O AMOR É OUTRA COISA #29 Ibiza, DST's e um divórcio (in)feliz

4 de janeiro de 2016









Fotografia tirada por Sara Cabido | Little Tiny Pieces of Me.

Esta é uma história tristemente inspiradora para o início de 2016.

Há uns anos, talvez uns quatro ou cinco, conheci um tipo numa festa. Ele era, de facto, bonito. E o termo bonito é estúpido para se aplicar aos homens mas passei o tempo todo a olhar para ele. Não com um olhar de psicopata, atenção, mas com um olhar de quem quer checar o que é que ele anda a fazer. Ok, talvez um bocadinho psicopata.

Algumas horas depois, ele abordou-me e - obviamente - adicionou-me no Facebook e começámos a falar nos dias seguintes. Cliché e nada de novo.

Uma noite, fomos jantar. Txararammmmm! E a meio do jantar, uma rapariga ligou-lhe. E, por mais rápido que um homem tente ser, uma mulher é sempre muito mais. Em meio segundo, e antes dele conseguir virar o telefone para baixo, já tinha visto o nome e a fotografia dela no ecrã. "É a minha prima", disse ele. Nem mentir sabia. Este era como o idiota da kizomba que disse que os corações no whatsapp eram da tia.

Na altura, já trabalhava numa revista feminina e escrevia muito sobre sexo. E não sei se foi inspirado por isso - ou por achar que eu era altamente mente aberta ou que estávamos num episódio do Californication - começou a contar-me como tinham sido as suas férias em Ibiza que incluíram sexo, milhares de euros gastos por noite, drogas e álcool. Ele já me tinha perdido com a parte da prima mas continuei placidamente a ouvir a história. O telefone voltou a tocar. Desta vez, ele pediu desculpa e afastou-se para falar. Eu tirei uma nota da carteira, coloquei-a em cima da mesa e fui-me embora.

Helena - 1; Idiota - 0.

Cinco minutos depois, estava a telefonar-me com mil histórias, que estava numa situação complicada, que era a namorada dele mas que a relação já estava no fim, que já não estavam bem, mas que ele ainda não tinha conseguido resolver as coisas, blá, blá, blá. A única coisa que eu lhe respondi foi se, com tanto sexo em Ibiza, ele tinha pelo menos feito um teste a todas as DST's que existem, por respeito à namorada com "quem ainda não tinha conseguido acabar".

Helena - 2; Idiota - 0.

Nunca mais voltei a pensar neste tipo mas, não sei quanto tempo depois, ele publicou, no Facebook, o seu convite de casamento. E, naquele momento, tive uma pequena taquicardia. Como é que um idiota destes conseguia enganar uma mulher durante taaaaaaaaanto tempo?

Parabéns pelo casamento! Espero que a lua-de-mel seja em Ibiza, de certeza que a tua namorada vai adorar - disse-lhe, numa mensagem no Facebook.

Casaram - porque vi as fotos. Não foram de lua-de-mel para Ibiza - também já não me lembro para onde foram. E nos últimos anos fui vendo, esporadicamente, algumas fotografias deles aqui e ali.

E porque é que vos estou a contar isto agora? Porque tínhamos amigos em comum. E, várias vezes, apeteceu-me abrir a boca. Mas a minha consciência dizia-me sempre para não o fazer porque não devia meter-me em assuntos alheios.

Este fim-de-semana, fui jantar com um amigo que me contou que - finalmente - eles se vão separar. Porquê? Porquê? Porquê?

Porque ela descobriu algumas das suas traições - algumas, atenção. Porque quando uma mulher descobre uma coisa, descobre logo quatro ou cinco.

Embora este início de ano esteja a ser para ela, de certeza, um inferno, foi o melhor que lhe podia ter acontecido. Porque a paixão tolda-nos a capacidade de ver para lá dos filtros cor-de-rosa que se prendem à frente dos nossos olhos. Perdemos a coerência e deixamos de ver a realidade. Este idiota transpira cabrão em tudo o que diz e faz. E, para quem está de fora, é sempre muito fácil constatar coisas que, para quem as vive, estão a léguas de se tornarem reais.

Ao longo dos últimos anos, lembrei-me deste idiota várias vezes. Porque aqueles homens tremendamente bonitos que, à primeira vista, todas as mulheres os querem são, na grande maioria das vezes, descartáveis. Porque quem nunca tem de lutar por amor, também não o sabe manter, respeitar e retribuir.

Esta é a mensagem de hoje - não se deixem deslumbrar por aparências.

O que fariam? Ter-se-iam metido no assunto? E se alguém de fora vos abordasse para vos contar coisas sobre o vosso marido que vocês nem imaginavam? Como reagiriam?


