Tall Ships Races em Lisboa





Estão sempre a acontecer tantas coisas em Lisboa e fico furiosa quando não tenho oportunidade de as aproveitar. Perdi o Sonho de uma Noite de Verão no Festival ao Largo porque me troquei nas datas. Mas este fim-de-semana acabei por jantar no largo ao som da Orquestra Sinfónica Portuguesa e do Coro do Teatro Nacional de São Carlos, bem como de outros cantores de ópera. E antes, fui espreitar o The Tall Ships Races que, 60 anos depois da primeira viagem, regressou a Lisboa com 51 dos maiores veleiros do mundo (nove portugueses) a competir nesta regata. Foi um sábado dedicado a Lisboa.

A paisagem - com os navios ancorados no nosso litoral desde o Terreiro do Paço até Santa Apolónia - era absolutamente irreal e única. Bem como as centenas de membros das tripulações a passear por Lisboa. Fardas brancas por todo o lado, como podem imaginar. E, durante o jantar, fomos absolutamente clichés e relembrámos o episódio do Sexo e a Cidade em que a Carrie dispensa um belo marinheiro porque lhe diz que não gosta assim tanto de Nova Iorque - quem não gosta da minha casa, não gosta de mim. E o mesmo se aplica a Lisboa :)

Em laia de curiosidade, foi em 1956 que ocorreu a primeira edição do The Tall Ships Races exactamente aqui em Lisboa. Na altura,  o objectivo foi celebrar, e não deixar cair no esquecimento, os navios de vela numa época em que os barcos a vapor começaram a surgir com toda a força. Hoje em dia, além de uma regata que nos faz mergulhar no passado, continua a missão de chamar jovens para carreiras ligadas ao mar e dar perspectivas de futuro a jovens de estratos socioeconómicos mais desfavorecidos. Não fazia ideia deste propósito e adorei.

Música ao vivo, fogo de artifício, desfiles e paradas, provas de comidas de todo o mundo e quatro dias de festa marítima em Lisboa. Só lá estive um - no sábado - mas fiquei fascinada. Apetecia-me comprar um chapéu de marinheiro mas contive-me. Até porque a Miranda me olhou de lado e perguntou se não estava a jogar com o baralho todo. Espero que as fotos consigam transmitir (a quem não foi) alguma da magia que a cidade viveu.

O Rouxinol de Kristin Hannah














Achei que devia começar uma rubrica que seria algo do género: livros que não recomendo para ler nas férias porque 1) vão ler em três dias e precisar de comprar outro e 2) se o levarem para a praia vão chorar baba e ranho em público. O Rouxinol é um desses. Encontrei-o nas sugestões da Fnac e é o primeiro que leio de Kristin Hannah mas já estou em ânsias de ler outros.

É um livro histórico (não fujam já!) - não o chamaria de romance porque não é necessariamente um. Mas romantiza a história. E é, do principio ao fim, uma leitura intensa, violenta e e absorvente. Retrata o papel que as mulheres tiveram durante a Segunda Guerra Mundial ao contar a vida de duas irmãs, Vianne e Isabelle, e ao mostrar como uma mulher pode ser poderosa mesmo num contexto de fome e morte. Não sei dizer ao certo onde é que os factos reais começam e acabam mas ao longo dos anos descritos na história vamos sentindo a revolta perante a ocupação Nazi e orgulho nos actos das mulheres - uma a salvar soldados Aliados e outra crianças judias.

É fácil apaixonarmo-nos por estas personagens e torcer pelo final que - por ser histórico - já sabemos que nunca será 100% feliz - a história diz-nos que, durante a Segunda Guerra, morreram mais de 70 milhões de pessoas - um número absurdo aos nossos olhos, nascidos em tempo de paz. Ao longo da narrativa vamos acompanhando, pelos olhos destas duas irmãs, toda uma série de mulheres e dos seus diversos papéis durante a guerra com França ocupada pelos alemães, os recursos naturais a acabarem, as casas invadidas, os bens dos franceses saqueados, vilas inteiras queimadas. Conhecemos mulheres violadas por soldados nazis, manipuladas a trair os seus amigos ou obrigadas a entregar familiares em troca de comida. Mas é, ao mesmo tempo, absolutamente comovente ler e sentir como, mesmo em tempo de guerra, o amor ultrapassa qualquer dor e perda. Se acham que este é um livro em contexto de guerra que termina com um final de amor feliz, não é nada disso. Vamos é acompanhando a forma como o amor no impele a ser melhores, nos dá forças para ultrapassar tudo na vida e dá-nos simplesmente coragem para sobreviver. E isto aplica-se a todos nós e em qualquer fase da nossa vida.

