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Eis porque não quero estar a assinar na Feira do Livro

28 de maio de 2017 Lisboa


Estou a escrever este post - em género de justificação mas bem fundamentada - porque recebi dezenas de mensagens a perguntar se, este ano, iria estar na feira do livro a assinar o Diz-lhe Que Não. Eu queria ir - juro que queria - mas vou tentar explicar a razão da minha recusa em estar.

Eu adoro a Feira do Livro. Vou há anos e várias vezes no mesmo ano. E tenho algumas das minhas memórias mais mágicas lá. Foi onde comprei o meu primeiro Harry Potter quando tinha 11 anos, por exemplo. Gosto de ir para passear, ir para ver e, depois, ir para comprar. Esta última sempre sozinha porque demoro imenso tempo a ler, a pesquisar e a procurar e, para quem não tenha este mesmo gosto que eu, pode ser uma grandessíssima seca. E todos os anos que fui - claro que falhei alguns - lembro-me de ver os escritores sentados e pensar: um dia, eu hei-de cá estar. Sempre foi uma espécie de marco de sucesso pessoal. Vou estar na Feira do Livro de Lisboa a assinar o meu próprio livro. Mas este sempre foi uma espécie de sonho colocado algures lá longe do tempo. Era sempre dentro do espaço-temporal "um dia...".

Na verdade, só no ano passado - e quando o esboço do Diz-lhe Que Não já se desenrolava numa ideia de futuro próximo -, é que analisei ao pormenor isto de estar na Feira do Livro. E não é algo que se possa levar de animo leve. É preciso ter uma capacidade emocional bem estruturada para estar sentada uma hora numa mesa sem saber ao certo quem vai aparecer - se é que vai aparecer alguém - e depender da boa vontade (e interesse, claro) do público em parar para ver o livro, querer comprar e, então, assinar. Eu ainda não tenho essa experiência, nem prática nem força emocional para isso. O terror de poder estar uma hora sentada sozinha é muito maior do que o desejo de realmente ter esta experiência. Talvez daqui a um ano já consiga ter. Ou dois. Ou três. Sei lá...

E admiro, de facto, esta capacidade que muitos escritores têm. É uma espécie de bem-estar literário e confiança no seu trabalho. E eu ainda não tenho essa confiança. Apesar do feedback ma-ra-vi-lhooooo-so que tenho tido todos os dias relativamente ao livro, ainda não tenho a segurança para me expor num contexto tão público e imprevisível.

De qualquer das formas, eu vou lá. Como sei que há leitores interessados em assinar e conversar um pouco, posso dizer um dos dias que vou (próximo sábado, em principio) e, sem compromisso, marcar um pequeno meeting. Quem quiser, mande-me mensagens pelo Facebook ou Instagram para ver se surge a oportunidade :)

Temos de continuar com a nossa vida e não sucumbir ao medo

24 de maio de 2017

Eu sempre fui uma pessoa extremamente emotiva. E sempre vi isso como um defeito em mim. Choro com tudo. Por tudo. E em todas as situações. E sempre o vi como uma fraqueza. Algo em que diziam: pronto, lá vai ela começar a chorar. Choro se me irritam. Choro quando estou frustrada. Choro quando estou feliz. Choro quando me emociono. Choro com coisas que nem se passam comigo. Choro quando vou no carro e vejo um acidente. Fico ali a fungar e a limpar o ranho às mangas da camisola. Choro com todos os vídeos de crianças, animais e velhinhos no Facebook. Quando trabalhava na redação, os colegas estavam constantemente a mandar-me vídeos só para se rirem quando começava a tremer o queixo e a ficar com os olhos molhados. Choro até a ver Harry Potter, por amor de Deus. Quão mais emotiva posso ser?

Demorei 31 anos para deixar de o ver como uma fraqueza e passar a interpretá-lo com uma capacidade de expressar as minhas emoções de uma forma intensa. E isto é bom, claro. Mas também me faz sentir tudo à minha volta de uma forma violenta e profunda.

Hoje de manhã ia no carro, passei no Viaduto Duarte Pacheco e estava todo um aparato com um carro parado, INEM, bombeiros e estavam a tentar reanimar uma senhora. Deu-me a sensação de que se sentiu mal no carro, parou no meio do viaduto e pediu ajuda. Fiquei imediatamente em lágrimas e com o peito pesado. Talvez porque tinha acabado de ouvir as notícias do atentado em Manchester no concerto de Ariana Grande.

