A minha estante #1


Este é um post que, mais do que mostrar uma novidade na minha vida pessoal e profissional, espero que possa ser interpretado como inspirador e dê - a quem precise - uma boa dose de motivação.

Uma história para vos motivar 

Sempre fui obcecada por livros - desde sempre, desde que me lembro de mim, desde que aprendi a ler e a escrever. Talvez a escrita fosse para mim uma forma de comunicação interna [e o que acabei por vir a fazer como profissão] mas a leitura foi, mais do que um hobby, uma forma de estar e de ser. E no início de 2014 - quando iniciei a minha viagem de freelancer - comecei a ter uma obsessão: eu queria escrever para a revista Estante da Fnac. Nada fazia mais sentido para mim do que escrever para e sobre livros. Não só porque já lia religiosamente o site mensalmente, mas porque queria contribuir para ele.

As dezenas de emails enviados sem resposta...

E foi o que fiz: contactei para o email geral da Estante uma boa dezena de vezes. Mandei emails, mandei pedidos de reuniões, mandei, mandei e continuei a mandar. Nunca tive uma única resposta. A meio de 2015, soube que a Estante era feita por uma agência e - mais uma vez vira o disco e toca o mesmo - contactei a agência. Falei sobre a minha paixão por livros, o quanto gostava do projecto e se houvesse alguma oportunidade de colaborar com eles... estava 500% disponível. Mas nunca houve.

Novamente, os meus emails perderam-se pelo caminho, as respostas que me davam era de que iriam passar o meu contacto à pessoa responsável e nunca passava daí. Havia sempre qualquer barreira que nunca conseguia transpor. Uma qualquer Muralha da China entre mim e quem quer que fosse que tivesse que validar a minha colaboração. E 2016 chegou e nada mudou.

Não é que tivesse desistido mas, vocês sabem, às vezes também temos que esperar por uma melhor oportunidade. E foi então que, no início do ano, a Esfera dos Livros e outras editoras repararam em mim e no quanto eu falava [e devorava] livros. Começaram a falar comigo e a discutir temas que me interessavam "literaturamente" falando. Eu própria comecei a falar por aqui mais de livros e foi isso que fez toda a diferença. Há dois meses, a Fnac contactou-me para me sugerir um livro que estavam a divulgar - lembram-se d'O Rouxinol? - e que eles achavam que tinha tudo a ver comigo: personagens femininas em tempo de guerra e uma mensagem de girl power.

E - porque nada acontece por acaso - falei-lhes do quanto eu queria colaborar/escrever, tanto para o site como para a revista em papel. E as dezenas de emails que já havia mandado, os pedidos à agência, as tentativas de contacto chegaram, por fim, a bom porto. 

Eu sou uma leitora do teu blog, disse-me a responsável de lá, e já tinha pensado em falar contigo para saber se tinhas interesse numa rubrica na Estante. E voilá, dois anos depois, a Estante passou a ser finalmente a minha estante. Sentei-me com eles, pensámos numa série de ideias e num tema - à lá girl power claro - que pudesse vir a ser o meu tema fixo. 

O meu objectivo? Mostrar-vos como ler continua a ser um dos maiores prazeres que podemos ter na vida. Uma magia palpável ao alcance de todos nós. E como por mais que seja uma grande [perdoem-me] merda andar atrás daquilo que queremos quando só nos dão nãos ou - neste caso - nos ignoram, há que contornar estes obstáculos e, acima de tudo, continuar a acreditar naquilo que realmente queremos e mantermo-nos nesse caminho. Eu continuei a falar de livros, sem esperar nada em troca. Mas, sem sequer imaginar, acabei por chegar à pessoa responsável que, também por ser amante de livros, descobriu o meu blog.