O que torna este livro ainda mais intenso é a conjuntura política em que vivemos nos dias de hoje com o terrorismo e os refugiados na ordem do dia. Acaba por se tornar numa leitura reflexiva que nos consegue fazer sentir o que uma Guerra faz à humanidade graças às descrições irrepreensíveis que a autora faz do contexto histórico da Segunda Guerra Mundial. Acaba por ser, ao mesmo tempo, uma leitura cruel que nos faz experienciar todo este horror, baseada em factos reais de tantas outras milhares de mulheres que sobreviveram a um dos episódios mais tristes da nossa história.

O que retirei deste livro? A coragem, a inspiração, a bondade e amor que une as pessoas em tempos de crise e as emoções que, enquanto leitora, senti durante a narrativa. Não é um livro para ler na praia porque vão dar por vocês em choros constantes :) Ou talvez, depois de cada capítulo, consigam queixar-se menos e viver mais e melhor cada dia das vossas férias.

Porque aquilo que temos hoje em dia é, sem dúvida, uma dádiva: liberdade, conhecimento e (na medida do possível) paz.

O Rouxinol de Kristin Hannah, publicado por Bertrand Editora (está neste momento em desconto na Fnac).

PS: está a ser feita uma adaptação para o cinema. Vou estar obrigatoriamente na estreia.

Feira de Artesanato do Estoril




Uma coisa que me dá pena é a vulgaridade com que as pessoas aqui em Portugal olham para o acto de fotografar. Imensas vezes quando estou na rua a fotografar qualquer coisa ou mesmo em sítios propícios a isso - como na semana passada no Super Bock Super Rock - as pessoas simplesmente ficam a olhar como se estivesse a fazer algo perverso. Wow olha para mim a tirar uma fotografia na rua. Deus nos livre se eu tirar a máquina fotográfica da mala.

Fui à Feira de Artesanato no Estoril e achei o ambiente tão giro que comecei a tirar umas fotografias para mostrar aqui. Apenas isso. A dada altura, numa banca que até nem tinha nada de especial - achei piada às cruzes do pescoço que se usava em 1999 quando as raparigas deixaram de ser dreads e passaram a ser betas - e fotografei as cruzes. A rapariga da banca abordou-me e tive a conversa mais parva de sempre.

- Não pode fotografar, disse ela.
- Estou num espaço público, respondi eu.
- Mas os colares são meus.

Pausa para absorver a resposta dela.

- É a senhora que perde porque sou jornalista e ia divulgar a sua banca na Feira.

Apaguei a foto com a máquina virada para ela (para ela ver), virei costas e fui-me embora. A minha mãe diz que ela poderia ter achado que eu também era uma artista de bugigangas e estava a fotografar para lhe imitar os modelos. E ela até podia ter razão - estava a fotografar algo privado. Mas, para mim, resume-se ainda à tacanhez do português que vê mal em tudo o que o rodeia. Se estou a fotografar, só posso ser uma plagiadora que lhe quer roubar a ideia das cruzes. Eu até poderia ser uma turista a fotografar a feira porque vivo no Polo Norte e lá não há nada disto. Poderia querer comprar 50 cruzes. 

Mas não - como os colares eram dela - só os poderia querer roubar.

Ficam as fotografias para vos mostrar o quão gira a feira está este ano. Vai estar aberta até Setembro, todos os dias das 18h à meia noite. Tem lá dentro restaurantes, esplanadas, petiscos, música ao viva no largo e imensas banquinhas de coisas giras - desde bijuteria a fatos de banho, brinquedos, tapecarias, decoração, recuerdos portugueses... Fotografei algumas.

SBSR | Rock n' Beauty





A primeira vez que fui ao Super Bock Super Rock foi há uns anos, para ver Lana del Rey. Ansiava, sonhava, suspirava para ver o concerto dela. Acabou por ser meio estranho com uma Lana meio embonecada e vestida de uma personagem bizarra que chegou atrasada, cantou 5 ou 6 músicas (de um primeiro álbum com, pelo menos, mais meia dúzia de outras boas), andou pelo público a abraçar a primeira fila, acenou tal e qual uma Miss Universo e saiu do palco com a mesma aura enigmática com que entrou, agarrada ao vestidinho branco. Estranhou-se mas entranhou-se. Continuo a gostar.

