever (de forma séria. Tipo... livros?) e ter uma rede de leitores. Eu quero ser ativista, quero continuar a trabalhar com mulheres, quero continuar a ser um meio de empowerment feminino, quer seja a escrever sobre relações, sobre a arma de poder que é a maquilhagem, ou a estupidez que é despirem-se em fotografias nas redes sociais porque, quanto mais sexualizada a vossa imagem, mais... likes?

Ter um blogue pode ser um meio fantástico para atingir um fim profissional ainda maior. Mas tem de haver um fim que seja mais do que aparecer, ter likes e passar o dia a tirar fotografias.

E esta mudança depende de todos nós: das ideias que passamos aos nossos filhos, amigos, conhecidos. Da forma como lidamos com as redes sociais. Do tipo de mensagens virtuais que vemos, comentamos, aplaudimos e fomentamos ainda mais.

Tirar fotografias é maravilhoso. Fazer vídeos também. Guardar memórias, partilhar ideias, comunicar com as outras pessoas. As redes sociais aproximam-nos mais uns dos outros. Fazem-nos ver o mundo com outros olhos. Mas não se podem tornar uma obsessão nem afetar toda a nossa vida real.

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35 comentários

  1. Melhor post de sempre sobre a esta geração do instagram. CLAP CLAP CLAP!!!

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  2. Eu também estudei! Trabalhei muito para me licenciar e continuo a trabalhar muito na minha área de formação, umas das tais que supostamente culminam numa profissão útil para alguém. E além disso, tiro fotografias à minha roupa e publico. And guess what? Trabalho a sério nisso também. Horas e horas :)
    Um blog, ser blogger, pode (ênfase em "pode") ser algo útil, uma profissão útil para as outras pessoas.
    O feedback que obtive no workshop que dei no passado Sábado, mostrou-me exatamente isso. E esse feedback não foi apenas relativo ao workshop em si, mas também ao trabalho que as pessoas acompanham diariamente no blog.

    Sabes que sou fã do teu trabalho e que tenho empatia contigo, mas acho que pecaste pela generalização e reduziste o "ser blogger" a algo que não corresponde à verdade. Pelo menos, não em todos os casos :)

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    1. Bárbara, estás a referir-te exactamente a uma profissão. Há quem estude moda, há quem faça pós-graduações em styling de moda, há quem trabalhe (como a Anita ou a Adelaide, por exemplo) a ir a empresas dar formações sobre vestir, sobre estar, sobre tendências, sobre conjugar. Mas estas pessoas, se forem contratadas para dar um workshop, têm de ser muito bem pagas: porque é essa a profissão delas. As marcas acabam por ir aos "blogues" porque é mais barato: as marcas e as empresas usam esta "geração". Estou só a dar um exemplo (e usei o teu exemplo) até porque tu sabes que és das bloggers de "moda" que mais gosto e defendo pela imagem natural e real que passas, saudável e com bons exemplos para as jovens raparigas. Todas as celebridades it girls que seguimos pelas suas roupas têm trabalhos (como tu, como eu...). O que nós vemos é o seu free time. E é isso que esta geração não compreende... Depois há, por ex, pessoas que querem muito ser bloggers de fitness (não estudaram desporto, não têm formação, não têm conhecimentos) e agora fazem vídeos e tudo e mais alguma coisa sobre fitness e "ensinam" pessoas em casa com exercícios que, na verdade, e quando abordamos isto a fundo, podem ser errados e criar problemas maiores. Isto para te dizer que nada disto é real: abandonar cursos e trabalhos para ficar a fazer vídeos e a tirar fotos. É tudo muito efémero para quem não se profissionaliza e não procura um fim maior - como já vemos lá fora a acontecer. Todas as "bloggers grandes" sabem que isto vai acabar e estão a criar negócios. Era a isso que me referia no post. Esta conversa tem mesmo pano para mangas!! :)

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    2. Entendo o que queres dizer e concordo...até certo ponto! Não concordo a 100%.
      Mas lá está, o assunto tem mesmo muito pano para mangas. Fica para um cafézinho a combinar. Em breve, de preferência :p