Acabou de ficar online a minha primeira rubrica digital - sobre e para mulheres, é certo - e a partir de Setembro vou começar a mostrar-vos uma série de temas novos. Se, com isto, conseguir que apenas uma única mulher encontre na leitura um prazer, já terá valido a pena.
Podem ler a primeira aqui :) 


Eva de Wm. Paul Young


Gosto de sugerir leituras diferentes, apelativas a vários tipos de leitores. Porque tal como eu não gosto só de romances históricos, embora sejam dos meus favoritos, acredito que também desse lado existam pessoas com gostos completamente diferentes. E também gosto de leituras leves, de comédias, de romances actuais, de fantasia... Para quem leu A Cabana, já pode imaginar que Eva siga o mesmo registo bíblico onde é preciso, enquanto leitores, sabermos distinguir o romance da teologia. E sermos, acima de tudo, leitores de espírito aberto.

Para quem leu a palavra bíblico e já esta a revirar os olhos e a pensar 'esta treta não é para mim', eu também achei isso mas acabei por ser surpreendida. Em traços rápidos, Eva é um romance fantasiado mas baseado na ideia da criação e queda da humanidade, onde Eva foi a culpada por ter provado do fruto proibido, o que levou à cultura misógina que marca toda a nossa história e que continua a ajudar os homens a perpetuar a ideia de que as mulheres são o sexo fraco.

E o que o autor faz é criar duas histórias num só livro: à superfície, acompanhamos a história de uma jovem que é encontrada num contentor, juntamente com mais raparigas traficadas, que dá à costa de uma ilha mágica cheia de personagens, refúgios e um outro universo para lá da vida real. Ao longo do livro vamos acompanhando a sua cura e redenção face ao seu passado (a mãe vendeu-a, foi violada, traficada, literalmente esterilizada para poder ser violada sem engravidar e acaba num contentor) e como a cura exterior (está fisicamente mutilada) precisa de acompanhar a cura interior. Mas debaixo desta leitura fácil, desdobra-se uma história muito mais profunda onde acompanhamos uma releitura bíblica da expulsão de Adão do Jardim do Éden onde, neste caso, o autor procura absolver Eva da total culpa, expondo (fantasiosamente) o lado fraco de Adão.

Todos temos a liberdade de confiar e a liberdade de nos irmos embora. Este é o mais profundo e, por vezes, doloroso mistério de comunidade e amor.

Mas a verdade é que, neste romance, mergulhamos num universo cheio de criaturas mágicas criado por Wm. Paul Young onde o enredo fantasioso se mistura com a história de Adão e Eva e nos toca directamente ao coração. Somos confrontados com conceitos tão básicos mas que, no dia a dia, nos esquecemos: felicidade, perdão, redenção, cura, crescimento. E com questões tão práticas como o bem e o mal e como, não importa o que a vida nos traga, nunca estamos sozinhos. Mesmo uma pessoa não-religiosa consegue ler e identificar-se com a premissa e ensinamentos deste livro.

A única coisa menos boa, ou que podia ter sido melhor explorada pelo autor, é o universo mágico da ilha. Isso acaba por ser esquecido e, ao ler, estava com imensa curiosidade em conhecer mais das pessoas da ilha, do que fazem, dos seus mistérios. Quiçá, isto fica para um outro livro.

O meu conselho? Se se sentirem confusos durante, sei lá, 80% do livro, é normal. Eu também estava. Mas, apesar de confusa, também estranhamente envolvida. Então continuei a ler. E a ler. E a ler. E no fim, percebemos tudo :)

Eva de Wm. Paul Young, publicado por Porto Editora. Foi publicado em Portugal no mês passado e está em desconto na Fnac online. Aproveitem yey!

Agosto em Lisboa


Há dois anos, não tive férias porque tinha acabado de me despedir para abraçar toda esta ideia de ser freelancer. E sem dinheiro, não há festa e o meu verão foi passado basicamente em casa, nas praias da linha e pouco mais. Também não tinha grande motivação para mais nada e estava em período de adaptação a todo o meu novo eu.