Depois disto nunca mais voltei. Sou mais de CoolJaz, mais de Rock in Rio e Alive. E desde que mudou para o Parque das Nações, perdeu aquela mística de festival, pó e o ir de mota para fugir ao trânsito do Meco. Estive lá no sábado para ver Capicua e espreitar o corner da Mary Kay (que, no ano passado, celebrou comigo a entrada nos trinta) e não me deixei apaixonar. Compreendo a ideia de o tornar um festival citadino mas concertos no Pavilhão Atlântico e um recinto em calçada, despido e gigante sem grande coisa para ver, lugares onde sentar ou sombras para acalmar os quase 40 graus é insustentável. 

Safaram-se alguns corners interessantes que proporcionavam algumas atrações e sombras à sua volta, como o da Mary Kay, o da CGD e a zona à beira rio que acabava por refugiar do sol. Mais uma vez, beleza e música andam lado a lado, mostrando o impacto que a auto-estima tem na diversão e a forma como aquilo que sentimos com a música também se reflecte na forma como nos interpretamos através da maquilhagem :) 

O AMOR É OUTRA COISA #49 Como nos apaixonamos por outra pessoa?


Estava a ler uma notícia na revista Time esta semana que dizia que o amor à primeira vista só acontece a 11% das pessoas e é muito mais comum nos homens que nas mulheres - o que não é de espantar. Eles estão sempre com a antena parabólica ligada. Mas a verdade é que as "regras" por detrás da atracção são infinitas. Pessoas que têm tudo para dar certo, acabam por chocar. E pessoas que não tinham nada a ver uma com a outra, apaixonam-se instantaneamente.

Vários especialistas analisaram um grupo de casais e identificaram onze factores comuns na base do porquê de se terem apaixonado pela pessoa que se apaixonaram.

  1. Similaridade nos traços de personalidade, atitudes e valores
  2. Proximidade geográfica
  3. Características de personalidade e aparência desejáveis
  4. Reciprocidade do afecto ou o facto de sabermos que a outra pessoa gosta de nós
  5. Facilidade em satisfazer as necessidades
  6. Excitação física e emocional
  7. Influências sociais e a aprovação dos amigos
  8. Traços particulares na voz, olhos, postura e forma de estar da outra pessoa
  9. Desejo de iniciar uma relação amorosa
  10. Oportunidades para ficarem os dois juntos
  11. Mistério, quer nas situações a dois quer na própria pessoa


Onde é que andam a passar o vosso tempo?

Isto pode não ser uma visão romântica e bonita mas se estão à procura de amor tenham simplesmente em conta onde é que passam o vosso tempo. Se não querem um tipo da noite, com t-shirt em V e um Instagram com mais selfies que vocês, não podem passar todos os vossos sábados no Main ou no Lust. Isto é redutor, eu sei. Mas atraímos as pessoas no nosso meio.

E embora esta seja uma fantasia minha, tirem da cabeça (porque eu já tirei buahhhhhhhhh) o desejo secreto de que vão estar num café a beber um chá, a ler um livro e aparece um estranho que vos aborda, senta-se na vossa mesa, ficam duas horas a conversar e são almas gémeas. É lindo. Mas irreal. Pensem nesta ideia: quem é que foram as pessoas que se tornaram os vossos melhores amigos? As pessoas da vossa turma na escola, no liceu, na faculdade... Porque eram do vosso meio. A máxima aplica-se, hoje em dia, às relações amorosas também. Os sítios onde vão têm as pessoas com quem se querem relacionar?

O que é que procuram em alguém?

As mulheres gostam de homens que as façam rir, é verdade. E, acreditem, os homens também. Mas aquela conversa de que temos de mostrar o nosso melhor lado e a melhor versão de nós mesmas é simplesmente estúpida. Sejam vocês próprias. Quando é que se sentem confiantes? Quando estão com os vossos amigos e com as pessoas com quem se sentem à vontade, certo? Porque sabem que gostam de vocês, ponto. É essa a atitude que têm de ter sempre - é assim que vão fazer a outra pessoa sentir-se bem convosco.

Além disso, os opostos não se atraem. Isso é a conversa que gostamos de dar a nós próprios quando tentamos arrastar uma relação que já sabemos que não está a funcionar. Ontem estava a ver o 'Are You The One' na MTV (jogo onde 10 homens e 10 mulheres têm de encontrar a pessoa com mais compatibilidade dentro de uma casa) e todos os concorrentes, quando tentavam adivinhar quem era o seu par perfeito, escolhiam sempre pessoas com similaridades nos gostos e na personalidade. Quanto mais parecidos, mais confortáveis se sentiam com a outra pessoa. E isto é regra básica: não se ama alguém que não ouve a mesma canção.