E é exatamente por isso que estou a escrever isto hoje. O mundo à nossa volta está a ruir. É impossível não viver em medo constante - eu vivo. Se vou a um festival, procuro saídas de emergência só para o caso de acontecer alguma coisa. Se estou no cinema, tento ficar ao pé da porta. Se ando no meio de Lisboa em zonas movimentadas, dou por mim a olhar para o lado e a observar as pessoas. Se vou no metro, acabo por pensar nestas coisas mais vezes do que as que gosto de admitir. E isto é atroz. Isto faz-nos viver constantemente em ansiedade social porque o medo não tem cara e pode estar à espreita em qualquer lado. Até num concerto.

Quando tinha 23 anos, trabalhei na pediatria do IPO de Lisboa. E uma das primeiras coisas que me disseram foi que tinha de aprender a desligar o chip das emoções. E não deixar que a vida das outras pessoas entrasse comigo em casa. Caso contrário não ia conseguir fazer até as coisas mais banais como ir às compras, sair à noite, ir a um concerto... porque ia estar sempre a comparar a minha vida com a das pessoas (doentes) com quem passava a semana. E isto é difícil. Talvez tenha sido das coisas mais difíceis que fiz nada vida. Sair porta fora e esquecer a doença, a infelicidade e os problemas dos outros e continuar com a minha vidinha como se nada fosse.

Mas a verdade é que isto pode soar desagradável e frio mas é exactamente a única coisa que podemos fazer. E é o que, neste momento, tento fazer no meu dia-a-dia. Há guerra. Há Trump. Há armas nucleares. Há atentados. Há Daesh. Há pobreza. Há ameaças de bombas. Há terramotos e tsunamis. Há doenças. Há tudo à nossa volta. E todas as manhãs temos de conseguir levantar-nos da cama e não deixar que o medo desta merda toda - e muito mais - nos faça sucumbir. Porque eu própria tenho dias em que quase me deixo vencer. Perdemos um pouco a motivação. Tudo à nossa volta nos parece cinzento. Mas, por outro lado, também passamos a relativizar as coisas. E a dar a cada problema a carga emocional que ele merece.

Esta semana, um amigo teve um acidente e destruiu o carro da empresa. Felizmente, não foi nada de grave mas ele desmaiou e só acordou no hospital. Depois de todos os exames feitos, foi para casa com recomendação de algum repouso. Na manhã seguinte, a empresa tinha-lhe deixado um novo carro à porta de casa e a agenda para o resto da semana. E ele? Bem, ele foi trabalhar. E eu entendo porque o fez. Eu também já o fiz no passado. Mas cheguei a uma altura na vida em que nenhum trabalho, nenhum patrão nem nenhuma profissão vale mais que a minha saúde, a minha vida e o meu bem-estar.

É nestas alturas que penso: porra, a vida é curta para caraças. Temos guerras. Temos Trump. Temos armas nucleares. Temos atentados... Temos tudo aquilo que já disse lá em cima. Então porque vamos destruir mais um bocado o (pouco? muito) tempo que temos?

Temos de continuar com a nossa vida... porque (é clichê, eu sei) não sabemos o dia de amanhã. Temos de amar. Temos de dançar. Temos de cantar. Temos de viver. Temos de comer. Temos de viajar. Temos de estar com os nossos amigos. Temos de cuidar da nossa família. Temos de gostar. Temos de trabalhar também, é certo. Mas temos de trabalhar em algo que nos faça feliz. Temos de mostrar a toda a merda que está à nossa volta que continuamos a querer viver.

E temos de deixar o medo lá fora. Não de casa - porque ele está na rua e em todo o lado - mas da nossa vida.

O Amor é Outra Coisa: O Come-e-caga ou a pior espécie de homem

17 de maio de 2017


Há uns tempos, fui ao jantar de aniversário de uma amiga. Era um jantar em modo excursão com 40 pessoas da faculdade, do trabalho, amigos dos amigos, onde eu fiquei no fundo da mesa e os poucos convidados que conhecia estavam na outra ponta. Ironicamente, fiquei ao lado de um tipo de camisinha aberta até meio do peito e uma poupa em gel exactamente igual ao John Travolta em Grease. E eu adoro o John Travolta em Grease. Mas dispenso as personificações modernas de qualquer personagem fantasiosa que, na vida real, nunca vai ser tão interessante. E foi exatamente o caso: em duas horas e pouco de jantar, o tipo não sabia ter qualquer conversa de jeito e, a cada cinco minutos, batia na mesma tecla em voz bem alta para todos ouvirem: pessoal, vamos para o Lux? E o pessoal fazia aquele sorriso solidário de quem tem a certeza absoluta que o Lux será o último sítio onde a noite vai acabar. A minha, pelo menos, iria acabar, sem dúvida, no sofá de casa.

