O que é um corpo perfeito?

17 de dezembro de 2015



Ontem demos uma palestra 'Vive a Tua Beleza' na Universidade de Letras e perguntámos às mulheres na audiência o que sentiam relativamente ao seu corpo e à pressão da sociedade. E a verdade é que uma das palavras mais usada foi: objectificada. O nosso corpo é objectificado pelos homens e, principalmente, pelas outras mulheres.

E esta pressão é alimentada por tudo o que nos rodeia. À noite fui jantar com um grupo de cinco homens e, a dada altura, a conversa recaiu no perfil de mulher - para eles - bonita. Um deles, pegou no telemóvel, abriu o Instagram e mostrou-me uma fotografia de uma rapariga cujo feed era dezenas e dezenas e dezenas de fotografias dela de todos os ângulos possíveis - todas elas focando o peito e o rabo. Chegámos a um ponto em que nós, mulheres, que deveríamos ser sensuais apenas para a pessoa com quem estamos, somos sensuais para todas as nossas redes sociais. Usamos o nosso corpo para alimentar likes e nós próprias criamos mais pressão em nós e nas mulheres que nos rodeiam.

Eu estava ali, sentada à mesa com cinco homens, a falarem de mulheres cujo perfil não tinha rigorosamente nada a ver comigo. Nenhum deles sequer parou para pensar que isso me poderia deixar desconfortável - que não deixou, mas poderia. Falavam de mulheres loiras, de pele morena, peito XXL e perfil de surfista à minha frente - pálida, magra e cujos melhores atributos acho que estão dentro da cabeça e não numa fotografia com filtros.

Esta pressão está em todo o lado. Vislumbramo-nos ao espelho a medo e continuamos a não ser aquilo que vemos no Instagram, nas revistas, na televisão e nas palavras dos homens que nos rodeiam. Eu respondi-lhes que quanto mais uma mulher mostra, menos sensual ela é. Porque depois de despidas todas as camadas, o que é que vai la estar? Eles já viram tudo - em fotografias.

Se eu gostava de ter mais curvas? Gostava. Se gostava de ser morena? Gostava. Se gostava de ter um rabo maior? Gostava. Uns lábios maiores? Gostava. Mas não tenho. E agora? Vou massacrar-me com isso? Claro que não. 

Uma rapariga, na palestra, disse que se olhava ao espelho e via que não era uma Deusa do Olimpo. Pois não, não é. Mas aquelas que vemos no Instagram, cheias de filtros, poses e ângulos altamente estudados para uma fotografia, também não o são. Elas representam um ideal que, no final do dia, não existe. Porque debaixo de tudo aquilo tem de haver muito mais. Um corpo pode atrair, mas não é um corpo que vai fazer outra pessoa apaixonar-se por nós.

Não podem deixar que todas estas pressões que vêm de todo o lado vos afectem ao ponto de não conseguirem amar o vosso corpo. Porque debaixo de todas as camadas, existe uma mulher fascinante que pode não ser morena, loira, ter olhos verdes, lábios grandes e um corpo cheio de filtros do Instagram, mas que, mesmo assim, é singular, deslumbrante e perfeita.

8 comentários

  1. Thank you! E não importa o quanto uma mulher se mostra ou não - na realidade, por norma quem só se importa com o exterior, não tem um grande interior ele próprio :) anyway, é importante sabermos que, com todas as nossas "falhas" que fazem de nós quem somos, o importante é sermos a melhor versão de nós mesmas. Seja com camisolas de gola alta ou com as mamas a saltar fora do decote. E a sociedade não tem absolutamente nada com isso :)

    Jiji

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  2. Clap, clap, clap! Que texto tão bom Helena. É tão importante que nós mulheres, e os homens, tenham essa percepção: idolatrar corpos não reais faz mal a todos nós. E tu podes não ser loira, morena, etc, etc, como eles disseram, mas és, sem dúvida, uma mulher fascinante a todos os níveis :-)

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  3. Eu respondi-lhes que quanto mais uma mulher mostra, menos sensual ela é. Porque depois de despidas todas as camadas, o que é que vai la estar? Eles já viram tudo - em fotografias.

    Sem tirar nem por. E homens que gostam dessas mulheres também não têm nada debaixo das suas camadas.

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  4. E olha para ti sensual sem mostrar rigorosamente nada. Muitas mulheres deviam aprender ;)

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  5. Obrigada por este texto Helena, precisava mesmo de ler isto hoje.

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  6. Isso sem tirar nem por. Importa gostar do que somos, saber dos nossos pontos fortes e reforçar a auto-estima. O ser, no fim do dia é sempre o mais importante.

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  7. Acho que passei a maior parte do meu tempo a deixar ir a abaixo por ver aquele tipo de fotografia no Instagram de raparigas que parecem perfeitas.
    Depois de raciocinar um pouco sobre isso deixei de seguir todos os perfis que faziam sentir menos mulher.
    Eu olho para algumas dessas mulheres e penso se será que elas tem tempo para desenvolver ideiais, uma boa personalidade e boas qualidades para além de saber tirar fotos de todos ângulos possíveis.
    Sério estou a ler o teu blog e é tão bom.
    Falas das coisas tão acertadamente.
    Beijinhos!

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