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#2 O primeiro fecho de edição no manicómio

24 de julho de 2017


10 anos a falar de empowerment

21 de julho de 2017

A Evódia que, hoje em dia, trabalha em vários projetos com mulheres cabo-verdianas e criou a plataforma Womenise It

Teremos nós capacidade para nos apercebermos dos momentos que mudam a nossa vida? Continuo a achar que não. Se tivéssemos consciência deles, dar-lhes-íamos muito mais atenção. Mas, nesse caso, talvez não se tornassem momentos-chave de mudança.

Quando um estranho nos aborda na rua...

20 de julho de 2017


No outro dia vi este vídeo (em baixo) sobre o amor bonito, cliché, romântico, mágico, intenso, imprevisível e todos os adjectivos que lhe quiserem chamar. Aquele amor que todos (secretamente ou não) desejamos encontrar mesmo ali ao virar da esquina, na nossa vida banal, no dia-a-dia, enquanto esperamos pelo metro ou tomamos café ou lemos um livro ao final do dia. Porque, na verdade (e nisto acredito mesmo), todos começamos como estranhos uns para os outros.

O único problema desta visão tão cor-de-rosa da coisa é que não é simplesmente real. E isso continua a dar continuidade aos desejos fantasiosos que perseguimos e que, de forma muito prática, nos fazem perder as oportunidades que realmente são reais e estão mesmo ali à nossa frente.


Vamos analisar esta ideia tão fofinha das relações. Se um tipo olhasse para mim desta forma, o mais provável era eu levantar-me e ir embora. Porque, sim, começamos todos como estranhos mas o mundo está cheio de tipos demasiado estranhos.

E agora o que eu quero mostrar é o outro lado deste vídeo e a mensagem errada que passa.

Em 99% dos casos, se uma mulher não dá resposta aos avanços de um tipo, significa simplesmente que não está interessada. Se ela não tira os headphones para falar com ele e diz que não tem número de telefone, está basicamente - e de forma até bem educada, eu não seria tão cortês assim - a dizer que 1) não quer ser incomodada, 2) não está interessada e 3) não, não está a fazer-se de difícil à espera que o tipo pense em formas românticas e bonitas de a abordar. Muito menos vindas de um estranho. Até porque na vida real muito dificilmente nos cruzamos com as mesmas pessoas nos mesmos sítios à mesma hora. A não ser que, sei lá, trabalhemos ali ao lado e estejamos ali todos os dias na hora de almoço a beber café. E neste caso, a abordagem até está mais ou menos positiva: muitos tipos não sabem simplesmente o que fazer para nos abordar sem parecerem assassinos psicopatas porque, lá está, são como nós. E estão a tentar fazer qualquer coisa com piada para chamar a nossa atenção.

Mas o que este vídeo mostra é que nós, mulheres, quando dizemos não, na verdade queremos dizer que sim. Mas queremos que os homens se esforcem um pouquito mais. E isso é uma mensagem tremendamente errada. Claro que não estou a generalizar. Gosto de homens que se esforcem mas há uma diferença entre um tipo que conheço e se está a esforçar para (e esta é a minha palavra favorita de sempre) me conquistar e um tipo bizarro na rua que fica a olhar para mim no banco e a colar-me post-its nos meus livros à espera que eu responda aos seus avanços. Estes são aqueles que, depois, nos vão esconder numa cave debaixo da casa dele.

Um dos grandes problemas desta geração que se esconde atrás das redes sociais é que perdemos aquela capacidade básica de abordar alguém, de conversar, de tentar conhecer. E nisto, este vídeo até está a acertar na mouche embora de uma forma um pouco incoerente: temos de voltar a ter coragem de falar com as pessoas. Em tempos, um amigo disse-me algo que nunca mais me saiu da cabeça: tu não tens coragem de abordar um homem que te atraia, mas aqueles que te vão abordar são exactamente aqueles que tu não queres. Quando eles vêm com a conversa toda é porque já a praticaram demasiadas vezes e aqueles que tu gostas são os que nunca te vão abordar porque têm tanto medo de serem rejeitados como tu.