Enquanto os meus amigos estão a casar e a ter filhos...

11 de maio de 2017


Parece-me que todos os meus antigos colegas de escola e de faculdade estão literalmente a deixar sementes por este mundo fora. E todos os dias no Facebook sou bombardeada com todas estas lembranças de como o tic-tac não para. Não é que os inveje - longe disso. É até bastante engraçado ver como todos percorremos caminhos diferentes em prol de um único objectivo: a felicidade. E, no final do dia, esse sentimento de plenitude chega até nós de diferentes formas e não temos de percorrer loucamente os padrões que vemos nos outros.

No outro dia, uma leitora enviou-me um email (depois de ter lido o Diz-lhe Que Não) e disse-me que sentia que depois dos 30 era muito difícil manter amizades quando toda a gente começa a casar, a fazer vida a dois e a desaparecer para o resto do mundo porque conviver com os solteiros é - para eles, claro - uma grande merda. Não podem falar de bolos de noiva, nem de fraldas, nem de doenças infantis, nem de gravidez, nem de inscrições em creches, nem de subsídios pré-natal... E, para eles, estamos todos - coitados de nós - aqui parados no limbo à espera de embarcar na viagem da vida a dois e poder usufruir da felicidade plena e satisfatória que todos eles vivem e que nós - os solteiros, coitados - desconhecemos.

Como criar uma secretária de sonho por menos de 30€

9 de maio de 2017 Home


Um dos grandes problemas que tive quando me mudei para esta casa foi adaptar as coisas que já tinha ao espaço que tenho agora - o que parece irónico porque estava na casa dos meus pais e tinha tudo ao monte (no dia das mudanças, os senhores não acreditavam que tudo o que transportaram estava dentro de uma divisão. Eu também não acreditava..... hihihi). Mas minha secretária foi uma das coisas que logo de início vi que não ia funcionar aqui - pelo menos, não da forma que queria. Era grande demais e não cabia no espaço que tenho para uma secretária (debaixo da janela). Inicialmente, tinha pensado em colocar a minha zona de trabalho na sala mas ia ficar tudo muito atravancado e a última coisa que me apetecia era estar a trabalhar e a descansar no mesmo espaço. Sinto sempre que preciso de uma divisão para quebrar a mente de trabalho da mente de descanso.

E pode parecer meramente simbólico, mas é realmente importante termos um ambiente propício à criatividade. Escrever diariamente implica uma grande dedicação e mente limpa. E se o espaço à nossa volta não está limpo, como podemos querer que a cabeça também o esteja?

Primeiro, coloquei a minha antiga secretária à venda. Estava praticamente nova e vendi-a num ápice. Sou adepta das compras em segunda mão e percorro todos os sites e grupos de Facebook nestes tópicos mas não consegui encontrar nada do género que queria a um preço acessível. Então - e porque queria poupar dinheiro - decidi construir uma secretária.

O Fascista sexual

8 de maio de 2017

A Beatriz foi seis meses para a Austrália a propósito do seu doutoramento. À data em que conto esta história ela já lá está há uns bons cinco meses e quase a voltar aqui para a terrinha. Umas semanas antes de partir, jantámos em casa dela para uma despedida da despedida da despedida quando nos disse que tinha conhecido o (na altura ainda não se chamava assim) Fascista Sexual. Rimo-nos umas para as outras porque é aquelas alturas da vida em que nos apetece mandar tudo ao ar. Uma mulher está meses - anos - sem conhecer ninguém de jeito e quando aparece alguém realmente interessante vai para São Francisco por tempo indeterminado - lembram-se d'O amor é outra coisa 14 sobre os timings? - ou, neste caso, estamos nós de partida. Claro que ela nunca sequer ponderou a hipótese de não ir - eu ter-lhe-ia dado um pontapé para a fazer acordar - mas sentiu que a vida por vezes é ingrata para caraças.

