O AMOR É OUTRA COISA #48 Homens, por favor, saiam das redes sociais

12 de julho de 2016


Há umas semanas, fui jantar com um tipo. E como eu começo por chamá-lo de tipo já podem imaginar que a coisa não correu bem. E o problema nem foi o tipo - porque era de um tipo de tipo bastante simpático. O problema foi quando ele me decidiu adicionar no Facebook. E eu aceitei.

Como fazer uma mulher perder o interesse...

Nós já nos tínhamos conhecido, por vias profissionais, e trocado algumas ideias. Conversa puxa conversa puxa número de telemóvel puxa umas quantas mensagens e combinámos sair. Fomos jantar ao Chiado, estava uma noite fria, deu-me o casaco dele, segurou na minha mala enquanto caminhávamos a pé - a sério, alguém ainda faz isto? - e ficámos a conversar à entrada do parque de estacionamento. Só assim para matar o romance um bocadinho e cair na real.

E correu tudo bem. Ele era - e é, coitado, porque não morreu - simpático, interessante, com alguma piada e sentido de humor. Voltámos a trocar umas mensagens à noite - chegaste bem? Espero que amanhã não estejas cheia de sono no trabalho, blá, blá, blá, esse género de coisas - e foi cada um à sua vidinha na expectativa de um próximo encontro em breve.

Eu estava. Juro.


... da noite para o dia!

Mas no dia seguinte ele teve a ideia de me adicionar no Facebook. E ao fim de cinco minutos, já tinha perdido tooooooooodo o interesse nele. E arrisco dizer que este é um problema geral dos homens: partilharem demasiado e não entenderem o que raio hão-de fazer com a câmara do telemóvel. O meu conselho? Não façam nada.

O mural dele tinha direito a tudo: fotos dos pés na praia, fotos das vistas, selfie no carro de manhã no trânsito, fotos da comida, check-in em restaurantes, fotos do seu jogging, frases inspiradoras/motivadoras e basicamente fotos de todos os momentos do dia dele. Se havia algo a acontecer no seu dia, lá estava uma foto escarrapachada no seu mural.

E por mais que tenha tentado ignorar este elefante cor-de-rosa, simplesmente não consegui. A sua vida virtual era absolutamente demais.

E porque noto uma enchente cada vez maior de homens a cá passarem, vou deixar alguns conselhos do que vocês fazem nas redes sociais e que nós, mulheres, odiamos. Ou reviramos os olhos e alteramos o vosso nome no nosso telefone para 'chato do Facebook'. Sabem como é, para evitarmos atender por engano.

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Tirarem demasiadas selfies. Se, nas mulheres, o conceito de selfie é parvo, nos homens torna-se simplesmente estúpido. A pose forçada com o telefone na mão, a expressão, as carinhas... Se acham que isso seduz, desculpem-me, mas acho que não. Não há nenhum motivo para tirarem uma selfie. A não ser, claro, que tenham passado pelo CR7 a descer a Avenida da Liberdade. 

Partilharem tudo o que estão a fazer. A era das redes sociais tornou-nos seres cada vez mais sozinhos mas com uma necessidade cada vez maior de gritarmos ao mundo. Quanto mais silenciosos forem nas redes sociais, mais interessantes aos olhos de uma mulher. Partilhar o almoço, os pés na praia, as pulseiras do Urban Beach... é dispensável para homens com mais de 25 anos.

Descreverem as suas noitadas. Deixem-me que vos diga uma coisa: as mulheres procuram em tudo o que vocês fazem algum sinal que prove que são adultos e de confiança. Fotografias da noite anterior, dos copos de shots e do grupinho todo no Lux com as vossas t-shirts com decotes em V até meio do peito mostra exactamente tudo aquilo que nós não queremos.

Qualquer tipo de exposição de corpo. Não precisam de mostrar os vossos abdominais ao espelho do ginásio para que nós os consigamos ver. Acreditem, a última coisa que uma mulher está interessada em saber de vocês é se têm a barriga definida. As mulheres querem alguém que as faça rir e não alguém preocupado com os ângulos ao espelho e o filtro certo a usar. 

Escreverem com erros ortográficos e 300 hashtags. Se não têm a certeza se a palavra está certa, não a escrevam. Se não têm o corrector automático, activem-no. E se não sabem o que dizer, não #encham a #fotografia com #trezentos hashtags do tipo #nopainnogain ou #sunset ou #fashionboy. A sério, não.

Estas são as cinco coisas que me fazem ter vontade de apagar imediatamente um tipo do Facebook. Se tiverem outras, deixem nos comentários para adicionar à lista.

Para quem gosta destes temas, já escrevi no Observador sobre os turn-off tecnológicos que cometemos na era das relações virtuais e o que as fotografias que colocamos nas redes sociais dizem de nós. A minha mensagem de hoje é simplesmente para pensarem melhor na vossa personalidade virtual - esta habilidade de partilharmos tudo instantaneamente faz com que os inícios das relações se tornem frágeis - conhecemos demasiado da outra pessoa de forma impessoal e rápida e também decidimos demasiado rápido que ela não é para nós. Exactamente o que aconteceu com este tipo - com muita pena minha, porque até era engraçado.

E isto levanta uma questão: onde estão os homens que não têm redes sociais? Digam-me que vou já lá marcar presença. Estarei de rosa branca ao peito, uma chávena de café à frente e um livro na mão.

6 comentários

  1. Muito verdade o que dizes. Mas.... Quando estamos verdadeiramente apaixonadas o perfil facebookiano torna-se indiferente.... Tenho que dizer que acho que não estavas apaixonada pelo tipo :) Beijinhos e adoro a tua escrita, continua o bom trabalho!!

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  2. Confesso que já não lia algo tão verdadeiro e que parecia tão meu! Parabéns. Infelizmente, e por experiência própria que tenho amigos assim, por muito que tente falar com eles sobre isto eles não entendem. A vida é cada vez mais exposta e descrita nas redes sociais, as pessoas deixaram de perceber o que é o partilhar do dar... enfim. Espero que não se importe, mas vou ter de partilhar este magnifico texto, pode ser que entre na cabeça de alguém... :)

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  3. TÃO isto. Mas, e apesar de não dizeres o contrário, tenho que confessar que acho exactamente o mesmo sobre as mulheres... :/

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  4. Ahahah adorei porque penso exactamente o mesmo. Quando encontrares os homens que não tem redes sociais partilha... Também quero um desses :P

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  5. Achei muito graça ao texto pela forma divertida com que está escrito. No entanto, a questão não são as redes sociais e o que nelas se partilha. Eu, no teu caso até agradeceria o facto de ele me ter adicionado. Te-lo-ía conhecido melhor mais cedo e evitado perder o meu tempo. O problema não é tirar selfies com amigos no Lux, a beber shots de t-shirt de decote em "V" e partilhá-la no Facebook. O problema é ele usar t-shirts de decote em "V", é ele beber shots como um puto, é ir "à caça" ao Lux e ainda por cima gostar de mostrar ao mundo esse role de "virtudes". A sério, o mal não são as redes sociais, essas existem e vão ganhar cada vez mais terreno, não estivéssemos todas aqui a ler e escrever sobre este assunto.... beijinhos

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