E isto foi a coisa mais certa que alguém me disse. Podemos ficar à espera encostadas ao balcão do bar e ser apenas mais uma que um tipo abordou durante a noite (a ver se tem sorte). Ou podemos ter cojones para, se alguém nos atrair, abordar, dar o primeiro passo, convidar para um café e por aí além. Porque, acreditem, o homem errado é sempre aquele nos vai abordar facilmente. Porque está demasiado habituado a isso. E há mais: se estamos num grupo de amigas, um homem não nos virá abordar porque se sente tão intimidado quanto nós nos sentiríamos a abordar um tipo num grupo de homens. Se estamos na rua com os headphones nos ouvidos, um tipo não nos irá abordar como o do vídeo. Se estamos num café a falar ao telefone ou a rolar pelo Instagram a passar o tempo, um tipo não nos irá abordar porque não faz ideia se estamos solteiras ou a falar com alguém. Há mil e uma condicionantes e, tal como nós, os homens também pensam nelas todas. E, provavelmente, 99% dos homens não vai fazer o que este tipo do vídeo faz por uma única razão: têm medo de parecer phsycos. Como este parece.

O que não podemos fazer? Acreditar nestas mensagens deste tipo de vídeos que, no final, até têm boas intenções (spoiler: ela é surda e é por isso que não tira os headphones) mas que são uma fantasia. Gostava de conhecer o tipo que teria coragem de fazer isto.

Se não queremos estar sempre a conhecer cabrões, temos simplesmente de saber ler os sinais - porque eles estão sempre lá. Os olhares, os sorrisos... e quando olhamos para alguém, o nosso cérebro demora 0,3 segundos a responder a um estímulo e, neste caso, para sabermos se a outra pessoa nos atrai ou não. E, aí, podemos dar o primeiro passo com aquele homem que nunca o irá fazer porque, na verdade, tem tanto medo como nós. Se ficamos eternamente à espera de encontrar o amor ao virar da esquina, só vamos conhecer tipos bizarros que nos continuam a chatear mesmo quando dizemos que não.

#1 26 mil horas sem matar o patrão | A entrevista

17 de julho de 2017


Foda-se. Foi exactamente isso que pensei quando, numa quarta-feira às quatro em ponto da tarde, entrei nos escritórios daquela que, viria a saber depois, era, afinal, uma revista feminina portuguesa até bem cotada. Não em bolsa mas em números. Tudo se resume aos números e, atenção, as redes sociais ainda nem dominavam a nossa realidade porque estávamos em 2010. Eu que nunca tinha lido uma revista feminina na vida, acabei por me rir para mim própria pelos acasos da vida. Estacionei o carro a meio da avenida da Liberdade e, depois de passar uns bons 10 minutos de cabeça no ar a ler os letreiros das portas, lá encontrei o número 320. Respirei fundo – nem sabia bem o que raio estava ali a fazer – e entrei. Apanhei o elevador para o quinto piso.

A minha festa havaiana em casa por menos de 30€

12 de julho de 2017


Na semana passada, fez exatamente 3 meses que mudei de casa. E claro que, para muita gente, isto pode não ser assim tão relevante. Mas é a primeira vez que estou a morar sozinha. Sem uma amiga, sem um namorado e sem ninguém para me paparicar. Então, claro que foi uma mudança que acabou por ter um impacto emocional maior do que estava à espera. Passei por aquelas fases estúpidas que qualquer pessoa passa como assustar-me com qualquer barulho à noite. Mas fora estas coisas mais parvas, pesou também em mim a questão do conseguir sentir-me em casa numa casa que nunca foi minha.

10 anos de cabelo e alguns cuidados importantes ao sol

11 de julho de 2017


Eu nunca liguei muito ao meu cabelo, na verdade. Isto até em 2008 me terem diagnosticado hipotiroidismo e simplesmente ter quase ficado sem nada. O meu cabelo sempre foi volumoso, ondulado e longo - sempre. Quando começou a cair e a ficar cada vez mais fino, fui obrigada a cortá-lo. Desde então, nunca mais o consegui ter comprido porque ele é frágil, quebradiço, fino e quanto menos o corto, mais danificado e feio fica. Neste exacto momento, ele está o mais comprido que consegui nos últimos 9 anos. Mas, acreditem, está tão fino que, às vezes, até tenho medo de o pentear. Sei que, no fim do verão, vou ter de o cortar mas quero tentar, pelo menos, não ter de fazer um corte à Beatriz Costa como no ano passado.