DIY para quem é forreta. Ou esperto, como eu

5 de maio de 2017

Há algo que adoro fazer com roupa que é DIY - do it yourself. Porque há roupa maravilhosa nas lojas, claro que há. Mas também podemos reinventar para não estar sempre a comprar. Uma das coisas que me apercebi agora nas mudanças é a quantidade de roupa que tenho e que nem me lembrava que existia. E, mesmo assim, não consigo desfazer-me dela. Fico sempre a pensar que um dia vou querer usar e dá-me pena desfazer-me de coisas de que gosto só porque "agora" não uso. E o tempo passa e fui acumulando coisas do arco da velha. Por outro lado, não dou roupa porque começo a imaginar que vou ter saudades de me ver com aquela peça. Nunca me esqueci das calças de ganga com bolsos em flores que tinha no 7º ano e que a minha mãe me estragou com lixívia. E isto é um bocado obsessivo, eu sei. É algo que ando a tentar melhorar e de certa forma a tentar libertar-me.

Soirée na casa nova

30 de abril de 2017 Home




Uma das coisas que mais prazer me dá é receber amigos porque adoro dar uma de Desperate Housewive e preparar lanches ou jantares - porque nem sempre há vontade para sair de casa ou marcar brunch ou jantar. Há dias em que simplesmente apetece ficar em casa.

Então, como queria mostrar a minha casa nova a algumas amigas, aproveitei o sábado farrusco e fiz uma espécie de soirée para meter a conversa em dia. E deu aquele aperto no coração (um aperto bom) quando elas disseram que a casa lhes fazia sentir bem, que era acolhedora, luminosa e que a decoração tinha tudo a ver comigo. Mas também disseram: por amor de Deus, estás aqui há uma semana e ainda tem caixotes por todo o lado. Pois, claro. Porque ainda me falta ter, pelo menos, o roupeiro e a biblioteca. Só essa falta já me faz ter caixotes de roupa e livros espalhados pelas divisões. Ninguém me compreende... hihihi.

Então, convidei as Catarinas (do Joan of July e do DayDreams) para passarem até cá e conversarmos um pouquinho. A ideia era trocarmos uns livros como tínhamos planeado mas acabámos por ficar o tempo todo a falar. A Catarina do Daydreams decidiu trazer uma caixa de bolos. Mas - porque já me conhecem tão bem -, disse que, no fim, podia levá-los à minha mãe. Bem, não foi preciso esperar porque, entretanto, chegaram a Marta (M Por Amor) e a Sara e começaram a comê-los. Eu é que não como bolos (para quem ainda não percebeu).

Juntei algumas das minhas coisas favoritas (chá, chocolates e queijo) e, voilá, o meu primeiro soirée na casa nova. Nós não aparecemos nas fotos, é verdade. Mas porque estivemos ocupadas a falar e não deu tempo para nos fotografarmos. E esse não é o melhor sinal de que a noite correu bem? :)

Como já me perguntaram de onde são, explico aqui: o dispensador de bebidas (em vidro para conservar) é do Jumbo e o prato protetor (com os croissants) do IKEA.


Claro que os chocolates House of Fudge tinham de estar. É daquelas coisas que cai sempre bem para adoçar. Desapareceram em três tempos (eu nem comi nenhum).


Este tabuleiro é a coisa mais prática de sempre (porque ainda não tenho mesa na sala). Serviu como apoio para as chávenas de chá quando estávamos sentadas no sofá (é do Jumbo).






A distopia como forma de (nos) contar a vida

28 de abril de 2017


Eu adoro, adoro, adoro livros do género distopia que nos falam sobre a vida (real) ao criar mundos imaginários. Já tinha falado sobre isto quando li O Ano do Dilúvio mas tenho descoberto autores fantásticos que quero recomendar esta semana.

Para quem não sabe, o género distopia é uma espécie de criação de uma sociedade imaginária controlada por meios extremos de opressão onde os personagens vivem condições de vida difíceis. O que é mais giro na distopia é que, normalmente, tem como base a realidade da sociedade actual, o que nos coloca obrigatoriamente a pensar sobre o mundo em que vivemos. Um dos últimos livros que li deste género foi As Filhas de Eva de Louise O'Neill e fiquei absolutamente viciada. A história do livro tem por base um mundo onde as raparigas são treinadas desde cedo para satisfazer os homens. Só as melhores conseguem ganhar o estatuto de "esposas" e ter a possibilidade de viver com um homem, tendo apenas como objectivo gerar filhos. Quando já não são necessárias... são descartadas.

