Papéis amachucados e letras de amor

25 de novembro de 2013



Fui passar o fim de semana com ele. Fui porque queria resolver todas estas dúvidas. Porque ele enche-me a cabeça de que fomos feitos um para o outro e andamos há demasiado tempo nisto. E é fácil, muito fácil, ver amor onde ele não existe quando estamos carentes. Vivemos em países diferentes e, à distancia, é muito fácil fantasiar com uma vida que não conhecemos e com uma personagem de amor que acreditamos que existe. E é fácil falar com alguém que, estando do outro lado, nos aquece o coração e nos torna a vivência mais leve. Quando cheguei, jantámos e fomos sair. A ultima coisa que me apetecia era sair, tinha estado em fecho de edição, não dormia nada de jeito há mais de uma semana e só queria encostar-me a ele, sentir o seu cheiro e fechar os olhos. Entre a música alta, eu só olhava para ele e sorria. Não conseguia acreditar que estava ali porque era demasiado irreal. Enquanto furávamos a multidão de uma discoteca qualquer, agarrou-me na mão e arrastámo-nos, colados um ao outro. Dançámos, ou eu tentei fazer algo parecido com isso porque estava completamente paralisada. Ele tocava-me no cabelo, no rosto e eu só me ria porque era a coisa mais fácil a fazer quando todo o meu corpo gritava. Já o sol estava a nascer quando nos metemos num taxi para casa e aterrei na cama. Dormimos, vimos filmes, saímos para almoçar, demos umas voltas na cidade, jantámos fora... Volta e meia via-o a responder a mensagens. Foi ali, sentada no sofá, quando olhei para ele e o vi, nervosamente, a responder a uma mensagem dela, que percebi que não queria mais isto. Não queria te-lo dividido com outra pessoa. Nessa noite, estava no outro quarto quando ele me me mandou uma mensagem a dizer que a porta dele estava aberta. Podia ter ido lá aconchegar-me na curva da sua cintura, mas de que me servia? O que fiz foi uma outra coisa: escrevi-lhe uma carta. Agarrei numa folha que encontrei e escrevi-lhe. Pedi desculpa por o ter magoado, por ter demorado tanto tempo mas que a minha resposta a tudo o que ele me tinha dito nós últimos meses era sim. Sim, eu quero ficar com ele e sim, eu quero que ele acabe de vez o que raio tem com a outra e sim, eu acredito em nós. Quando à bocado me deixou no aeroporto, abraçámo-nos e dei-lhe a folha amachucada cheia de palavras incertas sobre uma coisa que não sei bem se quero mas que tenho a certeza que não quero perder. Entrei no aeroporto e não olhei para trás. Sabia que, se o fizesse, a minha coerência poderia perder-se. 


4 comentários

  1. Pode haver paixão e amor? Pode.
    Pode haver paixão sem amor? Pode.
    Pode haver amor sem paixão? Não!

    Por vezes a paixão tolda-nos a razão.
    Mas não há certo ou errado na paixão.
    O amor, esse, é único, autêntico e recíproco.

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  2. Pode haver paixão e amor? Pode.
    Pode haver paixão sem amor? Pode.
    Pode haver amor sem paixão? Não!

    Por vezes a paixão tolda-nos a razão.
    Mas não há certo ou errado na paixão.
    O amor, esse, é único, autêntico e recíproco.

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  3. Minha querida...as nossa sao tao iguais que me assusta...gostava de te contar assim por alto a minha mas e dificil resumir um grande amor em tao poucas linhas...o que te posso dizer é que não vale a pena a espera,a luta,as lagrimas...eles ficam com as outras,que aceitam as traiçoes,e ainda pensam que estamos sempre aqui de braços abertos sempre que se lembram que existimos...e dificil mas tens de cortar...eu cortei definitivamente ha pouquinho tempo...ando ainda a bater com a cabeça nas paredes mas estou orgulhosa de mim...faz o mesmo!qq coisa estamos deste lado pra apoiar :)bjao

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  4. encontrei-te este texto e foi uma bofetada enorme...
    parece que somos muitas a passar por isto. merda...
    um beijo!!
    amariadaniela.blogspot.pt

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