O meu vizinho do lado (é um cabrão)

10 de julho de 2017


Eu adoro viver em prédios porque nos dá uma sensação de "companhia" e comunidade. Por outro lado, e porque sou paranóica, também me cria um certo medo por viver à mercê de quem vive em cima de mim. No outro dia houve um incêndio enorme a três prédios do meu (foi uma manhã de pânico com ambulâncias, bombeiros, polícia, muito fumo e gritos) e só escapou o r/c. O incêndio, que começou no primeiro andar, alastrou até ao terceiro. Felizmente foi num dia de semana e a maioria das pessoas não estava em casa mas, mesmo assim, deixou-me a pensar que, por um descuido de um vizinho inconsciente, posso um dia acordar com a casa a arder. O que, enfim, é mais um medo para acrescentar à minha lista infinita de terrores que me passam pela cabeça.

Mas, deixando as minhas paranóias de lado, adoro o meu vizinho do lado. Calma, não faço ideia quem ele seja. Já o vi, é certo. Já dissemos olá, boa noite, tudo bem? Ele já disse que não gosta de gatos. Mas gosta muito de fazer festas ao fim-de-semana. Mas o que adoro no meu vizinho do lado - eu que sou uma pessoa observadora - é a quantidade de mulheres que ele recebe em casa.

Numa primeira instância, e porque eu faço logo toda uma telenovela, cheguei a pensar que ele dirigia alguma casa de meninas. Ou, para ser menos drástica, algum serviço de encontros amorosos porque entra e sai muita gente de lá. Claro que pode ser apenas um tipo bastante social. E cheguei até a pensar que ele poderia ser de uma religião e ter várias mulheres. Mas, na verdade, ele é apenas um grande cabrão.

A mulher #1

Há uns tempos, andei irritada com a merda de um carro que estava estacionado no meio de dois lugares (numa rua já de si difícil para ter lugar nos dias mais lotados). E o carro aí ficou durante uma semana inteira comigo a rezingar todo o santo dia e com vontade de furar um pneu. E ele andou silencioso, então constatei que devia ter ido de viagem com uma das suas mulheres. Acabei por ter a sorte de me cruzar com ela exatamente no momento em que estava a ir embora. Claro que, de forma muito simpática, dei a dica de que o carro tinha ficado no meio de dois e isso prejudicava os moradores (sim, eu sei, sou uma velha de 80 anos a reclamar com os carros mal estacionados). Factos sobre a mulher #1: tem cabelo loiro comprido e uma filha para aí com cinco anos que, nesse dia, estava a sentar no banco de trás.

Já voltei a ver este carro mais vezes na rua e, curiosamente, sempre bem estacionado. Vale a pena reclamar.

A mulher #2

O meu vizinho vai muito ao ginásio ou, então, apenas tem um saquinho de ginásio que anda com ele todos os dias. Esteja frio ou calor, o meu vizinho anda de havaianas e acho que nunca lhe vi os pés calçados. E no outro dia, depois de chegar a casa à noite, voltei ao carro para ir buscar uns sacos e o meu vizinho tinha a porta aberta - coisa que tem muitas vezes até e já vi que tem um quadro de NY pendurado no hall de entrada. Deixa simplesmente a porta aberta para ir ao carro ou ao lixo ou sei lá onde. O que me faz concluir que, apesar de cabrão, até é boa pessoa porque confia em quem vive no prédio.

Quando vinha a entrar, já com os meus sacos na mão, o vizinho estava a subir as escadas com o seu saquinho do ginásio, as suas havaianas e uma nova amiga, também loira mas totalmente diferente da #1. Disse-me boa noite, perguntou pelos gatos assassinos (não faço ideia porque razão ele acha que são assassinos quando são provavelmente os gatos mais doces em todo o universo) e eu ri-me e respondi que ele tinha um trauma qualquer por resolver. Disse boa noite à amiga #2 que me olhou de cima abaixo e ignorou. Miauuuuu, educação para dar e vender. O que já explica as suas extensões onduladas e manhosas e as raízes pretas com aquele loiro rançoso e só tive tempo de lhe olhar para os sapatos de salto agulha horrorosos e sorrir e fechar a porta de casa.