Podem imaginar o quão perturbador (mas ao mesmo tempo intrigante e viciante) foi este livro para mim. E até num plano muuuuuito fantasioso, qualquer livro do género fantástico acaba por ser uma distopia ao transportar-nos para mundos imaginários (embora menos opressivos) através dos quais conseguimos tirar lições para a nossa vida. E aprender com elas, claro. Até o Harry Potter. Yey J. K. Rowling, you rock.

Para os leitores mais sérios, há outros exemplos como o clássico 1984 (actualmente faz parte do plano nacional de leitura o que não deixa de ser irónico e actual ) que fala do terror do poder político e que quase poderia ser visto como uma profecia (com toda a realidade que estamos a viver com o Trump).

Esta semana queria falar-vos disto e deixar-vos algumas sugestões interessantes para quem se quer lançar neste tema. Alguns estão em desconto na Fnac, outros não. Mas são livros que valem a pena comprar, ler e passar aos amigos e familiares.

Estes são alguns dos meus favoritos no género das utopias e distopias e todos eles nos fazem pensar sobre o que fazemos aqui - as nossas atitudes, valores, a forma como compreendemos o mundo e até a forma como vivemos nele. Para as feministas, just like me, recomendo As Filhas de Eva e A História de Uma Serva. Mas leiam com cuidado - são revoltantes.



1) As Filhas de Eva de Louise O'Neill; 2) 1984 de George Orwell; 3) Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley; 4) A Máquina do Tempo de H. G. Wells; 5) Submissão de Michel Houellebecq; 6) A História de Uma Serva de Margaret Atwood.

No outro dia, li uma critica ao Os 100, onde dizia que a série era muito melhor que o livro e que não valia a pena ler. Eu nunca vi a série mas esta colecção é fantástica e tenho sérias dúvidas que uma série de televisão consiga captar toda a magia do imaginário deste universo descrito por Kass Morgan. Esta seleção engloba clássicos como A Quinta dos Animais ou o Ensaio Sobre a Cegueira e, ao mesmo tempo, e num outro patamar, livros do género fantástico distópico (se calhar acabei de inventar esta expressão).



7) A Quinta dos Animais de George Orwell; 8) Os 100 de Kass Morgan; 9) Gravar as Marcas de Veronica Roth; 10) As Primeiras Quinze Vidas de Harry August de Claire North; 11) Ensaio Sobre a Cegueira de José Saramago; 12) Dois Anos, Oito Meses e Vinte e Oito Noites de Salman Rushdie.

Gosto, gosto, gosto de receber sugestões porque uma pessoa não encerra em si todo o conhecimento do mundo. Se tiverem dicas, recomendações ou livros que vos marcaram de uma forma especial, enviem-me por comentário ou email :)

A casa perfeita não existe... mas pode ser criada

27 de abril de 2017 Home


Eu gostava de ser daquelas pessoas que se adaptam bem a tudo. Mas - talvez fruto de viver com ansiedade - todas as mudanças acabam por ter um peso muito maior em mim. Talvez seja por isso que o Eddy - o meu gato, para quem (ainda) não sabe (como não?) - seja extremamente difícil e medricas. Talvez ele também sinta estas vibrações vindas de mim. Felizmente, temos a sorte de ter a Tita - a gata, claro -, com uma personalidade completamente diferente à nossa: tranquila, destemida e que, em dez segundos, já se adaptou a qualquer situação. Eu chamo-lhe TitaDora, the Explorer. Porque ela vai imediatamente à exploração da nova situação que está a viver. Qualquer que ela seja.

Se foi por isso que vi casas durante um ano? Nem sei bem... Colocava sempre problemas em todas as que via. Ora deixavam-me claustrofóbica porque eram apertadas, ora ficava ansiosa porque eram escuras, ou andares altos (e eu tenho pavor de terramotos e de ficar presa em prédios altos), ou pequenas, ou com poucas janelas, ou frias, ou antigas, ou feias, ou caras, sei lá. Na verdade, havia sempre qualquer coisa e quem me acompanha há mais tempo provavelmente leu dezenas de desabafos no Facebook sobre isto. Vi casas imundas, partidas, com restos de comida no frigorifico, com cozinhas sujas, degradadas, sem condições, velhas... e tudo com preços a partir dos 600€. Dizem que Lisboa é barata mas viver em Lisboa não pode ser considerado barato quando para se viver com o mínimo de condições tem que se ter três trabalhos.