      Um grande beijinho

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  3. Mesmo na minha dimensão micrscópica de blogger ou enquanto leitora, concordo muito contigo. Noto que esta ou aquela marca gostam mais de trabalhar comigo do que com outros blogs que têm 10x mais seguidores porque eu não sigo a tal chapa cinco. Porque personalizo as divulgações, porque sou genuína e não falo de nada que não use ou goste, ou de forma censurada. No fim, parece que as marcas perdem porque sou tão honesta que às vezes digo contras em vez de apenas prós. Mas ganham! São elas que me dizem. Porque ser-se único ainda compensa.

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    1. Ser-se única é, no final do dia, a mais valia de qualquer pessoa. E neste meio é ainda mais importante. Porque no meio de ziliões de blogues, vão acabar por ficar aqueles que se distinguirem.
      Escrevi algo sobre isso há uns tempos: http://www.thestyland.com/2016/04/como-ser-singular-no-meio-de-zilioes-de.html

      :)

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  4. Acho que estou no meio entre a tua época e a das miúdas de hoje, e penso que a minha opinião reflete isso. Bom, eu não concordo com a premissa de que o propósito de qualquer profissão é ser útil a alguém. Eu gosto do que faço, de verdade, mas o meu objetivo nunca passou por qualquer noção de servir um bem maior. Gosto de ser investigadora porque me estimula o intelecto e porque, no âmbito do trabalho não-independente, é aquele que me faz sentir menos pau-mandado. Mas também tenho um blog e não hesitaria em torná-lo a minha profissão - não para alcançar um fim maior (nem a fama), apenas para conseguir ganhar dinheiro fazendo algo de que gosto com horários flexíveis. Se sei que a minha felicidade não passa pelo trabalho, se não tenho grandes ambições na vida além de ser feliz, o trabalho (seja um blog, um canal de youtube, ou a investigação) é apenas uma fonte de rendimento. Acho que não é intrinsecamente mau que alguém não veja a profissão como forma de contribuir para algo - são diferentes perceções do trabalho e da vida.

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    1. Claro... Eu também tenho como objectivo de vida ser feliz mas, na verdade, essa é uma noção muito utópica de vida. Vivemos em sociedade, o que significa que todos temos de contribuir para ela - se formos a pensar nos primórdios das noções do que é viver em sociedade. Há quem nasça para investigar, há quem nasça para limpar as ruas, há quem nasça para escrever há quem nasça para tratar, há quem nasça para conduzir autocarros.... Mas todos nascemos para qualquer coisa porque temos de nos auto-sustentar a dada altura da vida. Mas desistir dos cursos e dos empregos para ser blogger é, em ultima análise, uma visão utópica da felicidade e da vida. Porque é tudo muito efémero. Eu costumo, em conversas, chamá-lo de momento Floribella ou Violeta. Foram booms, venderam milhões em merchandising, esgotaram concertos, bateram recordes de audiência e depois... acabou. A geração Floribella ou Violeta cresceu e procurou outras coisas. Tal como a geração Spice Girls (eu) mais tarde tornou-se a geração Amy Winehouse (por exemplo). É tudo efémero se não procuramos algo mais do que isso. Ser blogger de lifestyle, tirar fotos e fazer vídeos simplesmente é uma coisa excelente se aliada a uma profissão a sério ou uma forma de profissionalizar esse momento da vida. Porque a geração que hoje segue essa blogger, daqui a 3 anos quer outra coisa, outra moda que vai surgir, outra blogger, outro produto, outro momento Floribella. Este é apenas um post de consciencialização face à quantidade de gente neste meio que conheço e que vejo a desistir de cursos e a abandonar empregos para se ser virtualmente famosa. Não é nada contra, é somente um alerta, um pensamento, um tema que discuto com os meus pares e colegas muito frequentemente...