A mulher #3

Claro que ele poderia ter terminado a relação com a #1 e a #2 ser o seu novo engate. Mas, esta semana, voltei a ver o carro da #1 e, na sexta feira, houve festinha aqui ao lado. E o carro da #1 cá estava estacionado ao lado do meu. Janelas abertas, musiquinha bem irritante e muitos risos e vozes. Mas eu até sou uma vizinha do bem que cheguei já depois da 1h, coloquei os tampões nos ouvidos e nunca mais os ouvi. Mas hoje, conheci a amiga #3. Estava a jantar aqui em casa quando comecei a ouvir gritos no prédio e, desculpem-me se pareço cusca, mas tive de ir espreitar. É mesmo para isso que temos um buraco na porta: para ver o que se passa na porta do vizinho do lado. Era uma nova amiga, esta de cabelos pretos, que estava à porta e gritava, passo a citar, assim não dá, tens que te orientar.

O meu vizinho estava encostado à porta, de t-shirt branca e... havaianas, claro. Não percebi o que é que ele dizia mas ela só respondia: não dá, assim não dá mais. E acabou por descer as escadas. Voltei a ouvir a voz dela aqui fora na rua e, porque adoro histórias, fui espreitar à janela (sou mesmo daquelas vizinhas velhas com os mirones sempre ligados) e ela, já dentro do carro e de janela aberta, espetou-lhe literalmente o dedo do meio. E arrancou numa barulheira com os pneus e a embraiagem. Eu faço exatamente o mesmo quando estou zangada e quero arrancar com o carro mas dar mesmo ênfase à minha irritação. Fiquei solidária com a amiga #3.

Pensei que, se calhar, o meu vizinho tinha acabado com a #1 e com a #2. Também não posso ser assim e pensar logo o pior das pessoas. Se calhar discutiu com a nova relação. Se calhar a amiga #3 descobriu alguns erros do passado dele. Poderia ele estar, agora enquanto escrevo isto, triste no seu sofá? Poderia, coitado, estar a sofrer? Eu sou sempre a favor do amor.

E enquanto pensava no meu vizinho do lado e no seu coração (talvez) partido, ouvi a porta da rua bater e risos nas escadas. Claro que chamei a minha velha de 80 anos e fui a voar para o buraco da porta.

E era a amiga #1 (sei que era a #1 porque reconheceria as extensões nojentas da #2 a léguas).

Olhei para o relógio - nem 15 minutos tinham passado desde que a #3 se foi embora. Ele nem deu 15 minutos desde a discussão com a #3 para chamar a #1.

Morri.

(e perdi mais um pouquinho a fé nos homens).

Conversar sem pudores: o corpo da mulher não é tabu

6 de julho de 2017


Desde que me lembro, sempre tive uma relação muito em paz com o meu corpo. Fui uma adolescente bastante - como é que poderei dizer isto? - curvilínea e cujo corpo se desenvolveu tarde - só no salto dos 14 para os 15 é que BAM! me tornei mulher e desenvolvi as curvas femininas a que não estava habituada. A minha mãe diz que, aos 12 anos, usava bodies com algodão no soutien para não ouvir "ohhhh ela sai ao pai".  Aos 15 já saía definitivamente à mãe. E mesmo quando fiquei doente, emagreci para os 42kg e bye bye maminhas (ou mamonas!), acabei por aprender a gostar do meu novo corpo. Até passei a gostar mais dele. Menos curvilíneo, mais eu.

Mas sempre vivi rodeada de amigas que não viviam de uma forma tão desprendida como eu. Sempre ouvi as suas queixas, as suas dúvidas, os seus "não gosto disto" e "odeio aquilo" e sempre lhes tentei passar mensagens positivas. Porque nada no nosso corpo é tabu. Pesar 60kg (ou 70 ou 80) não é tabu. As mamas não são tabu. Ser magra não é tabu. Ser gorda não é definitivamente um tabu. A beleza não é um tabu. A intimidade não é um tabu.