Então, toda esta questão do espaço sempre mexeu muito comigo. Eu sou uma pessoa agarrada às raízes e às coisas que me fazem sentir em casa. E dou muita importância a isso. E isto é uma ligação que toda a gente tem - mesmo que não se aperceba. Toda esta noção de espaço-casa faz parte das nossas emoções primárias. São essas emoções que, por vezes, nos dizem que algo não está bem mesmo que não o consigamos articular. Foi exactamente isso que senti na quase centena de casas que vi ao longo do ano. Havia sempre qualquer coisa que me fazia querer fugir dali. Tem tudo a ver com a energia e com as coisas que, para mim, estão relacionadas com o sentir-me bem.

Se esta é a minha casa de sonho? Claro que não. Mas foi o mais próximo que consegui. Luminosa, ampla e num andar baixo. Senti-me segura quando cá entrei. Senti-me (quase) em casa. Mesmo que isso seja uma ligação que me demore dias, semanas, meses a sentir. O melhor disto tudo? Estou a dois minutos dos meus pais que, para mim, era o mais importante :)

Por enquanto, ainda estou a viver rodeada de caixotes e confusão mas, para já, posso mostrar-vos alguns pormenores das coisas que podemos fazer para criar a nossa casa (quase) perfeita - a decoração. Os toques. A envolvência. Aquilo que se aproxima da nossa energia. Como me têm feito imensas perguntas pelo Instagram, vou tentar explicar de onde é o quê. Eu gosto de coisas antigas, em segunda mão e personalizadas, então é o que tenho andado a fazer.

Comprei este móvel de sala (bem como os do quarto) a um senhor que restaura coisas antigas. Depois foi todo pintado de azul para dar um toque pessoal. 

O famoso sofá que andava a ver se ficava, ou não, com ele. O tapete zebra é da Conforama e o tapete branco de pelo Jumbo Moda.



Ainda não tenho roupeiro - quero daqueles módulos de parede que se personalizam. Mas esta casa tem um espaço convertido em roupeiro que, quando cá vim, me foi apresentado com um sorriso enorme pela pessoa: "e tem um closet!!". Eu olhei e disse: cabe aqui, provavelmente, 20% da minha roupa ehehe...


Também comprei este tocador ao senhor. Ainda está nesta confusão porque tenho tudo de beleza dentro de caixotes. Preciso de um armário ou qualquer coisa onde possa guardar tudo organizado e separado por temas (cabelo, rosto, corpo... lembrem-se que este é o meu trabalho e ter tudo organizado é o primeiro passo para facilitar o meu dia-a-dia).

A casa de banho de beauty ou onde vão estar as minhas coisas pessoais do dia-a-dia.


A cozinha - o espaço a que dei menos atenção (porque cozinhar não é nada a minha praia) - que agora está a ficar fantástica. Qualquer dia sou uma Martha Stewart. Os meus potinhos de chás e frascos de bolachas do Jumbo Moda. A chaleira roxa e a caixa também são de lá.


Três dos meus serviços antigos que eram das minhas avós. Como podem imaginar, vai servir-se muito chá nesta casa hihihi.



E pronto... quando estiver tudo mais organizado, volto a mostrar mais pormenores. Preciso ainda de muita coisa - e o principal: uma biblioteca feita à medida para a minha sala. Yey!

No dia Mundial do Livro... livros que nos ajudam a definir enquanto pessoas

23 de abril de 2017 Home


Uma das coisas em que mais acredito é na capacidade que os livros têm de nos moldar enquanto pessoas e seres humanos no geral. Lembro-me de ser miúda - com sete ou oito anos - e já ter este bichinho dentro de mim. Fazia os trabalhos nas aulas a correr para poder ir sentar-me no cantinho da leitura em pleno regalo diário. E identifico-me plenamente com a frase de Franz Kafka: "A book must be the axe for the frozen sea within us", algo do género: um livro deve ser o machado que quebra o mar gelado entre nós. Para mim,  os livros podem ser incrivelmente poderosos. Têm a capacidade de nos fazer abstrair do mundo à nossa volta, de nos fazer viver aventuras e de influenciar a forma como pensamos. Enquanto lemos, vivemos tantas emoções e confrontamo-nos com tantos sentimentos que é impossível não enriquecer a nossa própria alma. E também nos ensinam, dão-nos novas perspectivas sobre as coisas e ajudam-nos a moldar a pessoa que somos. Os melhores livros - aqueles mesmo fantásticos - podem mudar a nossa vida para sempre.