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  5. Permita-me discordar mas acho este post um pouco agressivo visto que a realidade, na minha opinião, é um pouco diferente. Primeiro, por muito que os jovens queiram estudar para ser médicos, jornalistas, advogados, onde está o emprego para lhes dar? Podem estudar durante anos mas depois quando quando acabam os cursos não têm emprego. Segundo, o mundo está a evoluir. É normal que se criem empregos novos todos os dias como blogger ou instagrammer ou youtuber. A isso chama-se evolução. Terceiro, todos estes empregos são úteis. As pessoas nunca dão valor a empregos criativos e eu sei bem disso visto que tirei um curso de moda e todos os dias sou julgada por isso e por "não fazer nada de útil" como as pessoas fazem questão de me dizer. E quarto, não percebo como diz que quer ser um meio de empowerment feminino quando julga outras mulheres por gostarem de partilhar coisas "fúteis" como a maquilhagem ou roupa que usam.

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    1. Anónimo, o meu trabalho é, como disse, "futil", se for a pensar nisso. Eu escrevo sobre beleza para me auto-sustentar. E tenho algo contra? Não. Para mim, a beleza é uma arma de empowerment brutal para a mulher. Tal como a moda. A moda e a beleza são mercados que geram milhões e milhões por ano. Empregam milhões de pessoas. Logo: não é fútil. Eu deixar o meu curso de psicologia ou de jornalismo ou de enfermeira ou de médica ou de condutora de taxis ou de moda ou de qualquer outra coisa para tirar fotografias à minha roupa e à minha maquilhagem é, em última análise, muito parvo. Diz-me que tirou moda - suponho que esteja a trabalhar na área. Mas se um dia ficar sem emprego, não se vai sentir revoltada quando não a contratarem porque uma blogger com 80 mil seguidores (e probabilidade de serem reais muito reduzida) fica com trabalhos de moda que deveriam ser pagos a profissionais como a anónima? Que estudou, que pagou um curso, que se profissionalizou. Que sabe do que fala? Quando eu falo em profissionalizar-se é exatamente nisto a que me refiro - tentarmos pegar no nosso canal (youtubbe, blog, instagram) e torná-lo um meio para a criação de uma carreira. Não uma brincadeira efémera que um dia acaba. Diz que lhe dizem que não faz nada de útil - cabe a si, enquanto profissional de moda - defendê-la, como eu acabei de fazer. Eu escrevo, essa é a minha profissão. É útil? Bem, talvez seja útil à alma. É um entretenimento... que, em última análise, acaba por ser útil.

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    2. Como é que isto é agressivo? Agressivo é quando abro o Instagram e vejo raparigas de 20 anos quase nuas em poses pornográficas, como a autora explicou. É isso que para mim é agressivo. O que é que elas esperam fazer da vida? Onde esperam trabalhar? É que não conheço patrões que queiram pagar a funcionárias que estão praticamente nuas nas redes sociais...

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    3. Haja alguém a entender do que falo!! :)

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  6. Helena,

    No essencial concordo contigo. Deve ter sido por isso que acabei por eliminar o meu blogue pessoal da face da terra. Porque não sabia realmente o que queria dele e, apesar dos seguidores (que representavam pelo menos 100 pessoas que me gostavam de ler), senti-me impelida a mandá-lo para o galheiro e foi isso que fiz, sem remorsos, eliminei-o e pronto. Agora tenho um blogue sobre ciência que criei porque o professor de um seminário do mestrado que estou a fazer nos obrigou a fazê-lo. Mas sei para que é que ele serve e cada dia gosto mais dele, sem pressões, sem sentir que tenho de escrever todos os dias à mesma hora (apesar de, no princípio, ter tentado escrever todos os dias, mais para ganhar disciplina do que outra coisa). E é isso. Escrevo no meu Supernova, porque estou a tirar um mestrado em Comunicação de Ciência, que escolhi fazer, porque um dia quero ser Jornalista (não só de Ciência). E escrevo no Espalha-Factos porque foi uma escolha que fiz logo no início do meu primeiro ano de licenciatura e que tantas coisas boas me tem trazido. Quanto a fotografias, roupa e maquilhagem, gosto muito. Sou mulher e sou vaidosa. Mas não preciso de deixar a faculdade e ser blogger para gostar dessas coisas. Olha, vou sendo vaidosa e o meu Instagram vai sofrendo com isso, mas até hoje sem fotografias porno! hehe