E quando criei este blogue, há três anos, sempre foi com a ideia de usar este espaço para passar exactamente o tipo de mensagens que já passo às mulheres da minha vida. Nunca quis usá-lo para falar apenas de faits divers banais do dia-a-dia (que claro que falo porque a vida também é feita disso) mas para ser uma voz activa no empowerment. Para mim, feminismo é exactamente isto. É ser uma agente de mudança e se, com as minhas palavras, conseguir tocar uma única mulher, já terá valido a pena.

O meu novo projecto juntamente com a associação Conversas Sem Pudor

Sempre quis associar-me a projetos de força - foi por isso que criei o Vive a Tua Beleza - e sempre quis ter uma voz. E finalmente vou poder ter. Foi mesmo de coração que me associei a um novo projecto - o Conversas sem Pudor - uma associação sem fins lucrativos acabada de nascer e cujo primeira iniciativa se chama Diálogos de Saúde Íntima - procura desmistificar, educar e sensibilizar as mulheres para temas aparentemente tabus: vagina, corpo, menopausa, flora vaginal, etc, etc.

O objectivo desta associação é mesmo ajudar as mulheres a resolver quaisquer que sejam os seus problemas "tabus" e a falarem abertamente sobre eles. Estima-se que, em Portugal, 40% das mulheres sofra de secura vaginal, associando frequentemente a mesma a um problema meramente sexual e de falta de desejo, quando se trata de questões hormonais ou simples desequilíbrios da flora vaginal facilmente tratados. Qual é que é o problema? A maioria tem vergonha de ir ao médico ou à farmácia e deixa isto arrastar durante anos.

Onde é que eu entro aqui?

Vou usar este blogue para contar histórias de várias mulheres. Histórias positivas, histórias sem tabus, histórias que procuram sensibilizar e inspirar as outras mulheres a gostar mais de si. O meu objectivo é dar a conhecer a associação ao maior número possível de mulheres (e homens também) por forma a ajudar a quebrar estes tabus do corpo, da intimidade e da palavra mulher.

Para já, deixo-vos com o link do projecto Diálogos de Saúde Íntima que vai ser um fórum aberto com vários profissionais de saúde que vão poder dar respostas personalizadas a toda a gente - quaisquer que sejam as suas dúvidas, medos, tabus...


E até já :)

5 dicas de organização em viagens para as neuróticas

5 de julho de 2017


Eu sou uma pessoa super organizada (em casa) e até hoje só encontrei alguém ainda mais do que eu - a Marta. Quando passámos férias juntas, enquanto eu tinha tudo dentro da mala, reparei que ela tinha tudo em bolsinhas no balcão da casa-de-banho. E fiz questão de andar a espreitar e estava organizado por categorias: cabelo, corpo, rosto e maquilhagem. Que fofinha. E as minhas coisas podiam até estar dentro da mala aos pontapés mas estava tudo organizado à minha própria maneira. Nunca fui daquelas pessoas de chegar a um sítio (ou a um hotel) e pendurar a roupa nos cabides ou arrumá-la nas gavetas. Posso passar um mês num sítio que vou ter tudo dentro da mala durante esse mês. Não me perguntem porquê. São hábito enraizados e talvez aquele inconsciente do desejo de voltar. E pode parecer tudo desarrumado mas acreditem - está organizado à minha maneira.

Nos últimos anos, tenho vindo a mudar pequenas coisas que melhoram a organização em férias. Talvez porque já me meti em alhadas. Espero nunca fazer uma viagem internacional daquelas de ter de levar meia casa porque nunca envio a mala para o porão por várias razões 1) já me partiram uma mala que me custou os olhos da cara e na altura até chorei de frustração, 2) já me abriram e revistaram a bagagem toda o que me fez sentir totalmente violada saber que alguém tinha andado a mexericar na minha roupa, nas minhas cuecas e até na minha bolsa de saúde. Tipo... porquê? e 3) quanto mais tralha levamos, maior a probabilidade de coisas que não vamos precisar e que só estão a encher.

Então, tornei-me absolutamente psicopata nisso (mais uma para juntar às minhas neuroses). Fico sempre a pensar que só vou levar coisas que - caso desapareçam - não me importo de perder. E levo sempre uma única mala pequena e organizada com o essencial.

