O amor é outra coisa #5 365 dias sozinha Um ano inteiro sem amor, sem sexo e em coma emocional

28 de dezembro de 2014


No rescaldo do fim do ano, acho que todos temos tendência para nos sentarmos e analisarmos a nossa vida ou, em última análise, o ano que passou. E, num ano de tantas mudanças, nunca me senti tão sozinha e, ao mesmo tempo, tão rodeada de pessoas. Num mundo com mais de sete biliões de pessoas, onde 3,5 biliões são homens, onde a ONU diz que existem mais 57 milhões de homens do que mulheres, Portugal ainda tem mais mulheres do que homens e, está claro, alguém tem de ficar solteiro. 

Pausa dramática.

Sabem aquele ditado O amor é cego? Ele é verdade, a bom porto nos leva a viver uma vida maravilhosa com pessoas que, aos olhos dos outros, não têm rigorosamente nada de especial. Essa é a magia do amor: encontrarmos em alguém qualidades que só nós mesmos vemos. Mas o amor também é cego porque nos faz imaginar que uma pessoa em 7 biliões é a única que nos vai fazer feliz.

Eu queria, juro que queria, ser como toda a gente que me rodeia. Eu gostava de conhecer o amor à primeira vista, gostava de curar ressacas emocionais com noites em discotecas, gostava de me rir, sacudir os cabelos para trás dos ombros e seguir em frente, gostava de acordar, de manhã, na cama de um tipo qualquer e sentir-me uma personagem cliché do Sexo e a Cidade... Mas enquanto, este ano, muitas das minhas amigas saltaram de relação em relação, eu passei horas, semanas, meses a ouvir Joni Mitchell, Amy Winehouse, Jessie Ware e Corinne Bailey Rae em loop. Enquanto elas me contavam os seus dramas e as suas histórias com tipos cujos nomes eu já esqueci, eu continuei aqui num coma emocional a pensar em alguém com quem, na verdade, nem sequer quero estar nem mora neste país.

O amor é uma coisa lixada. Faz-nos gostar de pessoas que nos trataram mal e viver em função de um sentimento que repudiamos. E embora me tenha obrigado, de quando em vez, a sair com este ou aquele tipo, acabei sempre deitada na cama (e sozinha, claro) a pensar na minha vida. Este foi um ano de perguntas sem respostas. Questionei-me taaaantas (demasiadas, na verdade) vezes como será a vida dele com ela. Será que ela o beija como eu? Será que ela o faz sentir como eu fazia? Será que ela lhe faz tremer o chão? Será que ele sente o mundo dele arrebatado com ela como (dizia que) sentia comigo? E embora toda a gente à minha volta me questione 'o que é que vias nele?' ou 'estás há quanto tempo sozinha?', mais ninguém entende o status emocional do meu corpo.

Eu não queria sentir tudo de forma tão intensa. Na verdade, invejo todas as pessoas que se apegam e desapegam, que se desprendem e deixam de sentir tudo e nada ao mesmo tempo. Porque estes foram 365 dias a amar alguém à distância. 365 dias a imaginar tudo o que poderia viver com alguém que me fez apaixonar por ele para, depois, fugir. 365 dias agarrada a um amor que quero deixar de sentir. 365 dias a pensar em alguém que tem uma vida com outra pessoa. E este é o pior amor que se pode ter.

2015 surge, assim, para mim como um ano para tentar. Simplesmente para tentar sentir mais por outras pessoas e para me despedir deste amor. E porque, segundo os dados do INE dos últimos Censos, existem 600 mil solteiros e 80 mil divorciados em Lisboa, não preciso de nenhum Sheldon Cooper para ter a certeza que as probabilidades são mais que favoráveis.







19 comentários

  1. Minha amiga, se bem que triste, foi dos textos mais bonitos que li. mesmo. talvez porque saiba o que é sentir algumas das coisas que descreves. espero que 2015 te faça mais feliz. obrigada por estares na minha vida. adoro te <3

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    1. Oh :) Eu sei que, a dada altura da vida, já todos passámos por sentimentos semelhantes. É bom pensar que nunca estamos sozinhos :) <3 Sentimentos recíprocos!!

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  2. Adorei ler-te e ler todos estes sentimentos que eu bem sei o que são. Acho que não há ninguém que, em alguma altura da vida, não se tenha sentido sem chão. 2015 vai ser, de certeza, o teu ano!
    Beijinho
    Márcia

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  3. Uau... Helena.... deste-me cá um murraço no estômago. Descobri agora mesmo este post... este blog... este texto que podia ter sido escrito por mim. O coma emocional. Completamente... como te compreendo.... bolas :S

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    1. Estive a espreitar o teu blog e já percebi que também estás num coma emocional :) O sentimento de que se é obrigado a deixar ir, a desprender-se... enfim.. Been there :)

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  4. Oh Helena, completamente fã de tudo o que escreveste. Este texto podia ter sido escrito por mim e, finalmente, percebi que estive num coma emocional durante este ano e que nao sou a unica pessoa a ter dificuldades a esquecer e a seguir em frente, como se nada tivesse acontecido! Obrigada :).

    Desejo-te a mesma sorte que desejo a mim!

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    1. Beeem, obrigada pelos comentários porque finalmente estou a ver que não estou sozinha ehehehe :)

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  5. Bem, amei ler isto... Finalmente um blog que não é mais que futilidades e looks do dia. Parabéns!

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  6. Texto espectacular!
    Mantém-te fiel aos teus princípios. Um pouco cliché mas a verdade é que o tempo é o pior e o melhor "amigo" nessas situações ;)

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    1. Eu estou sempre a dizer isso, mesmo! O Tempo, embora cliché, é o nosso único aliado em todas as coisas na vida :)

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  7. Sou eu, sou eu que te vou ensinar que uma bebedeira (umas quantas) e umas saídas à noite curam muita coisa!! Um dia conto-te a minha história e rimos as duas :D

    Lindo texto! Mas bora mazé jantaarrr :D

    Ly

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    1. Ahahahah jantar marcado para se falar destas parvoíces todas!! Já falei disso com a Mia ontem :D

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  8. Olha se eu fosse solteira ia contigo para as noitadas e mostrava-te como te desprenderes emocionalmente hehehe, estou a brincar. Na verdade é muito difícil, já passei por isso, já jurei que morria de tanta dor de amor e um dia passou e a vida continuou, depois desse grande drama na minha vida, tornei-me mais desprendida emocionalmente e mais forte. Feliz 2015 :)

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    1. Ahahaha :) Oh eu sei que passa, esta não é o meu primeiro coma emocional, daí que, enfim, só aguardo que o tempo faça o seu trabalho nesta cabeça e neste coração :) Obrigada pelas palavras Sofia :)

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  9. Este post deixou-me mesmo a pensar... Também eu ando há demasiado tempo em coma emocional, é exactamente essa a palavra certa. Perder tempo a pensar em alguém que não pensa em nós.
    2015 vai ser o nosso ano!
    Adorei este blog!
    Um beijinho
    Cristina

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  10. Já li e reli este texto mil vezes e mais mil.... e por muito que os comas emocionais passem e voltem nunca deixará de fazer sentido para mim! As pessoas nascem não se fazem... para uns uma semana é tempo demais para comas emocionais (como eu os invejo) mas para outros será sempre assim...

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  11. Não sei exatamente como fui parar nesse texto em especial, mas... nossa! Que lindo!! Me senti em cada linha <3

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