    Beijinhos Helena e continua a escrever :)

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    1. Eu também escrevi para muitos sítios (como tu a Espalha-Factos) nos últimos anos. É o que estou sempre a dizer: temos de plantar sementes para depois colher os frutos... :) Todas gostamos de beleza e moda - se não gostássemos, não se tinham tornado mercados de geram milhões e milhões anualmente. Mas essa é a visão saudável, como eu também a vejo :)

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  7. Percebo que as pessoas possam interpretar este assunto mal (pelos comentários anteriores) e dizer que há quem não queira trabalhar para um fim maior e é compreensível mas, como a autora explica e muito bem nas respostas, é completamente utópico dizermos que queremos ser felizes. Todos temos de contribuir, é por isso que instituiram um sistema de ensino: para uma pessoa descobrir a sua vocação e onde vai trabalhar. Caso contrário, ficávamos a brincar durante a infância, a sair à noite durante a adolescência e, depois, éramos bloggers a tirar fotos às nossas roupas. Não precisávamos de ir à escola, não precisávamos de estudar nem de fazer nada: só queremos ser felizes. Quem não procura profissionalizar o seu hobby de blogger/youtubber vai acabar por perder tudo (depois não tem nem emprego, nem blog). Os exemplos lá de fora são úteis: todas estão a criar carreiras, nao se limitam a passear durante o dia e a tirar fotografias. E este post é um bom exemplo de um pensamento que muitas jovens deveriam ter: carreira ou fotografias em lingerie ao espelho? Deixo o pensamento...

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    1. Sim, é também uma boa analogia que ainda não tinha pensado. Não valeria mesmo nada a pena estudarmos se, no final, queremos é ser felizes :P

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    2. Parece-me que este comentário é, em parte, uma resposta ao meu. Bom, em relação aos cursos académicos, nunca comprei a ideia de que tirar um curso é caminho direto para ter uma profissão. Geralmente essas são as pessoas que consideram o estudo uma chatice necessária. Eu fui muito feliz a estudar, tão-só pela busca pelo conhecimento, portanto não vejo nenhuma contradição entre estudar e querer ser feliz. Trouxe-me mais felicidade que as brincadeiras de criança :) Entre o trabalho (tal como o conhecemos) e a felicidade, é outra história. Por isso fico mesmo feliz quando vejo pessoas -muitas que desistiram da universidade- a conseguir sustentar-se com um canal de Youtube, por exemplo. Bem sei que o texto não é sobre isto, mas não consegui não me deter na questão do trabalhar para um fim maior e para ser útil a alguém (ou, a mais das vezes, ao sistema). Bem sei que é isso que nos impingem e que é difícil sair desse loop, mas é possível estar a viver uma realidade e ser-se crítico em relação à mesma.

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    3. Nádia eu sou um exemplo disso e já falei aqui abertamente sobre a merda que é estudar 7 anos e, no fim, perceberes que tiraste um curso e um mestrado numa área onde, afinal, não queres trabalhar. Termos de decidir aos 18 anos o que fazer é muito limitativo. Eu não sabia, só sabia que queria trabalhar com mulheres. Só aos 25 é que percebi que o meu futuro era escrever - depois de um curso, de um mestrado e de 2 empregos na área que estudei que odiei. Mas batalhei que nem louca para poder tornar o meu hobby - escrever - numa profissão. O que eu falo muito é que o que temos agora é efémero. Já vimos bloggers que há 3 anos eram requisitadas por todas ss marcas desaparecerem no esquecimento porque não souberam criar uma "marca". É por isso que batalho muito no ter-se uma estratégia que não seja passear, desistir do curso, fazer vídeos e brincar aos blogues - porque isso é um momento Floribella que vai acabar :)

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  8. Se o teu post tivesse vindo sob a forma de discurso num auditório, eu ter-me-ia levantado para aplaudir. Tu sabes como me sinto em relação a tudo o que descreveste. Em suma, tenho uma dificuldade enorme em ver tudo o que se passa nas redes sociais e não achar uma grande palhaçada.