Esta é uma lista de alguns dos livros que tiveram um impacto enorme em mim e que acredito que farão a diferença nas vossas vidas.

Hoje é Dia Mundial do Livro - eles estão todos em promoção no site (e lojas) da fnac :)

Todos estes livros viraram filme - o que só por aí já mostra que têm mensagens fortes para passar. Mensagens de tolerância, de amor, de bondade, de crenças e de vida. Lembro-me que li Os Filhos da Droga quando tinha uns 12 ou 13 anos. Era um dos livros da minha mãe (agora está em minha casa) e, na minha inocência, marcou-me profundamente. Voltei a relê-lo agora há pouco tempo e voltei a sentir o mesmo impacto que senti quando era criança. Entretanto, li que agora faz parte do plano nacional de leitura do ensino secundário e acho que é um livro que todos os adolescentes deveriam ler - para uma dose de realidade.

1) A Rapariga Dinamarquesa de David Ebershoff; 2) O Meu Nome é Alice de Lisa Genova; 3) Jane Eyre de Charlotte Bronte; 4) As Serviçais de Kathryn Stockett; 5) A Cabana de Wm. Paul Young; 6) Os Filhos da Droga de Christiane F.

Fui ver Brooklyn ao cinema sozinha numa tarde em que não estava particularmente feliz. Chorei o filme praticamente todo. E depois, fui buscar o livro porque o queria ler e... chorei a ler. Não sei se foi do momento (estava literalmente de coração partido) mas é uma história absolutamente arrebatadora. E o Projecto Rosie, por outro lado, fala-nos de duas pessoas completamente diferentes que tentam à força toda não se apaixonar... mas a vida troca-lhes as voltas e dei boas gargalhadas a ler.



7) O Inverno do Nosso Descontentamento de John Steinbeck; 8) Brooklyn de Colm Tóibín; 9) O Projecto Rosie de Graeme Simsion; 10) Uma Conspiração de Estúpidos de John Kennedy Toole; 11) Não Sou Esse Tipo de Miúda de Lena Dunham; 12) Anexos de Rainbow Rowell.

Eu sou completamente fã de livros Young Adult porque nos fazem viver aquela magia da nossa adolescência. E, caramba, não há nada melhor que isso. A nostalgia da escola, dos amores juvenis e dos medos que, na altura, nos passavam pela cabeça. A Culpa é das Estrelas foi um livro que eu não gostei por aí além - talvez o tenha lido numa má fase - mas consigo compreender que é uma narrativa com uma mensagem poderosa. E ainda não li o Por 13 Razões mas por estar a ter um sucesso estrondoso no Netflix, achei que era uma boa sugestão YA para hoje.


13) Shiver de Maggie Stiefvater; 14) A História Interminável de Michael Ende; 15) Eu Dou-te o Sol de Jandy Nelson; 16) Fala-me de um Dia Perfeito de Jennifer Niven; 17) A Culpa é das Estrelas de John Green; 18) Por Treze Razões de Jay Asher.

E clássicos... são sempre clássicos. Intemporais, únicos e com histórias que atravessam os anos e se continuam a manter actuais. Escolhi seis absolutamente obrigatórios para uma qualquer biblioteca caseira :)


19) O Deus das Moscas de William Golding; 20) Laranja Mecânica de Anthony Burgess; 21) A Insustentável Leveza do Ser de Milan Kundera; 22) Os Maias de Eça de Queirós; 23) Crónica de uma Morte Anunciada de Gabriel García Márquez; 24) Se isto é um Homem de Primo Levi.

Literatura feminina é mais do que chick lit banal

16 de abril de 2017


Uma das coisas que mais tenho reparado nos últimos tempos é a quantidade de livros bons e populares que banem totalmente o papel da mulher nas suas histórias. Falei disso na semana passada até - a propósito do Hotel Majestic que adorei mas é um rol de personagens masculinas em destaque e onde as mulheres apenas entram como secundárias. E isto deixou-me a pensar neste assunto durante alguns dias.