Beleza de supermercado que vale mais do que realmente custa

4 de julho de 2017


Antes de lerem e/ou comentarem o que quer que seja, deixem-me dizer-vos uma coisa: estas fotografias foram tiradas há dois meses e, neste espaço de tempo, experimentei todos estes produtos de cabelo, corpo, banho e maquilhagem. Todos.

Como sabem, raramente falo aqui sobre beleza porque não me faz muito sentido (e porque é o meu trabalho, não quero transportar para aqui o que já faço todos os dias. É suposto este blog ser um escape...). Mas o pouco que falo tem sempre de ter algo mais para dizer do que um mero post de novidades ou publicidades (embora também já o tenha feito e no passado fazia muito mais). E, como já sabem, sou uma pessoa simples, gosto de coisas descomplicadas. E, claro, adoro experimentar coisas novas, estudar ingredientes, descobrir particularidades na cosmética e contar histórias com a beleza. E gosto mesmo muito de descobrir marcas e produtos acessíveis que, afinal, valem mais do que aquilo que custam.

Conheci a marca Cosmia há uns meses quando veio de França (onde é um sucesso) para cá e porque escrevi uma peça sobre marcas brancas de beleza. Esta pertence ao grupo Auchan que, pela primeira vez, trouxe a sua marca própria para Portugal. E até estava um pouco céptica, confesso, apesar de ser completamente fã de marcas de hipermercado que, na maioria dos casos, são mais seguras e de confiança que muitas outras biológicas ou orgânicas onde não fazemos a mínima ideia onde são produzidas. Nunca - mas mesmo nunca - um hipermercado se vai por a jeito de produzir produtos de risco quando isso pode colocar em causa o seu nome em todas as suas áreas de actuação. Além disso, os hipermercados produzem em grande escala e, como tal, vão a laboratórios de confiança e usam ingredientes já reconhecidos pela sua eficácia - mesmo que não sejam os xpto patenteados pelas marcas de luxo (que passados 2 ou 3 anos, então, já estarão também nas marcas baratas). Mas isto já seria um outro post a falar sobre isto...

Neste momento já há em Portugal maquilhagem, corpo, banho e cabelos em mais de 500 produtos disponíveis nas lojas Jumbo. Em breve, chegam também os de rosto. Todos os produtos são testados dermatologicamente e fabricados na Europa, com gamas compostas por 95% de ingredientes de origem natural (os restantes 5% são conservantes para assegurar a segurança).

Como é que nos vamos conseguir apaixonar se procuramos o cliché?

3 de julho de 2017


Passei o fim-de-semana a ler o primeiro livro da saga After - basicamente uma saga do género 50 Sombras de Grey em modo adolescente cheio de clichés do princípio ao fim que, com muita vergonha porque tenho 31 anos, confesso ter ficado encantada. Por um lado, fiquei com um respeito absurdo pela autora - Anna Todd - porque conseguiu usar todos os ingredientes mágicos para criar um bestseller entre as mulheres: amor, sexo, dinheiro, passados tristes e vidas problemáticas. E por outro, constatei de uma forma estúpida que o problema de muitas mulheres (e bem, homens também) estarem sozinhas é exactamente porque procuramos isto - o cliché. E o cliché dificilmente existe na vida real.

Eis a história base desta saga: rapaz problemático e rico conhece rapariga virgem e pobre. Rapariga virgem salva a vida de rapaz problemático. Rapaz problemático muda a sua vida por rapariga virgem. Felizes para sempre. Fim.

E é exactamente isto que vamos passar a vida a procurar - uma pessoa que nos salve e nos deixa a nós salvá-la a ela. Como se precisássemos de ser salvos ou como se essa fosse a premissa das relações.

2 novas leituras com girl power (para acrescentar à lista de verão)

30 de junho de 2017


Os últimos dois livros que li foram A Rapariga Mais Sortuda do Mundo de Jessica Knoll e Belgravia de Julian Fellowes. Foram livros que comecei sem qualquer informação prévia (como costumo fazer muitas vezes) e que, caramba, me arrebataram por completo. E eu sei que sou uma leitora maria-vai-com-todos e me deixo arrebatar mil vezes mas, bem, não é mesmo para isso que os livros servem?

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