Este ano, voltei a não ter férias. Desta vez por motivos diferentes: estou a abraçar projecto novos que obrigaram a uma grande dose de compromisso. E por mais que me apetecesse sair daqui e viajar, percebi que se queria levar as coisas avante, tinha de ficar cá. Porque em férias, não ia conseguir fazer nada. Mesmo que levasse o computador e me obrigasse a trabalhar, não seria a mesma coisa. Porque é preciso concentração e dedicação. E também abdicar de algumas coisas. Eu abdiquei das férias. 

Criei uma rotina em que trabalho todos dias, é verdade. Mas tirei manhãs para ir à praia e à piscina, fins de dia para jantar com amigas, um dia por semana dedicava-o simplesmente a passear - quase como um day off para restabelecer as energias. Fui a museus, a festivais, continuo a ler bastante e aproveitei o que Lisboa tem de tão bom em Agosto: o facto de estar vazia. É um bocado auto-mutilação - quando nos apetece sair com amigos mas obrigamo-nos a dizer que não. Mas acredito que, no fim, vai valer a pena. 

Há um provérbio japonês que diz: treine enquanto eles dormem, estude enquanto eles se divertem, persista enquanto eles descansam e, então, viva o que eles sonham. 

Este blog também se ressentiu, é verdade, porque precisei de fazer uma pausa nos posts diários. Mas é por uma boa causa: tenho novas coisas a surgir em breve. E mal me aguento de excitação enquanto não vir tudo cá fora. Acho que a vida de freelancer é mesmo assim: não há fins-de-semana, não há datas para férias mas há uma grande dose de satisfação por acreditarmos que estamos no caminho certo.

Oreo de Fran Ross



Mais um livro de verão: desta vez, uma leitura completamente diferente de tudo aquilo a que estão habituados. Em 1974, no auge do Black Power Movement, um movimento socialista e activista em prol dos direitos dos negros que começou nos anos 60, Fran Ross publicou este livro e criou uma heroína meio negra meio judia, que é brilhante: Oreo. Acabou por ser o seu único livro publicado porque morreu a meio da sua segunda obra mas marcou uma geração de escritoras afro-americanas que não têm medo de satirizar a sua própria cultura.

Mas os brancos não curtiam a criminalidade nas ruas, ao contrário da malta negra; não gramavam levar uma coça ou que lhes assaltassem a casa ou que lhes violassem a mulher, ao contrário da malta negra; não ficavam felizes da vida por os filhos andarem a pastilhar, a fumarem charros, ao contrário da malta negra. Não se devia permitir que aquela gente macambúzia e sempre de trombas se misturasse com os negros decentes, que tanto gostavam de se divertir um bocado. A cidade adoptou um regulamento de conduta pra moradores extremamente rigoroso, que era suspenso no caso dos negros e reentrava em vigor sempre que apareciam brancos.

Antes de mais, não vão ler este livro como um romance simples porque é impossível: a própria construção do livro é altamente louca e bizarra, onde vamos acompanhando a família de Oreo num registo livre (ou sem uma grande lógica cronológica) onde o presente e o passado se misturam e vamos lendo pequenas histórias da família, todas elas numa linguagem fluída, como se Oreo fosse uma amiga nossa que nos está a mostrar as peripécias bizarras da sua família com uma dose gigante de humor. É um romance simplesmente engraçado, com ironia e sarcasmo ao mesmo tempo que se faz uma sátira da sociedade que, apesar de ter sido escrito em 1974, podia ser um livro de hoje.

Deixem-me que vos diga uma coisa: as minhas pessoas literárias favoritas são mulheres. E as minhas mulheres favoritas são as inteligentes e independentes (Jane Eyre, Elizabeth Bennet, Madame Bovary... a lista é infinita). E tenho uma nova categoria de mulheres favoritas: as inteligentes, independentes e divertidas. Acho que estou apaixonada por Oreo, pela forma como ela lida com as situações. Há um episódio em que ela mete um anúncio no jornal a pedir um emprego e liga-lhe um suposto médico que a quer contratar como assistente mas, antes, quer fazer-lhe um teste pelo telefone: O teste consiste em dizer a cor da sua lingerie, as palavras calão que ela conhece para o acto de fazer sexo, como é que se excita e um rol de perguntas depravadas em que Oreo, com 16 anos, percebe logo que ele é um tarado mas continua o jogo dele e pede-lhe para ir ter com ela, dando a morada da sua vizinha do lado ninfomaníaca e pregando um grande susto ao tarado.

