O AMOR É OUTRA COISA #35 Um homem larga a namorada para ficar connosco? Não!

15 de fevereiro de 2016


Não fiquem com um homem que tenha um armário cheio de esqueletos fechado a sete chaves. Porque mais cedo ou mais tarde, eles ganham vida.

Esta era uma lição que eu gostava de ter aprendido há muito tempo. Ter-me-ia evitado anos de desilusões. Helen Fisher, antropóloga, diz que o amor romântico é um vício - um vício fantástico quando as coisas estão a ir bem e um vício destruidor quando tudo acaba mal. E o problema de todos os vícios é que, muitas vezes, tornam-se irracionais. 

Eu não estava propriamente em mim quando achei que um idiota que traía a namorada comigo ia um dia perceber que eu era o amor da sua vida e largar tudo por mim. Apesar de não falarmos há mais de dois anos, acreditei, até há pouco tempo, que tinha sido uma bonita história de amor - intensa, estúpida e irracional como todas o são. Nunca lhe guardei rancor. Apenas achava que ele era atrasado mental. Mas sem rancor. Isto até ele ter tentado engatar uma mulher no Urban Beach uma noite destas. E trair novamente a meeeeeesma namorada. Isto meteu-me a pensar que, eventualmente, ele não a traía só comigo. E todas as promessas idiotas que me fez a mim, quem me diz que não as fez a outras tantas? A mulher que ele estava a tentar engatar era uma amiga minha. Quão fantástico é viver num país minúsculo? E esta conversa valeu-me umas boas gargalhadas uns dias mais tarde. Mas não deixei de sentir pena. Mais do que pena de mim - por ter acreditado nele - tive pena da namorada - por continuar a acreditar.

Estes esqueletos vão sempre viver no armário. Um idiota nunca, nunca, nunca larga a namorada para ficar connosco. NUNCA! Foi exactamente isto que disse a uma amiga ontem à tarde quando, meio em lágrimas, me disse que tinha passado os últimos meses na cama de um tipo que está para casar. Porquê? - questionei. Não sei - respondeu-me - gosto dele.

E porque nós, mulheres, viramo-nos sempre umas contra as outras, deixem-me que vos diga uma coisa. A última pessoa a ter a culpa é a outra. Muitas vezes somos levadas por uma paixão irracional. Deixamos de pensar direito. Não vemos as coisas como elas são. E acreditamos nas juras piedosas que nos fazem. Foi preciso passar por isso para perceber que a culpa é sempre, sempre deles. Porque enganam duas pessoas. E porque são responsáveis por alimentar uma paixão que não pretendem corresponder.

Uma das coisas que aprendi é muito simples: eles não são o melhor que vão conhecer na vida. Parece - porque estão a viver há demasiado tempo nessa bolha de actimel. Mas não são. Então, porque aceitam estar com um homem que vive uma vida com outra pessoa e vos guarda apenas horas fugazes do seu dia? 

Não há uma relação directa entre um homem e a solidão. Ou ele ou a solidão. NÃO! Por isso, parem de aceitar um tipo que não está a 100% na vossa vida e que tem um armário cheio de esqueletos. Parem de lhe dar desculpas. Parem de aprovar a sua inconsistência. Parem de se convencerem que ele gosta de vocês. Até pode gostar, mas não gosta o suficiente para mudar a vida dele por esse amor. Parem de dizer que são importantes na vida dele. Ele é que devia estar a dizer isso. Todos os dias e a todas as horas. E parem de confiar que ele vai mudar.

Porque ele nunca vai mudar. Nunca.

15 comentários

  1. Fujo a sete pés de homens assim. Até posso vir a ser enganada e estar com um homem comprometido sem eu o saber (com tantos idiotas desses por aí, pode acontecer a qualquer uma), mas estar conscientemente nessa situação é-me inconcebível. O meu interesse por um homem deriva muito do tipo de pessoa que é e do respeito que me mostra -não gosto só por ser giro ou ter paleio-, por isso ter namorada, ser um engatatão ou até mesmo continuar apaixonado por uma ex (entre muiiiitas outras coisas) fazem-me perder qualquer interesse automaticamente. E sim, não temos que estar sempre com um homem - prefiro passar três anos sozinha (e já passei) a contentar-me com alguém que não está investido a 100%, como dizes.

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    1. Tens toda a razão Nádia. E hoje em dia, eu penso o mesmo. Não me consigo rever na pessoa que eu fui e a aceitar tais comportamentos. Mas, como em tudo na vida, tudo nos traz uma mensagem, uma oportunidade de mudança :) Também prefiro estar sozinha (e estou, há 2 dois anos), do que me contentar com pessoas que não são tudo aquilo que procuro e que não tencionam investir 100% de corpo e alma :)

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  2. "E porque nós, mulheres, viramo-nos sempre umas contra as outras, deixem-me que vos diga uma coisa. A última pessoa a ter a culpa é a outra." Mas às vezes elas provocam sabendo que eles têm namorada... não sempre tão literal assim.