    Lamento imenso, mas não vejo ninguém em Portugal que aspire ser uma blogger de moda/beleza a full-time que ache que tem competências para tornar o seu blog em algo inspirador e minimamente útil. Pelo menos não conheci nem vi ninguém assim.
    Isto não quer dizer que a moda e beleza não sejam "empowering", claro que são! Mas tudo depende do modo como é feito e apresentado. O que eu vejo são inúmeras bloggers a expor-se porque tem fome de reconhecimento, elogios, likes, tudo o que disseste.

    Por outro lado, acho que ser blogger pode ser realmente uma profissão. Mas cá em Portugal... hmmm... é discutível, pelo menos neste momento. Já há bloggers a viver dos seus blogs, mas na sua maioria são, lá está, de moda e lifestyle e pelas razões erradas.
    Porque é que se desiste da escola, faculdade, empregos em detrimento de um blog? De um futuro incerto e de uma moda passageira? Eu cá vou continuar a querer dar algo ao mundo e a escrever no meu blog apenas por gosto.

    Enfim, já dispersei. Este assunto dá mesmo pano para mangas.
    Fantástico texto, Helena! Precisava de ser escrito. :)

    Joan of July

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    1. Quiçá, um dia, estejamos a debater isto em discurso ahah :) Sim, em Portugal é muito difícil criar-se um full time job também porque o nosso mercado é muito pequeno em comparação com outros onde se criaram impérios a partir de blogues. E é preciso ter-se essa consciência (que acho que não se tem). As pessoas veem algo a funcionar lá fora e querem copiar cá e que funcione de forma igual quando, na verdade, há uma probabilidade muito pequena de isso acontecer. Se formos a olhar para os blogues que se tornaram o mais próximo de uma profissão, todos eles eram/são completamente únicos dentro do seu registo, não eram cópias. Mas isto já é um tema para um outro post :P

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  9. Blogaholics desejarão que os seus likes se transformem em seguros de saúde, e quem sabe uma bela reforma, para um dia na sua velhice tirarem umas fotos durante cruzeiros no Mediterrâneo mas claro editadas, por causa das rugas. Blogaholics têm a certeza que um dia a Vitória´s Secret lhes baterá à porta. Blogaholics não colocam de parte um dia frequentar a universidade sénior. Blogaholics têm a certeza que são úteis à sociedades e que sem elas o pessoal andaria mal vestido. Blogaholics com poucos trocos, compram iphones no olx, mas têm fé que um dia comprarão um dourado.

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  10. Eu cheguei hoje no teu blog e gostei muito deste post é bem diferente do que costumo ler.
    Quando estava a ler estava a pensar que tinhas generalizado " o ser blogger", mas gostei sim e cresci no tempo em que minha mãe dizia que se não estudares ou trabalhares não vais ser nada na vida."
    Penso que a nossa geração deve sim querer ser blogger e partilhar as coisas que goste, mas fazer por paixão e conciliar com os estudos e o trabalho seria ainda melhor.
    Eu tenho um blog porque desde nova adorava escrever e gostava que outros vissem e invés de ser a mostrar os meus cadernos aos meus amigos decidi passar a escrever virtualmente e alcançar todos os gostos.
    Enfim, eu amei muito este post foste muito direta.
    :)

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    1. Obrigada NoOno :) eu "generalizei" porque não vou estar a apontar A, B ou C. Falei no geral, na maioria, no que vemos nas redes sociais. Falei, acima de tudo, para um publico jovem que vê este mundo como algo fácil e que dá fama e dinheiro. Podermos profissionalizar o nosso hobby é basicamente o sonho de uma vida - mas para isso tem de haver estratégia, sempre :)

