Slider

A distopia como forma de (nos) contar a vida

28 de abril de 2017


Eu adoro, adoro, adoro livros do género distopia que nos falam sobre a vida (real) ao criar mundos imaginários. Já tinha falado sobre isto quando li O Ano do Dilúvio mas tenho descoberto autores fantásticos que quero recomendar esta semana.

Para quem não sabe, o género distopia é uma espécie de criação de uma sociedade imaginária controlada por meios extremos de opressão onde os personagens vivem condições de vida difíceis. O que é mais giro na distopia é que, normalmente, tem como base a realidade da sociedade actual, o que nos coloca obrigatoriamente a pensar sobre o mundo em que vivemos. Um dos últimos livros que li deste género foi As Filhas de Eva de Louise O'Neill e fiquei absolutamente viciada. A história do livro tem por base um mundo onde as raparigas são treinadas desde cedo para satisfazer os homens. Só as melhores conseguem ganhar o estatuto de "esposas" e ter a possibilidade de viver com um homem, tendo apenas como objectivo gerar filhos. Quando já não são necessárias... são descartadas.

Podem imaginar o quão perturbador (mas ao mesmo tempo intrigante e viciante) foi este livro para mim. E até num plano muuuuuito fantasioso, qualquer livro do género fantástico acaba por ser uma distopia ao transportar-nos para mundos imaginários (embora menos opressivos) através dos quais conseguimos tirar lições para a nossa vida. E aprender com elas, claro. Até o Harry Potter. Yey J. K. Rowling, you rock.

Para os leitores mais sérios, há outros exemplos como o clássico 1984 (actualmente faz parte do plano nacional de leitura o que não deixa de ser irónico e actual ) que fala do terror do poder político e que quase poderia ser visto como uma profecia (com toda a realidade que estamos a viver com o Trump).

Esta semana queria falar-vos disto e deixar-vos algumas sugestões interessantes para quem se quer lançar neste tema. Alguns estão em desconto na Fnac, outros não. Mas são livros que valem a pena comprar, ler e passar aos amigos e familiares.

Estes são alguns dos meus favoritos no género das utopias e distopias e todos eles nos fazem pensar sobre o que fazemos aqui - as nossas atitudes, valores, a forma como compreendemos o mundo e até a forma como vivemos nele. Para as feministas, just like me, recomendo As Filhas de Eva e A História de Uma Serva. Mas leiam com cuidado - são revoltantes.



1) As Filhas de Eva de Louise O'Neill; 2) 1984 de George Orwell; 3) Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley; 4) A Máquina do Tempo de H. G. Wells; 5) Submissão de Michel Houellebecq; 6) A História de Uma Serva de Margaret Atwood.

No outro dia, li uma critica ao Os 100, onde dizia que a série era muito melhor que o livro e que não valia a pena ler. Eu nunca vi a série mas esta colecção é fantástica e tenho sérias dúvidas que uma série de televisão consiga captar toda a magia do imaginário deste universo descrito por Kass Morgan. Esta seleção engloba clássicos como A Quinta dos Animais ou o Ensaio Sobre a Cegueira e, ao mesmo tempo, e num outro patamar, livros do género fantástico distópico (se calhar acabei de inventar esta expressão).



7) A Quinta dos Animais de George Orwell; 8) Os 100 de Kass Morgan; 9) Gravar as Marcas de Veronica Roth; 10) As Primeiras Quinze Vidas de Harry August de Claire North; 11) Ensaio Sobre a Cegueira de José Saramago; 12) Dois Anos, Oito Meses e Vinte e Oito Noites de Salman Rushdie.