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    1. Claro, nunca é tão literal assim. Mas mesmo que uma mulher provoque, um homem só cede se quiser...

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  3. Eles não vão ser o melhor que vão conhecer na vida.

    TRUE!!!

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  4. Falas como se as mulheres fossem umas vítimas. Se estão com um homem casado ou comprometido a culpa também é delas que participaram nessa mentira e merecem sofrer.

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    1. "merecem sofrer"? Que comentário mais estúpido... O amor é, na maioria das vezes, irracional. E são os homens que alimentam isso na cabeça das mulheres, com mil juras de amor e expectativas que nunca vão se realizar.

      E, por favor, ninguém merece sofrer por amor. Ninguém.

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    2. Sempre que leio algo assim, lembro disto:

      "Nunca diga te amo se não te interessa.
      Nunca fale sobre sentimentos se estes não existem.

      Nunca toque numa vida se não pretende romper um coração.
      Nunca olhe nos olhos de alguém se não quiser vê-lo se derramar em lágrimas por causa de ti.

      A coisa mais cruel que alguém pode fazer é permitir que alguém se apaixone por você quando você não pretende fazer o mesmo."

      Mário Quintana

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    3. Ninguém merece sofrer, como disse a Dani. Até porque para dançar o tango são precisos dois. Os homens são muito hábeis a manipular sentimentos (e as mulheres também, não digo que não) mas o poema de Mário Quintana explica tudo. Não devemos alimentar paixões que não pretendemos corresponder.

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  5. aiiiii Lena perco-me nas tuas palavras

    ps. temos de combinar um café pá

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  6. Ah bem pouco tempo o meu namorado ia trair-me (se não ia, pensou nisso) com uma rapariga que lhe mandou fotos de roupa interior, que por sua vez também tem namorado, inclusive quando descobri o que estava para acontecer a rapariga, queria falar comigo por força para me "convencer" a não contar ao namorado dela. Isto não é de vitima coisa nenhuma. E ela demonstrou-se bastante "apaixonada" pelo meu namorado na altura. São todos iguais, homem ou mulher, há bons e maus, vilões e vitimas.

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    1. Claro, falamos, em grande parte, de comportamentos humanos. Eu acabo por me focar mais nos homens porque escrevo para mulheres. Mas todos nós, humanos, deixamos muito a desejar muitas vezes...

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  7. Ok, comentário que nada tem a ver com o post acima, mas "a girl has to speak her mind" e, à falta de local mais apropriado, vai aqui mesmo: és uma gaja porreira, pá!
    E porque é que senti necessidade de vir aqui dizê-lo? Não sei, mas talvez para me redimir. Não perante ti, que não me conheces de lado nenhum nem hás-de conhecer, mas perante mim própria.
    "Conheci-te" via Snpachat. Já seguia o blogue da Marta Miranda há algum tempo e, quando soube que tinha conta naquela rede social, decidi segui-la por ali também. E foi ao visualizar as histórias publicadas que te vi por ali. E como gaja que sou, o meu primeiro pensamento foi: "mas quem é esta pessoa?"; seguido de muitos "mas será que esta miúda tem alguma coisa na cabeça?" e "que coisinha irritante!".
    Fiz o que há muito prometi a mim mesma não voltar a fazer: julgar alguém só por aquilo que vejo, quer com os-meus-próprios-olhos-que-a-terra-há-de-comer, quer nas redes sociais.
    E é daqui que vem a necessidade de me redimir.
    Só várias semanas depois é que me dei ao trabalho de entrar no teu blogue. E com isto não quero dizer que passei a conhecer-te ou a saber quem és e de onde vens. Mas a verdade é que, com o que por aqui vem escrito, é possível ir descascando um pouco a tua história. É possível perceber que és uma miúda porreira, com vida, com histórias para contar, com trapalhadas nas quais me revejo, com interesses que também partilho. Mas acima de tudo, e é isto que merece ser dito, és uma pessoa com (muito) talento.
    Certamente que ajudam as experiências vividas e a sabedoria que, com mais ou menos idade, já vais tendo; mas a verdade é que nem toda a gente, por mais que tenha para partilhar, consegue esgravatar o papel com a graça e fluidez com que o fazes.
    Por isso, e em jeito de chibatada em mim própria, redimo-me e dou-te os meus sinceros parabéns, garantindo que ganhaste uma seguidora.
    P.S. Textos da saga "o amor é outra coisa" merecem ser compilados e publicados. Honestly, ia ajudar muita malta que por aí anda que, infelizmente, não conhece este cantinho na blogosfera.

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    1. Olá Catarina. Bem, este teu comentário deixou-me de lágrimas nos olhos e até partilhei um excerto dele no meu Facebook pessoal. Muito obrigada mesmo, fez o meu dia :) E é engraçado (agora que eu e a Marta deixámos o snapchat) como tínhamos razão em achar que não estávamos a passar a melhor imagem por lá - e tu corroboraste isso :) Obrigada pelas tuas palavras, saber que, de alguma forma, toco a vida das pessoas é realmente a melhor sensação e que me motiva para continuar a escrever :)

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