Porto às cores

7 de junho de 2016 Porto, Portugal

Adoro viajar. Mas adoro mais ainda voltar a casa. Quando começo a sentir os cheiros do que é meu, a ver os edifícios que conheço de olhos fechados, a paisagem que me é familiar... nada consegue igualar este sentimento de voltarmos onde nos sentimos em casa. É basicamente isso que sinto sempre que chego de qualquer lado e volto a entrar no meu carro.

Mas o bom das viagens são as memórias que delas ficam: não os museus que vemos, as praias a que vamos, as compras que fazemos, mas a forma como nos sentimos em cada sítio. Estive no Porto nos últimos dias a trabalhar e mais do que palmilhar a Ribeira como se lá tivesse morado desde sempre, são as situações caricatas que acabam por acontecer que valem a pena. Ontem à noite, estive quase para ser assaltada por um tipo de casaco brilhante que ia a descer a rua e depois parou - a pensar se me havia de assaltar ou não - e caros ladrões, nestas coisas não se pode hesitar. Tem de se agir logo. Nos 5 segundos que ele parou a olhar para mim a hesitar, já eu estava a tocar à campainha do hostel que nem louca e de lá já vinha a correr o senhor para me abrir a porta.

Quando contei à minha mãe, ela questionou: tiveste medo? E não, na verdade não tive medo. Não tinha nada de valor que o tipo de casaco brilhante me pudesse ter levado sem dó nem piedade. Só se fosse o iPhone - que está mais para lá de avariado do que bom. Mas tive, acima de tudo, raiva por um idiota de cabelo seboso e um casaco feio ver uma rapariga sozinha e torná-la imediatamente um alvo fácil.

Fora isso, fiquei alojada num hostel onde, à noite, ficava um senhor a tomar conta. Numa das noites, em que já cheguei fora de horas, entrei e fui à cozinha. Pelo caminho, ficava um sofá com uma TV que estava ligada num canal pornográfico. Yey!! Quando voltei da cozinha, o senhor tinha estrategicamente mudado para a sic notícias enquanto me desejava boa noite de braços atrás das costas e um sorriso no rosto. Tive de me controlar para conseguir fazer uma cara de quem não tinha visto, há cinco minutos atrás, o canal porno ligado.

É isto que torna todas as viagens especiais: as histórias que delas ficam. Provavelmente, sempre que voltar ao Porto, nunca mais me vou esquecer do senhor do canal pornográfico - mais pelo hilariante da situação que outra coisa. 



























3 comentários

  1. Ahhhhh tão típico! Adoro o meu Porto, mas há que reconhecer que por cada rapariga sozinha há um manfio à espera para a assaltar. Oh well. Anyway, o senhor estava na vidinha dele, coitado ahah!

    Jiji

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  2. E o Porto ficou tão lindo pelos teus olhos :) Bom post.

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  3. Que ótimas histórias Helena, eu também sou dessas, o que me diz meu coração, é o que pra sempre vou lembrar. Ah! As fotos estão lindas!

    Beijinho!

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