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  11. Muitas palmas para ti, mesmo! Eu pertenço a esta geração da qual não me orgulho, de todo. Pessoas com uma "bonita embalagem" mas sem qualquer tipo de conteúdo. Envergonho-me de ver raparigas da minha idade a despirem-se nas redes sociais a troco de uns quantos gostos e seguidores... É, definitivamente, triste.
    Também eu tenho um blogue mas que é um hobbie. Criei-o porque sempre gostei bastante de escrever e a dada altura pensei em partilhar o que escrevia com quem quer fosse que estivesse do outro lado. Não criei um blogue para ser famosa - até podia não ter ninguém que lesse, que continuaria a escrever porque é isso que gosto de fazer. Faz falta neste mundo pessoas que façam as coisas porque realmente gostam ao invés de ser porque está na moda. Eu tenho os meus objetivos de futuro que não passam por ter um blogue e ser famosa por isso, mas sinto que muitas dessas pessoas que falaste não o têm e isso é deveras triste. Enfim...
    Muitos parabéns pelo teu texto!

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    1. Inês que bom ver uma jovem "desta" geração a perceber estes pensamentos, a não ser mais uma no rebanho. É preciso haver uma consciencialização, uma tentativa de mudança porque estamos a crescer com os valores errados :)

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  12. Helena, não posso deixar de concordar contigo em certa medida.
    Há realmente miúdas deslumbradas, que acham que ter 50 000 seguidores no instagram, e mostrar o corpo em fotografias duvidosas ao espelho as faz famosas. Mas isso não é um problema de agora. O facto, é que essas são as mesmas pessoas que se inscrevem no Big Brother e no Ídolos em busca de fama. Encontraram apenas mais um canal, onde a procurar.

    Também eu sou blogger e não me senti, em anda, ferida, pelas tuas palavras. Licenciei-me e tirei um mestrado em Direito numa das Universidades mais prestigiadas do país. Tenho um emprego das 9h às 18h na área. Mas a minha paixão sempre morou na escrita e na moda. Um blog, e no meu caso em particular o meu blog, é um canal de partilha. O que pretendo é inspirar as pessoas. Através de palavras, mas também através das histórias que as próprias fotografias contam. Dá muito mais trabalho que fotos ao espelho (chego a ir dormir às 2 da manhã), mas é algo que faço com gosto.E que de certa forma me completa. Há sempre um certo egoísmo no que fazemos, há que admiti-lo. Mas inspirar pessoas é tão útil quanto ajudá-las num problema de partilhas, em tribunal. E neste aspecto, sabes bem do que falo.
    Se hesitaria em trocar o meu trabalho de gente crescida pela profissão blogger? Claro que não. Mas como em qualquer profissão, há que ter visão e noção de estratégia. Quem não a tem, sobretudo na área dos negócios, acaba por ter apenas os seus 5 minutos de fama. Daí as bloggers de renome estarem a criar marcas, sim. Mas há outras, como a Camila Coelho ou a Wendy que continuam no mesmo registo com que começaram. Se vão destruir o nome que criaram na indústria? Duvido. Ambas são trabalhadoras e extremamente inteligentes.
    No fim, tudo se resume a uma questão de inteligência e alguma perspicácia. Como tudo na vida, aliás.
    Beijo.
    lefashionaire.com

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  13. P.S. Não esquecer, contudo, que a Chiara ficou famosa também por tirar a roupa. Alguém ainda se lembra dos posts de 2009, em que aparecia nua como se fosse uma Barbie? E das fotos duvidosas, com o Richi?
    Mas lá está, inteligência não lhe falta.
    :)