Gosto, gosto, gosto de receber sugestões porque uma pessoa não encerra em si todo o conhecimento do mundo. Se tiverem dicas, recomendações ou livros que vos marcaram de uma forma especial, enviem-me por comentário ou email :)

A casa perfeita não existe... mas pode ser criada

27 de abril de 2017 Home


Eu gostava de ser daquelas pessoas que se adaptam bem a tudo. Mas - talvez fruto de viver com ansiedade - todas as mudanças acabam por ter um peso muito maior em mim. Talvez seja por isso que o Eddy - o meu gato, para quem (ainda) não sabe (como não?) - seja extremamente difícil e medricas. Talvez ele também sinta estas vibrações vindas de mim. Felizmente, temos a sorte de ter a Tita - a gata, claro -, com uma personalidade completamente diferente à nossa: tranquila, destemida e que, em dez segundos, já se adaptou a qualquer situação. Eu chamo-lhe TitaDora, the Explorer. Porque ela vai imediatamente à exploração da nova situação que está a viver. Qualquer que ela seja.

Se foi por isso que vi casas durante um ano? Nem sei bem... Colocava sempre problemas em todas as que via. Ora deixavam-me claustrofóbica porque eram apertadas, ora ficava ansiosa porque eram escuras, ou andares altos (e eu tenho pavor de terramotos e de ficar presa em prédios altos), ou pequenas, ou com poucas janelas, ou frias, ou antigas, ou feias, ou caras, sei lá. Na verdade, havia sempre qualquer coisa e quem me acompanha há mais tempo provavelmente leu dezenas de desabafos no Facebook sobre isto. Vi casas imundas, partidas, com restos de comida no frigorifico, com cozinhas sujas, degradadas, sem condições, velhas... e tudo com preços a partir dos 600€. Dizem que Lisboa é barata mas viver em Lisboa não pode ser considerado barato quando para se viver com o mínimo de condições tem que se ter três trabalhos.

Então, toda esta questão do espaço sempre mexeu muito comigo. Eu sou uma pessoa agarrada às raízes e às coisas que me fazem sentir em casa. E dou muita importância a isso. E isto é uma ligação que toda a gente tem - mesmo que não se aperceba. Toda esta noção de espaço-casa faz parte das nossas emoções primárias. São essas emoções que, por vezes, nos dizem que algo não está bem mesmo que não o consigamos articular. Foi exactamente isso que senti na quase centena de casas que vi ao longo do ano. Havia sempre qualquer coisa que me fazia querer fugir dali. Tem tudo a ver com a energia e com as coisas que, para mim, estão relacionadas com o sentir-me bem.

Se esta é a minha casa de sonho? Claro que não. Mas foi o mais próximo que consegui. Luminosa, ampla e num andar baixo. Senti-me segura quando cá entrei. Senti-me (quase) em casa. Mesmo que isso seja uma ligação que me demore dias, semanas, meses a sentir. O melhor disto tudo? Estou a dois minutos dos meus pais que, para mim, era o mais importante :)

Por enquanto, ainda estou a viver rodeada de caixotes e confusão mas, para já, posso mostrar-vos alguns pormenores das coisas que podemos fazer para criar a nossa casa (quase) perfeita - a decoração. Os toques. A envolvência. Aquilo que se aproxima da nossa energia. Como me têm feito imensas perguntas pelo Instagram, vou tentar explicar de onde é o quê. Eu gosto de coisas antigas, em segunda mão e personalizadas, então é o que tenho andado a fazer.

Comprei este móvel de sala (bem como os do quarto) a um senhor que restaura coisas antigas. Depois foi todo pintado de azul para dar um toque pessoal. 

O famoso sofá que andava a ver se ficava, ou não, com ele. O tapete zebra é da Conforama e o tapete branco de pelo Jumbo Moda.



Ainda não tenho roupeiro - quero daqueles módulos de parede que se personalizam. Mas esta casa tem um espaço convertido em roupeiro que, quando cá vim, me foi apresentado com um sorriso enorme pela pessoa: "e tem um closet!!". Eu olhei e disse: cabe aqui, provavelmente, 20% da minha roupa ehehe...


Também comprei este tocador ao senhor. Ainda está nesta confusão porque tenho tudo de beleza dentro de caixotes. Preciso de um armário ou qualquer coisa onde possa guardar tudo organizado e separado por temas (cabelo, rosto, corpo... lembrem-se que este é o meu trabalho e ter tudo organizado é o primeiro passo para facilitar o meu dia-a-dia).

A casa de banho de beauty ou onde vão estar as minhas coisas pessoais do dia-a-dia.


A cozinha - o espaço a que dei menos atenção (porque cozinhar não é nada a minha praia) - que agora está a ficar fantástica. Qualquer dia sou uma Martha Stewart. Os meus potinhos de chás e frascos de bolachas do Jumbo Moda. A chaleira roxa e a caixa também são de lá.


Três dos meus serviços antigos que eram das minhas avós. Como podem imaginar, vai servir-se muito chá nesta casa hihihi.



E pronto... quando estiver tudo mais organizado, volto a mostrar mais pormenores. Preciso ainda de muita coisa - e o principal: uma biblioteca feita à medida para a minha sala. Yey!

No dia Mundial do Livro... livros que nos ajudam a definir enquanto pessoas

23 de abril de 2017 Home


Uma das coisas em que mais acredito é na capacidade que os livros têm de nos moldar enquanto pessoas e seres humanos no geral. Lembro-me de ser miúda - com sete ou oito anos - e já ter este bichinho dentro de mim. Fazia os trabalhos nas aulas a correr para poder ir sentar-me no cantinho da leitura em pleno regalo diário. E identifico-me plenamente com a frase de Franz Kafka: "A book must be the axe for the frozen sea within us", algo do género: um livro deve ser o machado que quebra o mar gelado entre nós. Para mim,  os livros podem ser incrivelmente poderosos. Têm a capacidade de nos fazer abstrair do mundo à nossa volta, de nos fazer viver aventuras e de influenciar a forma como pensamos. Enquanto lemos, vivemos tantas emoções e confrontamo-nos com tantos sentimentos que é impossível não enriquecer a nossa própria alma. E também nos ensinam, dão-nos novas perspectivas sobre as coisas e ajudam-nos a moldar a pessoa que somos. Os melhores livros - aqueles mesmo fantásticos - podem mudar a nossa vida para sempre.

Esta é uma lista de alguns dos livros que tiveram um impacto enorme em mim e que acredito que farão a diferença nas vossas vidas.

Hoje é Dia Mundial do Livro - eles estão todos em promoção no site (e lojas) da fnac :)

Todos estes livros viraram filme - o que só por aí já mostra que têm mensagens fortes para passar. Mensagens de tolerância, de amor, de bondade, de crenças e de vida. Lembro-me que li Os Filhos da Droga quando tinha uns 12 ou 13 anos. Era um dos livros da minha mãe (agora está em minha casa) e, na minha inocência, marcou-me profundamente. Voltei a relê-lo agora há pouco tempo e voltei a sentir o mesmo impacto que senti quando era criança. Entretanto, li que agora faz parte do plano nacional de leitura do ensino secundário e acho que é um livro que todos os adolescentes deveriam ler - para uma dose de realidade.

1) A Rapariga Dinamarquesa de David Ebershoff; 2) O Meu Nome é Alice de Lisa Genova; 3) Jane Eyre de Charlotte Bronte; 4) As Serviçais de Kathryn Stockett; 5) A Cabana de Wm. Paul Young; 6) Os Filhos da Droga de Christiane F.

Fui ver Brooklyn ao cinema sozinha numa tarde em que não estava particularmente feliz. Chorei o filme praticamente todo. E depois, fui buscar o livro porque o queria ler e... chorei a ler. Não sei se foi do momento (estava literalmente de coração partido) mas é uma história absolutamente arrebatadora. E o Projecto Rosie, por outro lado, fala-nos de duas pessoas completamente diferentes que tentam à força toda não se apaixonar... mas a vida troca-lhes as voltas e dei boas gargalhadas a ler.



7) O Inverno do Nosso Descontentamento de John Steinbeck; 8) Brooklyn de Colm Tóibín; 9) O Projecto Rosie de Graeme Simsion; 10) Uma Conspiração de Estúpidos de John Kennedy Toole; 11) Não Sou Esse Tipo de Miúda de Lena Dunham; 12) Anexos de Rainbow Rowell.

Eu sou completamente fã de livros Young Adult porque nos fazem viver aquela magia da nossa adolescência. E, caramba, não há nada melhor que isso. A nostalgia da escola, dos amores juvenis e dos medos que, na altura, nos passavam pela cabeça. A Culpa é das Estrelas foi um livro que eu não gostei por aí além - talvez o tenha lido numa má fase - mas consigo compreender que é uma narrativa com uma mensagem poderosa. E ainda não li o Por 13 Razões mas por estar a ter um sucesso estrondoso no Netflix, achei que era uma boa sugestão YA para hoje.


13) Shiver de Maggie Stiefvater; 14) A História Interminável de Michael Ende; 15) Eu Dou-te o Sol de Jandy Nelson; 16) Fala-me de um Dia Perfeito de Jennifer Niven; 17) A Culpa é das Estrelas de John Green; 18) Por Treze Razões de Jay Asher.

E clássicos... são sempre clássicos. Intemporais, únicos e com histórias que atravessam os anos e se continuam a manter actuais. Escolhi seis absolutamente obrigatórios para uma qualquer biblioteca caseira :)


19) O Deus das Moscas de William Golding; 20) Laranja Mecânica de Anthony Burgess; 21) A Insustentável Leveza do Ser de Milan Kundera; 22) Os Maias de Eça de Queirós; 23) Crónica de uma Morte Anunciada de Gabriel García Márquez; 24) Se isto é um Homem de Primo Levi.

Literatura feminina é mais do que chick lit banal

16 de abril de 2017


Uma das coisas que mais tenho reparado nos últimos tempos é a quantidade de livros bons e populares que banem totalmente o papel da mulher nas suas histórias. Falei disso na semana passada até - a propósito do Hotel Majestic que adorei mas é um rol de personagens masculinas em destaque e onde as mulheres apenas entram como secundárias. E isto deixou-me a pensar neste assunto durante alguns dias.

Já nem vou falar na Disney - onde o herói é quase sempre, sempre a personagem masculina salvadora de todos os problemas que a feminina cria/passa. Mas mesmo nos livros infantis com animais - onde se tenta criar um género neutro - as personagens são em grande parte dos casos masculinas. E isto tem sido um padrão no último século. Até um dos meus livros favoritos de todo o sempre e um marco da literatura que vai fazer parte dos rituais de passagens de todos os adolescentes durante as próximas décadas - Harry Potter - é centrado numa personagem masculina (Harry) que apesar de ter uma feminina heroína que nos ensina bastante sobre caracter, força e inteligência (Hermione), o seu papel está centrado em ajudar o personagem rapaz a resolver os conflitos centrais da trama.

Há uns tempos - antes do Diz-lhe Que Não sair - um colega jornalista do Expresso disse-me algo do género: "não esperes que o teu livro seja falado nas revistas de destaque mas és capaz de te safar nas femininas e assim". E, conscientemente ou não, ele centrou todo um problema numa frase banal - o meu livro, com personagens femininas no primeiro plano e onde os homens são meramente secundários, é visto como um livro "chick lit" (algo do género romance barato para raparigas). Não é que esteja à espera de receber um Pulitzer nem nada que se pareça, mas é esta descredibilização que faz com que muitos autores se foquem em personagens masculinas. Escrever para e sobre mulheres ainda é um universo cinzento como se ter uma audiência feminina significasse que não temos nada de muito importante para dizer ao mundo.

Se for um livro sobre mentiras e tramas entre mulheres (como o Pequenas Grandes Mentiras de que falo abaixo), é um cliché fútil. Mas se forem homens, é um policial sério. Se for um romance pelo ponto de vista de uma mulher, é "chick lit". Mas se for do ponto de vista de um homem é literatura romântica - um bem-haja aos Nicholas Sparks da vida. Claro que estou a generalizar, mas só vos quero deixar a pensar nisto.

Por isso, esta semana, decidi reunir alguns livros sobre mulheres, para mulheres, de (e não só) mulheres. Literatura que coloca a mulher como personagem central e passa, ao mesmo tempo, grandes mensagens sobre a vida. Falo de personagens femininas divertidas, fortes, com relevo nas narrativas e com algo para dizer ao mundo. Longe de clássicos e bestsellers que toda a gente conhece, decidi ir para outros tipos em vários registos - desde históricos, a fantástico ou romances - que dão boas leituras tanto para homens como para, nós, mulheres.

Estes estão em promoção esta semana no site da Fnac:


1) O Caderno de Maya de Isabel Allende; 2) A Rapariga que Roubava Livros de Markus Zusak; 3) A Bastarda de Istambul de Elif Shafak; 4) A Coisa à Volta do Teu Pescoço de Chimamanda Ngozi Adichie; 5) A Chama de Sevenwaters de Juliet Marillier; 6) Vitória de Inglaterra de Isabel Machado.


1) A Rainha Ginga de José Eduardo Agualusa; 2) A Herança Bolena de Philippa Gregory; 3) Pequenas Grandes Mentiras de Liane Moriarty; 4) A Cor do Hibisco de Chimamanda Ngozi Adichie; 5) Eleanor & Park de Rainbow Rowell; 6) A Rapariga que Sonhava com uma Lata de Gasolina e um Fósforo de Stieg Larsson.

Estes não estão em promoção mas valem a pena o investimento:



1) Nome de Código: Leoparda de Ken Follett; 2) O Rouxinol de Kristin Hannah; 3) História do Novo Nome de Elena Ferrante; 4) O Meu Nome é Lucy Barton de Elizabeth Strout; 5) Luz e Sombra de Leigh Bardugo; 6) Hoje Vai ser Diferente de Maria Semple.

Gosto, gosto, gosto de receber sugestões porque uma pessoa não encerra em si todo o conhecimento do mundo. Se tiverem dicas, recomendações ou livros que vos marcaram de uma forma especial, enviem-me por comentário ou email :)

O dançarino

11 de abril de 2017 Lisboa


Imaginem que estamos em Julho do ano passado. Estava um calor sufocante, eu estava a escrever o Diz-lhe Que Não, andava maluca com tudo, não fui de férias e fiquei mesmo por Lisboa em retiro literário. No meio deste verão solitário, conheci o Dançarino e só não escrevi esta história mais cedo porque havia alguns constrangimentos que só irão perceber no fim. Txan, txan - já estou aqui a apimentar a coisa para lerem tudo.

Projecto Amélia: vamos ajudar?

9 de abril de 2017 Aeroporto de Lisboa


Quando eu tinha 22 anos (e ainda andava de volta do meu primeiro curso, Políticas Sociais, e não no jornalismo), trabalhei um ano na pediatria do IPO de Lisboa. Era miúda, foi a minha primeira experiência laboral e não tenho dúvidas de que mudou a minha vida. Ou, numa instância mais prática, mudou a minha forma de ser, estar e encarar as coisas. Naqueles meses, conheci miúdos com uma força maior do que alguma vez terei. Miúdos com uma capacidade incrível de ver as coisas boas do dia-a-dia e de aproveitar o que de bom existe em toda a merda à nossa volta. Uma das miúdas que mais me marcou, a Simónica, era uma menina caboverdiana de 10 anos que estava internada há meses e, praticamente, vivia na ala pediátrica com uma tia que veio de Caboverde com ela porque a mãe, que tinha tido um bebé, não podia vir. Ela passava o dia a ler e a reler os mesmos dois ou três livros que tinha. Quando me apercebi disso, levei-lhe um saco cheio de livros juvenis que tinha dos meus tempos de adolescente (a coleção Uma Aventura e outros tantos dentro do género). São para mim?, perguntou-me. Mas para mim, para mim? Para levar para a minha casa quando me for embora? Eu sorri e disse que sim. Ela ficou absolutamente perplexa. Disse que nunca tinha tido nada que fosse só seu.

Uns meses depois de ter deixado o trabalho soube que a Simónica nunca tinha chegado a regressar a casa.

Este é um tema a que ninguém consegue ficar alheio porque nos toca a todos. Não sabemos o futuro e todos nós podemos vir a passar por uma situação de cancro ou ter alguém próximo de nós - um filho, um irmão, um pai, um amigo - a passar por isso. E é verdade que eu própria viro a cara tantas vezes aos quinhentos peditórios que todos os dias estão a fazer à porta dos supermercados. É humanamente impossível uma pessoa poder ajudar todos. Mas, volta e meia, paro, ouço a história e ajudo. Principalmente tudo o que envolva a luta contra o cancro.

Clássicos para quem acha que os clássicos são chatos

7 de abril de 2017 Home


Eu vejo este tema dividido em duas fatias: por um lado, quem ouve a palavra clássicos e imagina logo calhamaços do tempo da maria cachucha e chatos para caraças. Por outro, quem só gosta de dizer que lê clássicos porque isso fica sempre bem e dá-nos um ar de intelectuais (o que, nos homens, é capaz de funcionar para o engate, como o Mr. Likes).

Hotel Majestic de J. G. Farrell

4 de abril de 2017 Home


Uma das coisas que me deixa mais feliz quando acabo de ler livros é perceber que há uma continuação que eu não sabia. Comprei o Hotel Majestic apenas porque apanhei uma promoção na Fnac (nunca tinha pegado em nada de J. G. Farrell na verdade) e só quando cheguei ao fim e fui investigar mais sobre o livro é que percebi que isto é, afinal, uma trilogia - Trilogia do Império. Depois do momento de euforia, a desilusão. São 3 livros - este é o segundo, também chamado de Troubles (no original) - e, afinal, nenhum dos três está relacionado com os outros e envolve mesmo personagens diferentes. Pena. Porque queria saber mais sobre o Major Brendan.

Rescaldo do mês de Março [e porque não vou a outras cidades]

2 de abril de 2017 Lisboa


Este mês de Março foi absolutamente alucinante - não de uma forma física. Refiro-me à parte emocional. Toda a tensão do lançamento do livro, no dia 10, seguida da apresentação, no dia 16, foi completamente fora do meu registo natural e criou-me bastante ansiedade. Isto não corresponde à adolescente que obrigava as colegas de turma a dançar nas festas da escola e dava espectáculos dignos de Grammy no Karaoke aos sábados à noite mas a verdade é que, ao longo dos anos e à medida que me fui tornando adulta e consciente de mim própria, me tornei numa pessoa cada vez mais reservada. Estar no centro das atenções é algo que me incomoda bastante e faz com que não consiga ser eu própria - que é aquilo que procuro sempre ser em tudo o que escrevo. E isto até chega a ser contraditório - porque odeio pensar que me estou a tornar num adulto cada vez mais robotizado quando quero mesmo é ser livre, espontânea e natural.

Toda a gente que me conhece e foi à apresentação na Bertrand no dia 16 disse que estava muito contida. Que não me ri, não disse piadas nem fui simplesmente eu - que, no meu dia-a-dia, até sou bastante faladora e comunicativa. Quase ali com uma pitada de humor negro - exactamente como o livro. E eu adoro comunicar e partilhar ideias mas, na verdade, odeio falar em público sobre mim. Que era o caso. As pessoas queriam saber mais sobre o livro, sobre a minha experiência, sobre os bastidores das histórias e eu simplesmente não sabia o que dizer porque, na verdade, nem sabia por onde começar nem de que forma me expressar.

Então, esse é o motivo porque não quero ir a outras cidades fazer apresentação do Diz-lhe Que Não, como leitoras do Porto e do Algarve já pediram. Porque me vai ser emocionalmente penoso expor-me e estar no centro das atenções a tentar falar qualquer coisa de jeito sobre o livro, sobre mim, sobre as experiências que inspiraram as histórias. Ah! Mas andas a ir a programas de televisão, podem estar a pensar. E é verdade mas acaba por ser num estúdio, com câmaras e em registo de conversa informal e não necessariamente com dezenas de olhos postos em mim - que é, essencialmente, o que me cria bastante ansiedade. Até já me inscrevi num curso do Cenjor sobre falar em público a ver se ganho algumas ferramentas que me deixem mais à vontade mas, por enquanto, o curso ainda não tem previsão de datas.

Em género de rescaldo, porque hoje é dia 3, o feedback tem sido incrível. E superou completamente as expectativas. Acabei de escrever o Diz-lhe Que Não em Setembro, ou seja, foram 6 meses de espera onde passei demasiado tempo a divagar e a alternar entre momentos em que acreditava que ia ser um sucesso por outros em que desanimava e me questionava até que ponto as pessoas iriam de facto querer comprar o livro. Porque eu sei que uma coisa é lermos textos gratuitos num blogue. Outra é querermos investir o nosso dinheiro numa compra. E, até hoje, todas as mensagens, fotografias e testemunhos que já me deixaram têm sido surpreendentes. Saber que o livro está realmente a ter impacto nas vossas vidas - que era o meu objectivo - foi a melhor conquista que poderia ter tido. E o passa a palavra tem sido incrível com pessoas de todo o lado a dizerem-me que leram isto e aquilo sobre o livro e o quiseram comprar. Que o viram nos destaques da loja X. Que foram à loja Y e estava esgotado. Que compraram online mas tiveram de esperar porque estavam sem stock.

Ainda não faço ideia de como estão as vendas nestes primeiros 20 dias mas, só por todo o vosso feedback, já tenho, pelo menos, uma noção pessoal de sucesso.

Continuem a mandar-me as vossas mensagens, as vossas fotografias e a passar a palavra. Obrigada por me estarem a dizer que sim.

O Mr. Likes. Ou o último homem na terra

29 de março de 2017 Lisboa


Antigamente (quem diz antigamente diz há uns cinco ou seis anos), quem andava a ver onde é que um homem metia likes era maluca - vejam lá, senhores, a fazer uma perseguição virtual. E tínhamos realmente de escarafunchar pelo lado mais negro do Facebook para o conseguir fazer. Isso, ou ficar online o dia todo para (naquela barra lateral que aparecia com as actualizações de toda a gente, lembram-se?) ver o que é que ele andava a fazer. E isto sim eram perseguições difíceis. Ou então, quando se desconfiava de alguma outra mulher, era inspeccionar todo o seu feed: as suas fotos, os seus posts e ver se, por lá, aparecia o nome desse homem num qualquer like - inocente ou não.

Foi assim que, em 2007 (adoro dar esta dose de saudosismo), descobri que um tipo andava comigo e com outra. Ao. Mesmo. Tempo. Já falei dele - o que me levou a comer nuggets no McDrive. Eu passei fome. Na altura, comecei a esgravatar o Facebook dela e foi fácil perceber porque estava cheio de 1) likes dele e 2) mensagens subliminares dela para mim (que sabia da minha existência). Só se eu fosse muito burra é que - em cinco minutos no Facebook - não iria ver aqui o rolé todo.

[Depois de eu ter ido à minha vida, ela continuou com ele. Mais tarde, ele voltou a traí-la.]

O problema é que, feliz ou infelizmente, as redes sociais estão cada vez mais intuitivas e fáceis de esquadrinhar, esgravatar, remexer, escarafunchar, perseguir - o que lhe quiserem chamar. Então, vejam, vamos falar do Mr. Likes. Aposto que todas o conhecem.

Quando conheci o Mr. Likes virei-me de lado para ele não ver o meu dente torto.

O Mr. Likes é aquele homem que mete like em tudo o que vocês publicam. Manda-vos mensagens. É inteligente. Divertido. Bonito. É um tipo de sucesso. