Lavar as vistas

12 de março de 2016


Uma das coisas mais interessantes da literatura é que é uma marca que fica. Se não para sempre, pelo menos durante uma vida. E essa é uma das coisas que mais me fascinou na escrita à medida que fui crescendo.


Desde que me lembro de mim, sempre fui uma pessoa literata. Escrevia textos como trabalhos complementares. E tenho pastas e pastas e cadernos de coisas que escrevia. Ler e escrever sempre serviram como refúgios ou, em última análise, como uma extensão de tudo aquilo que sentia. E uma das coisas que sempre me assustou foi pensar que poderia passar por aqui sem deixar nenhuma marca. Acho que foi isso que, desde cedo, me fez apaixonar por esta arte de criar com as palavras. Porque nunca vi em mim mais nenhum talento que se pudesse destacar. E imaginar que algo que eu escrevesse pudesse entrar na vida de outras pessoas, sempre me deu algum conforto de que não estava aqui em vão.

É isso que gosto nos livros. Adoro ir a livrarias comprar coisas completamente ao acaso, antigas e de que nunca ouvi falar. Gosto de sentir que estou a contribuir, de alguma forma, para a perpetuação de alguém. E, monetariamente falando, gosto de ir às secções de descontos porque acabo sempre por encontrar alguma coisa interessante e que alguém achou que estava ali a ocupar espaço e decidiu colocar em promoção. O Continente faz imensas promoções de livros ao fim-de-semana (pelo menos, é ao fim-de-semana que as vejo) e compro imensa coisa nessas alturas. Na semana passada, comprei estes quatro a 6€ cada um. Comecei pelas Vidas Privadas de Pippa Lee, que é o que estou a ler neste momento. Já me disseram que o União é um fiasco, mas não é por isso que vou deixar de o ler. Gosto de me surpreender e em cada livro retiro sempre qualquer coisa.

Muitas vezes sinto que, para conseguir escrever, preciso de me inspirar pela escrita de outras pessoas. Pelo estilo, pela forma de criação, de construção de personagens, pelos sentimentos que o autor transforma em palavras. Tenho imensos bloqueios, estou a escrever um romance há um ano e há dias em que sinto que nunca o vou conseguir terminar. É nessas alturas que, normalmente, consumo imenso livros. Sei que ainda sou uma pessoa bastante verde nesta arte. Estou habituada a crónicas e a pequenas histórias. A personagens que são muito planas e cujo desenrolar da sua vida se faz em meia dúzia de páginas. E este é um desafio real e que assumi que 2016 seria o ano para o fazer ganhar vida.

Lavar as vistas faz, por isso, todo o sentido. E porque, no Observador, elegemos no segmento de lifestyle o Fresh de Moschino como o perfume do ano, é mais do que plausível que ele me sirva como aroma de inspiração.

1 comentário

  1. E quando esse romance acabar, eu vou querer lê-lo. Boa sorte Helena :-)

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