12 comentários

  1. Que terror! Por acaso tenho o dom de, mesmo perdidamente apaixonada, estar sempre atenta aos sinais. Não sou paranóica, mas sou sempre decidida a não deixar que me façam de parva. Geralmente ponho logo de lado os que têm ar de D.Juan... prefiro os mais Geeky, apesar de às vezes as aparências nos trocarem as voltas. Quanto à questão que colocas... eu acho que teria contado à outra pessoa, porque certamente não merecia viver enganada. É muito triste que alguém (o parceiro), tendo o bem-estar e a felicidade de outra pessoa nas suas mãos, escolha conscientemente (porque a traição é sempre uma escolha consciente) destruir essa pessoa.

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  2. Eu acho que teria contado porque se tivesse sido ao contrário, eu gostava que me dissesse. Ninguém quer viver no engano...

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  3. "Porque quem nunca tem de lutar por amor, também não o sabe manter, respeitar e retribuir."

    Esta frase deveria tornar-se um mantra!!! Helena - tu tens um dom, tens de escrever livros, em jornais, os teus textos não podem ficar só neste blog <3

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  4. Vou ser sincera, sim já disse a uma amiga que estava com eles na testa e ela o que me respondeu foi o seguinte: Só sei que ao fim d tarde ele volta para mim.
    Nunca mais voltei a abrir a boca. Sempre ouvi dizer quem te avisa teu amigo é, mas neste caso ainda ouvi o raspanete "és solteira tens é ciúmes"

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  5. Eu acho que preferia saber, mas também nunca tive nessa posição. De certeza que, neste momento, ela está a passar por esse inferno mas vai ficar melhor e daqui a uns anos vai olhar para trás e pensar que foi a melhor decisão. Traidor uma vez, traidor sempre.

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  6. Eu já fui a má, aquela que vai a correr contar a amiga que viu o namorado dela com outra e acredita, não vale a pena...Nem a ver elas vão crer...

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  7. Conheço uma história semelhante de um tipo que ao longo dos vários anos de namoro com a namorada (agora mulher) se fartou de lhe enfeitar a testa... Eu acho que as mulheres, até certo ponto, sabem que alguma coisa não está bem, mas escolhem ignorar... Um dia vão abrir os olhos, mas não é por lhes dizermos, é porque se cansaram, mesmo inconscientemente, de serem feitas de 'parvas'. Mais um grande texto Helena! Adoro esta tua rubrica e acho que devias pensar seriamente em escrever um livro ou, se gostares mais, uma série de short stories :) Beijinhoooos e bom 2016!*

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  8. É complicado, assim visto "de fora" digo que contava e gostava que me contassem, mas estando na situação não sei se seria bem assim...é sempre muito complicado..

    misscokette.blogspot.pt

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  9. Acho que, até ponto, não conseguiria ficar calada. Mas é sempre um papel ingrato e às vezes nem surte efeitos.

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  10. A questão aqui é que ele é cobarde e isso minha querida, não tem nada que ver com a beleza!!!!! Não faltam pessoas feias Tb a trair, não acha????

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  11. Há cerca de um ano, eu e um antigo amigo voltámos a falar depois de algum tempo "separados" - não por ter acontecido alguma coisa que nos tivesse feito zangar, mas porque, com a vida, nos fomos afastando. Acontece que quando eu e esse amigo nos dávamos mais, há uns 6/7 anos, ele interessou-se por mim e eu por ele. Mas éramos jovens e parvos (eu mais do que ele - ou não... Tendo em conta o desenvolvimento, se calhar eu era super inteligente) e nunca o admitimos. Até há um ano, em que ele confessou que sim senhor, esteve interessado em mim (grande novidade). Quando eu lhe disse que tinha percebido e que, NESSA ALTURA, também achei que estivesse interessada nele (grande novidade), começou o enorme e quase descarado "bate couro". Pormenor: o rapaz tem namorada de quem, supostamente, gosta muito, mas com quem terá um problema mais... sexual (não sei qual será). Para completar o quadro, ele ainda queria, antes de assentar definitivamente, atingir um número de mulheres com quem vai para a cama (tão ridículo). Quando ele percebeu que daqui não levava nada e depois de lhe ter dito para esquecer o número (que isso era só parvo), ele não deixou de falar e "desamigou-me" do Facebook. Mas não do Instagram, onde consigo ver as fotos dele "inlove" com a namorada. Perguntei-me, algumas vezes, se deveria falar sobre o assunto com alguém - temos amigos em comum, tenho amigos que já foram amigos dele mas que se chatearam e, sobretudo, tenho amigos que são amigos da namorada. Se eu estivesse na situação dela, eu gostaria de saber que o meu namorado é um cabrão que está só à espera da melhor oportunidade para ir para a cama com uma miúda para atingir o número mágico; no entanto, quem sou eu para lhe dizer isso? Ela não iria, provavelmente, acreditar em mim. E eu percebo porque, afinal, não me conhece (as 3 vezes que falámos não contam). Não é comigo que ela partilha a vida, não é comigo que ela vai viajar, não é comigo que ela se diverte, não é em mim que ela confia. É com ele e é nele. Se acho bem? Não. Mas é assim.

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