Romances e expectativas das relações

10 de maio de 2016





Depois de ter escrito aquele post sobre a Trilogia da Herança, perguntaram-me porque criticava tanto os romances que seguem o registo 'mulher conhece homem, homem salva mulher'. Porque, não querendo soar demasiado óbvia, é isto que continua a perpetuar as expectativas erradas que todos temos sobre as relações e a condenar-nos à insatisfação eterna.

Já ouvi tantas histórias, já li tantos emails, comentários, mensagens vossas, leitores, que partilham comigo as vossas experiências e consegui notar sempre, sempre pequenos lapsos vindos destas expectativas que inconscientemente são incutidas em nós. Não em nós, mulheres. Mas em nós, seres humanos.


O mês passado, escrevi no Observador, mesmo algo sobre isto: a cultura popular vai condenar-nos à infelicidade. A ideia de um príncipe encantado que nos salva de todos os nossos problemas é, basicamente, a fórmula mágica de toda a cultura popular - filmes, novelas, séries, livros... está em todo o lado, mesmo que disfarçada por personagens fortes, enredos polémicos e ambientes fantasiosos. 

É por isso que gosto particularmente de livros que foquem outras dinâmicas, que procurem passar outras mensagens para lá do amor à lá Romeu e Julieta e que nos ajudem a interpretar o amor e as relações de uma forma mais real. 

Mesmo para os homens, e foi o que eu escrevi no Observador, isto cria pressões e estereótipos que nem sempre correspondem à realidade. Um homem pode gostar de jogar computador ao invés de lutar com dragões e isso não faz dele pior partido. Isto é uma brincadeira, claro, mas a ideia de que um homem nos vai salvar de todos os nossos problemas é uma fantasia. 

E agora, jogando aqui no meu campeonato, também é isto que cria o grande problema de pares que vivemos actualmente. Os homens continuam a crescer com o ideal de donzela frágil que precisa deles. As próprias mulheres, mães, criam esta ideia no homem. Então, eles vão à procura dessa donzela. Mulheres independentes, inteligentes e com carreiras de sucesso acabam por os assustar.

Daí que eu tenha escrito no Observador: estaremos a tornar-nos numa geração "inamorável"? Porque nunca antes este choque de expectativas VS realidade esteve tão presente.

O que é que podemos fazer? Mudar as mentalidades. E por agora? Ler livros que sejam mais do que meros romances clichés. Deixo algumas sugestões que, sem dúvida, vão trazer alguma diferença à vossa forma de encarar o amor :)

E porque me estão sempre a perguntar onde é que eu arranjo descontos, é simples: procuro-os. A Fnac, durante o dia de hoje, terça-feira dia, 10 de Maio, vai estar com 20% de desconto em todos os livros, até novidades (!!!), nas compras online. 

3 comentários

  1. Adoro a forma como escreves, mulher. Como escreves e o que escreves! Não fosse a minha contenção financeira e estava já a comprar uns livrinhos novos :p

    Jiji

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  2. Dizes que "os homens continuam a crescer com o ideal de donzela frágil que precisa deles. As próprias mulheres, mães, criam esta ideia no homem". Concordo em absoluto e vou ainda mais longe: como mãe, esse é um dos maiores medos que tenho - o de, mesmo inconscientemente, criar na minha filha a ideia de que ela, como mulher, precisa desse homem salvador. É um bocadinho como quando dizemos a uma menina com sete ou oito anos que o "namoradinho" da escola a despreza ou lhe bate porque gosta dela. Talvez sem intenção, perpetuamos ainda assim nas crianças a noção de que o amor permite maus tratos e a ausência de gentileza. É uma luta constante, um policiamento quase diário, para mudar mentalidades, para contrariar os ideais que a sociedade nos impôs e aos quais, durante anos, demos continuidade sem questionar. No meu caso, essa é uma batalha que começa em casa. A minha bebé é ainda muito pequenina, mas acredito que seja a educar-me desde já que a educarei melhor a ela.
    Esta mensagem de "empowerment" das mulheres é algo que te vejo muitas vezes a tentar passar, o que faz com que sejas , de longe, uma das bloggers que mais gosto de ler. Tens uma opinião diferenciada, um estilo diferente, abordas temáticas pouco comuns na "blogosfera" portuguesa e produzes conteúdo interessante para a "alma" e para o corpo. Falas de moda, de beleza, de livros, de comida e de feminismo com a mesma propriedade, a mesma fluidez. És uma inspiração para mim - disse-to no outro dia no instagram, reforço-o agora.

    Beijo grande.

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  3. Parabéns Helena, pelos teus textos e pela tua abertura em falar de temas de um modo pouco "convencional".
    Concordo com o teu prisma, mas considero-me uma outsider, pois tenho uma relação +/- longa e saudável , mas somos ambos muito independentes e muito apaixonados um pelo outro. No entanto várias vezes levo com olhares desaprovadores de outras mulheres (muitas delas que considero/considerava amigas) a dizer que "não é normal" a nossa relação. Não é normal por X, Y, Z há sempre inumeras razões a referir para não sermos o dito casal normal. Mulher que não vive "em função" do namorado é "desprezada" e incompreendida pelas restantes. As mulheres unem-se para falar mal dos namorados e depois quando vão ter com eles são vestem a capa de namoradas perfeitas e está tudo bem (bullshit, está tudo mal se eles simplesmente não lhes fizeram UMA vontade por exemplo.
    E outras das coisas que mais me enerva numa mulher é ela anular-se complemante quando está numa relação, deixar de estar com as amigas e só estar com os amigos e com o namorado (normalmente com o grupo de amigos deles). As mulheres so saem umas com as outras quando estão:
    1- Solteiras
    2- Chateadas com o namorado
    Peço desculpa pelas inumeras generalizações, eu sei que estou a ser um pouco "injusta" ao fazê-las, mas é a realidade que assisto.
    Maria

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