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    1. Eu lembro-me dessas fotos... super bizarras! Embora acho que ela nunca teve uma imagem pornográfica (vejo-a muito mais porno agora do que na altura, com as suas fotos com os mamilos a verem-se mas que, para mim, não deixaram de ser apenas uma chamada de atenção aquando do fim da relação altamente exposta que ela viveu e que agora está a repetir com o cantor italiano). Mas nem a Thássia, nem a Camila Coelho nem a Helena Bordon, nem a Lala são exemplos - elas já vêm de famílias conhecidas e já eram "figuras públicas" no Brasil. A única que, eventualmente, pudesse ser um exemplo talvez fosse a Camila Coutinho que começou do nada - mas também criou um canal que se tornou mais do que um blogue pessoal, é um site de entretenimento com entrevistas, por exemplo, tal como o da Chiara acabou por se tornar, fungido ao conceito de blogue pessoal. Mas o que não faltam são pessoas que são conhecidas por ser figuras públicas (a família Kardashian são as rainhas disso) e não por fazerem qualquer coisa. Mas aqui em Portugal importa falar da diferença de mercado e de cultura que temos. Há muito pouca gente em Portugal que seja meramente uma figura pública sem fazer nada - as que existiam já vinham de famílias conhecidas e também elas fizeram qualquer coisa da vida (dentro ou fora da televisão/imprensa para vingar). Portugal é um país conservador, é um país que ataca tudo o que é bonito sem esforço. E, acima de tudo, Portugal é um país de moda, é um país que consome tudo o que vem lá de fora. Isto para dizer que todas as modas acabam por ser passageiras porque queremos agarrar imediatamente a próxima que surgir e quem não tiver uma estratégia, quem não se profissionalizar, quem não tiver inteligência e perspicácia (que vejo muito pouco), vai cair no esquecimento. Mas o que nunca vai ser esquecido são as coisas parvas que essa pessoa fez - como aquela blogger que há uns anos era requisitada por todas asm marcas, toda a gente falava dela, surgiu um rumor de ela vender a roupa dela e roubar as pessoas que a compravam (porque a roupa nunca chegava) e ela foi completamente apagada do digital em Portugal e não há ninguém que se esqueça desta história. É por isso que é preciso pensar com estratégia - coisa que pouca gente (desta nova geração) faz. Esta conversa tem pano para mangas :P

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    2. Tal como ninguém se vai esquecer da pela e da mala chanel. Sempre que alguém estiver uma hora ao espelho a tentar tirar uma fotografia em lingerie o mais sexy possível, tem de se lembrar do que está a fazer à sua imagem. É por isso que batalho tanto nestes temas... :)

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  14. Concordo em absoluto. Só um reparo: sou brasileira, e a Camila Coelho não vem de nenhuma família influente, no Brasil.
    A família dela é emigrante nos EUA, e ela começou o canal no youtube porque trabalhava no corner da Dior na Macy's. Trabalhou muito, mesmo muito para chegar onde está (e isso é palpável quer no blog, quer nos vídeos). As outras sim, são todas miúdas de "berço".
    Beijo. Temos que combinar um café, que desta conversa (e de outras) nascem ideias interessantes. :D

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    1. Ah pensava que ela também fazia parte do grupo das famílias "conhecidas" brasileiras, não me informei a fundo sobre isso :) E eu gosto da Camila, atenção, embora ache que tem uma imagem muito "plástica", gosto do brio com que faz tudo, do estilo, gosto de ver as roupas que usa... Mas vai ter de fazer muito mais. Acho que todas as bloggers mais internacionais começam a ter noção disso (com livros e carreiras paralelas da qual usam a sua influência para vingar). Ah um café, parece-me bem!! Levo a Dani (jornalista brasileira) que também está cá em Portugal :)

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  15. Está combinadissimo. Quando vierem a Coimbra (semana), ou ao Porto (fim de semana), combinamos sim. :D
    Sim, eu sei quem é a Daniela,sigo-a no instagram. Parece-me óptima ideia.
    lefashionaire.com

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  16. Olá :) Enviamos um convite para o teu email. Caso não tenhas lá recebido poderás aceder à nossa plataforma em https://swonkie.com
    Contamos contigo?

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  17. Não diria melhor! Pertenço a esta geração do boom da internet, mas de modo algum me identifico com as parvoíces que algumas pessoas fazem para serem "famosas". Tenho um blog, sim, mas nada tem a ver com moda ou beleza e nem sequer tenho muitos seguidores ou parcerias. Trabalho durante muito tempo para ter conteúdo novo no meu blog e orgulho-me de o ver crescer.

    www.princesadescalca.blogspot.pt

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