Todo o elenco deste romance é extremamente peculiar e improvável, o que lhe dá mais piada: um pai judeu desaparecido que tenta tornar-se um grande actor na Big Apple, uma mãe negra, também ausente, que anda em digressão pelo mundo com o seu talento musical e obcecada em equações matemáticas, uma avó materna que tem uma forma de falar própria e troca as palavras todas, um avô materno que, ao saber que a filha ia casar com um judeu, teve um ataque e ficou paralisado (passa metade do romance como uma personagem secundária paralizada numa cadeira mas que vê tudo), um irmão que fala a cantar, uma vizinha ninfomaníaca... Todo este grupo de personagens são altamente únicas, divertidas e interessantes, tornando este livro um entretenimento do início ao fim e que podia ser um bom piloto para uma série de televisão.

E mais: digo-vos que é um livro que todas as raparigas deveriam ler e todas as mães deveriam oferecer às suas filhas. Acredito que, enquanto crescemos, todas precisamos de boas influências. E Oreo é uma heroína feminista sábia para a idade, resistente às situações da vida e que na sua missão (a procura pelo seu pai) leva tudo com humor, ensinando-nos a viver a vida de uma forma absolutamente única: a rirmo-nos de tudo.

É interessante também sabermos que, quando Fran Ross o escreveu, este livro foi imediatamente esquecido e não teve sucesso, considerado um livro à frente do seu tempo. Nos últimos anos, tornou-se uma leitura de culto e uma das obras-primas da escrita humorística do séc. XX.

Oreo de Fran Ross, publicado por Antígona Editores. Foi publicado em Portugal (e traduzido) no mês passado e já está à venda na Fnac online.

A minha pele produtos usados e dicas pessoais














Uma das coisas que mais gosto de ler, a nível de beleza, são artigos pessoais escritos por colegas jornalistas, peças de opinião e, no caso dos blogues, posts reais com produtos usados. Porque ao fim e ao cabo, acabam por ser mais fidedignos e há todo um toque individual com o qual podemos aprender.

No último ano, falei várias vezes de acne: porque foi algo com que na adolescência não passei e, em adulta, a minha pele transformou-se. Tive muitos picos de acne e problemas dermatológicos nos últimos 6 anos, muito graças à disfunção da Tiróide que me foi diagnosticada aos 23 anos e cujos efeitos se fazem sentir muito na minha pele. Apesar do meu acne (felizmente) nunca ter sido extremamente agressivo ou eruptivo, deixou-me marcas na pele e, nas suas piores fases, fez-me sentir desconfortável. Hoje em dia, o meu maior problema são mesmo as marcas mas isto fica para outro post.

Neste (ainda) não vou falar sobre o acne em si, vou falar sobre alguns truques gerais que apliquei no último ano e onde vi melhorias absolutas na minha pele. E dos quais qualquer mulher pode beneficiar.

A cosmética que fiz

Como podem ver pela foto, quase todos esses produtos estão vazios ou praticamente a acabar. E uma coisa que quero referir é que não estou necessariamente a sugerir estes produtos em específico. Antes de me ter dado bem com estes, dei-me mal com outros. A minha pele reagiu mal a vários tratamentos de marcas boas e com gamas específicas para acne. Cada pele é individual e porque eu me dei bem com estes não significa que toda a gente se vai dar. É o tipo de produto em si que interessa e que têm de procurar:

  • A limpeza: já toda a gente sabe que a limpeza é fundamental. Mas uma coisa que coloquei em prática, e sobre a qual escrevi no Observador no final de 2015, foi uma rotina inspirada nas Coreanas onde inseri óleo desmaquilhante + gel de limpeza + tónico. O óleo vai remover os detritos à base de óleo como a maquilhagem e o gel vai retirar tudo o que sobra, nomeadamente detritos à base de água como suor e sujidade. No meu caso, vi que a minha pele reagia melhor ao contrário: primeiro o gel e depois o óleo. No fim, o tónico: vai remover qualquer resíduo das etapas anteriores, repor o pH da pele e basicamente prepará-la para tratamentos posteriores. Eu, pessoalmente, dei-me muito bem os produtos de limpeza Pureté Thermale de Vichy e com o óleo de Caudalie.
  • Esfoliante + máscaras: até ao ano passado, as máscaras eram realmente um produto ignorado por mim. Eram o patinho feio da minha rotina diária. E só quando comecei a ler mais sobre elas, a escrever e a experimentá-las, é que fiquei convencida. São como um shot de hidratação na pele e valem a pena todo o tempo (e dinheiro) que investimos. Alguns esfoliantes, ainda me faziam pior porque me inflamavam ainda mais a pele e, pessoalmente, dei-me bastante bem com os produtos Caudalie. Esta máscara já tem uma acção esfoliante e, quando preciso de uma acção mais forte, o créme exfoliante actua de forma bastante suave.
  • Tratamentos: em casa de ferreiro, espeto de pau. O que significa que muuuuuitas vezes falhei com os tratamentos ou não os levei até ao fim por não ver resultados. O que quero destacar é que não defendo tanto o uso de gamas completas: para mim o que é mais importante é dizer-vos que devem encontrar produtos que respondam às necessidades da vossa pele em vários momentos. A minha pele seca muito durante a noite e o Clinique superdefense night, ao ser um boost de hidratação, funcionou comigo. Durante o dia, percebi que precisava de algum cuidado regenerador e quis apostar na vitamina E. Dei-me bastante bem com a gama da The Body Shop. Como tenho picos de acne, há dois produtos que nessas situações funcionaram: o óleo detox de Caudalie que faz uma regeneração nocturna (aplico depois de lavar o rosto e antes do creme) e o Hyséac pâte sos de Uriage topicamente nas borbulhas.

5 Dicas pessoais

Grande parte do sucesso de um bom tratamento de pele é a forma como tiram partido dos produtos que usam. Não basta seguirem à regra o que as bulas dizem. 

  1. A hora a que aplicam os produtos é importante: os produtos de noite não são para ser aplicados às duas da manhã. Entre as 22h e as 23h é quando o corpo melhor vai absorver os tratamento nocturnos.
  2. Não se desmaquilhem antes de dormir. Façam-no mal cheguem a casa porque, assim, a vossa pele vai usufruir de mais tempo descansada.
  3. Eu não tive rotinas de horários durante muito tempo. Ser freelancer significa não ter mesmo regras e durante meses dei por mim a deitar-me diariamente às três de manhã e a acordar já perto do meio-dia. Não ter horários correctos também estava a prejudicar a minha pele porque o corpo tem um horário biológico e os cosméticos são feitos a pensar nisso. Neste artigo no Observador expliquei de forma pormenorizada a sincronização dos cremes com o corpo.
  4. Tirem mais partido dos produtos: percebi que quando aplicava topicamente a máscara glicolique de Caudalie nas borbulhas à noite (e deixava actuar durante a noite toda), elas estavam secas de manhã. Por outro lado, também vi que o pâte de Uriage comigo funciona muito melhor como uma espécie de "penso" antes da maquilhagem para quebrar a inflamação durante o dia. Aplico uma bolinha na borbulha, esbato com o dedo, espero cinco minutos e maquilho-me por cima. A borbulha fica com uma película por cima.
  5. Levem os tratamentos até ao fim. Muitas vezes, não vão ver resultados em duas semanas. É preciso persistir, manter as rotinas e não esperar por milagres: a pele precisa de tempo para reagir aos ingredientes.