Já nem vou falar na Disney - onde o herói é quase sempre, sempre a personagem masculina salvadora de todos os problemas que a feminina cria/passa. Mas mesmo nos livros infantis com animais - onde se tenta criar um género neutro - as personagens são em grande parte dos casos masculinas. E isto tem sido um padrão no último século. Até um dos meus livros favoritos de todo o sempre e um marco da literatura que vai fazer parte dos rituais de passagens de todos os adolescentes durante as próximas décadas - Harry Potter - é centrado numa personagem masculina (Harry) que apesar de ter uma feminina heroína que nos ensina bastante sobre caracter, força e inteligência (Hermione), o seu papel está centrado em ajudar o personagem rapaz a resolver os conflitos centrais da trama.

Há uns tempos - antes do Diz-lhe Que Não sair - um colega jornalista do Expresso disse-me algo do género: "não esperes que o teu livro seja falado nas revistas de destaque mas és capaz de te safar nas femininas e assim". E, conscientemente ou não, ele centrou todo um problema numa frase banal - o meu livro, com personagens femininas no primeiro plano e onde os homens são meramente secundários, é visto como um livro "chick lit" (algo do género romance barato para raparigas). Não é que esteja à espera de receber um Pulitzer nem nada que se pareça, mas é esta descredibilização que faz com que muitos autores se foquem em personagens masculinas. Escrever para e sobre mulheres ainda é um universo cinzento como se ter uma audiência feminina significasse que não temos nada de muito importante para dizer ao mundo.

Se for um livro sobre mentiras e tramas entre mulheres (como o Pequenas Grandes Mentiras de que falo abaixo), é um cliché fútil. Mas se forem homens, é um policial sério. Se for um romance pelo ponto de vista de uma mulher, é "chick lit". Mas se for do ponto de vista de um homem é literatura romântica - um bem-haja aos Nicholas Sparks da vida. Claro que estou a generalizar, mas só vos quero deixar a pensar nisto.

Por isso, esta semana, decidi reunir alguns livros sobre mulheres, para mulheres, de (e não só) mulheres. Literatura que coloca a mulher como personagem central e passa, ao mesmo tempo, grandes mensagens sobre a vida. Falo de personagens femininas divertidas, fortes, com relevo nas narrativas e com algo para dizer ao mundo. Longe de clássicos e bestsellers que toda a gente conhece, decidi ir para outros tipos em vários registos - desde históricos, a fantástico ou romances - que dão boas leituras tanto para homens como para, nós, mulheres.

Estes estão em promoção esta semana no site da Fnac:


1) O Caderno de Maya de Isabel Allende; 2) A Rapariga que Roubava Livros de Markus Zusak; 3) A Bastarda de Istambul de Elif Shafak; 4) A Coisa à Volta do Teu Pescoço de Chimamanda Ngozi Adichie; 5) A Chama de Sevenwaters de Juliet Marillier; 6) Vitória de Inglaterra de Isabel Machado.


1) A Rainha Ginga de José Eduardo Agualusa; 2) A Herança Bolena de Philippa Gregory; 3) Pequenas Grandes Mentiras de Liane Moriarty; 4) A Cor do Hibisco de Chimamanda Ngozi Adichie; 5) Eleanor & Park de Rainbow Rowell; 6) A Rapariga que Sonhava com uma Lata de Gasolina e um Fósforo de Stieg Larsson.

Estes não estão em promoção mas valem a pena o investimento:



1) Nome de Código: Leoparda de Ken Follett; 2) O Rouxinol de Kristin Hannah; 3) História do Novo Nome de Elena Ferrante; 4) O Meu Nome é Lucy Barton de Elizabeth Strout; 5) Luz e Sombra de Leigh Bardugo; 6) Hoje Vai ser Diferente de Maria Semple.

Gosto, gosto, gosto de receber sugestões porque uma pessoa não encerra em si todo o conhecimento do mundo. Se tiverem dicas, recomendações ou livros que vos marcaram de uma forma especial, enviem-me por comentário ou email :)

O dançarino

11 de abril de 2017 Lisboa


Imaginem que estamos em Julho do ano passado. Estava um calor sufocante, eu estava a escrever o Diz-lhe Que Não, andava maluca com tudo, não fui de férias e fiquei mesmo por Lisboa em retiro literário. No meio deste verão solitário, conheci o Dançarino e só não escrevi esta história mais cedo porque havia alguns constrangimentos que só irão perceber no fim. Txan, txan - já estou aqui a apimentar a coisa para lerem tudo.

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