Estarem abertas às pessoas, é estarem abertas à vida

E esta mensagem também se aplica a mim. Não têm agora de se tornar, de repente, emocionalmente oferecidas e abrirem-se a toda a gente. Adoro a expressão emocionalmente oferecidas. Mas aceitarem e deixarem que as outras pessoas entrem na vossa vida e criarem oportunidades para estarem sozinhas com alguém é importante. É ao estarmos sozinhos com alguém que conseguimos observar os seus traços, ver como se comportam, como se movem, a que cheiram, o que pensam, o que gostam, o que desejam... São estes pequenos detalhes que, sem nos apercebermos, nos fazem apaixonar.

Uma amiga que saiu de uma relação longa (mas meeeesmo longa) dizia-me que não sabia se ia conseguir tão cedo estar com alguém porque ainda tudo nela a fazia lembrar da outra pessoa. Mas a verdade é que, por mais cliché que isto seja, o amor está ao virar da esquina e por mais partido que o nosso coração esteja, um novo amor tem a capacidade de colar todos os mil bocados novamente. É só estarmos abertas à vida. Ela conheceu um tipo numa festa que fomos no outro dia - um amigo de outro amigo nosso - e, de repente, já rolaram uns beijos e várias saídas a dois. Alguém que, há três semanas, estava tão negativa em relação ao futuro está, agora, a viver numa nuvem.

É esta a capacidade que o amor tem. Apaixonarmo-nos tem o poder de mudar a nossa vida, de vermos beleza onde antes não víamos, de acreditarmos em novas oportunidades, trabalharmos melhor e, sem dúvida, sermos melhores pessoas.

O 501 de Carmen Foya





Eu não sou uma leitora snob nem daquelas que gosta de dizer que só alimenta cultura. Na verdade, sou mesmo é uma leitora popularucha. Acho que de pretensiosos está o mundo cheio - daqueles que dizem que só veem documentários mas, na verdade, estão vidrados na Casa dos Segredos ao domingo à noite. Gosto de ler várias coisas. Há alturas em que me apetece algo mais pesado e outras em que simplesmente quero descontrair com leituras leves que me façam rir.

Além disso, gosto de descobrir novos autores, gosto de ver autoras portuguesas a desbravar caminhos e, enquanto aspirante a futura escritora-qualquer-coisa-mais-que-jornalista, torço imenso pelo sucesso das outras pessoas. Penso sempre que se elas conseguiram, eu também vou conseguir. Vai daí, quando a autora de O 501 - escrito com o pseudónimo Carmen Foya - me contactou para me mostrar o seu romance, só o podia receber de braços abertos.

Para começar, tem muito sexo - que é já para atiçar os mais curiosos. Já li por aí coisas a referir um 50 Sombras de Grey à portuguesa e, embora odeie comparações com fenómenos estrangeiros, com a quantidade de descrições de sexo que este livro tem, é impossível fugir a essa analogia, embora a história siga outro rumo. Tem muitos clichés à Sexo e a Cidade que, infelizmente, se tornou por si só um cliché, mas tem uma coisa interessante: a forma como a escrita desperta as próprias sensações nos leitores.

Para quem gosta de romances e histórias de amor que não sigam o registo clássico do rapariga conhece rapaz, rapaz salva a vida de rapariga, esta é uma história inspirada em factos verídicos e que se resume a uma mulher independente dos tempos modernos na sua incessante busca pelo amor. Que ao fim e ao cabo é o que todos procuramos. A única diferença é que, pelo caminho, a personagem de O 501 tem muito, muito, muito (já disse muito?) sexo. E muitos episódios que nos fazem soltar gargalhadas.

Há uma abordagem neste livro que gostei muito. A autora fala sobre a quantidade de pessoas ingratas que já "moraram" nos nossos corações, como uma casa por onde passa tanta gente mas acaba sempre vazia. E é impossível não darmos por nós a pensar nas nossas próprias histórias, amores e desamores.

É uma leitura super leve, cai bem enquanto livro de férias para se ler na praia, para passar um bom bocado, para se rirem ou, quiçá, para despertarem os vossos sentidos. 

O 501 de Carmen Foya, publicado por Chiado Editora.