Costumo receber emails e mensagens de leitoras com dúvidas relativamente a tratamentos ou problemas de pele. Por isso, sintam-se à vontade. Se eu poder ajudar, terei todo o prazer :)

300 dias de sol de Deborah Lawrenson



Mais um livro de verão - mas desta vez não é para chorar. Mas são capazes de trocar uma noite numa discoteca qualquer para o ficar a ler pela noite dentro. Quando peguei no 300 dias de sol, pensei que ia ler um romance parvo na praia e acabei envolvida num policial onde há mistério, crimes, uma pitada de romance e - txan txan txan - é um livro passado em Portugal, mais precisamente em Faro. Entretanto fui pesquisar pela autora e percebi que é bastante conhecida lá fora e totalmente anónima no nosso país, o que é irónico porque a sua investigação sobre Faro, Lisboa, Cascais, Estoril e partes da nossa história é absolutamente incrível.

Estava tudo em silêncio e não ouvia mais ninguém em cima. - Por aqui, tem cuidado com o precipício - disse. Agarrou a minha mão com mais força - aconteça o que acontecer, não me largues. Agora olha lá para dentro - segredou - consegues ver? Uma espiral de penas brancas. Era um enorme ninho de cegonhas.

O enredo base do livro é o rapto de uma criança - remete logo imediatamente para o caso Maddie mas é apenas uma coincidência - e, a partir daí, entramos no universo das duas personagens principais e das investigações que dão corpo a este mistério intrigante. E quando pensamos que o livro se vai ficar por um policial cheio de espionagem e duas personagens principais apaixonadas no meio de um crime, Deborah faz uma coisa extremamente interessante: cria um novo livro dentro do livro ao colocar-nos a ler o que a personagem está a ler. E deixamos de nos focar no desvendar do mistério do rapto, para entrarmos num livro (ficcional) sobre a II Guerra Mundial em Lisboa, a espionagem, os crimes de guerra, o jornalismo falso e o romance entre uma americana e um nazi, num labirinto de relações entre personagens que nos deixa sem fôlego e em ânsias para resolver o crime. Ao longo do livro vamos saltando entre estes dois períodos temporais que aparentemente podem não estar relacionados mas, afinal, são uma parte-chave de todo o mistério, o que torna esta leitura uma festa.

Uma das coisas que mais me fascinou é que a personagem principal, Joanna Millard, é uma jornalista acabada de ser despedida e que viaja para Faro para fugir de todos os problemas da sua vida. E quando viajamos sozinhos, tendemos a absorver muito mais o ambiente que nos rodeia e a criar relações muito mais próximas com as cidades. E é exactamente o caso: o envolvimento da personagem com Faro é intenso ao ponto de darmos por nós a ler pormenores sobre o nosso país aos quais, provavelmente, nunca prestaram atenção mas que a autora de alguma forma os achou relevantes para os colocar no seu livro. E faz um trabalho fantástico ao conseguir enviar-nos mentalmente para todos os cenários com descrições absolutamente fenomenais. Vá, confesso que fiquei com lágrimas em alguns momentos: mas porque as descrições das nossas tradições estão irrepreensíveis. Parece que a autora viveu cá, mas não. Apenas passou duas semanas em Faro com a filha, apaixonou-se pela nossa cultura e conseguiu transmitir a nossa história de uma forma comovente.

Porque é que o livro se chama 300 dias de sol? Porque, numa das partes, é referido que é impossível ser-se infeliz num país que tem 300 dias de sol ao ano - o nosso. O que me deixa a pensar que isto é capaz de ser verdade e que só nós, que cá vivemos, é que não lhe damos o devido valor.

300 dias de Sol de Deborah Lawrenson, publicado por Editorial Presença. É uma novidade e, por enquanto, já está esgotado no site da Fnac, só por isso já podem imaginar o power desta leitura. Vale a pena uma deslocação à loja para o procurarem :)

Nota actualizada: já está disponível em venda online na Fnac.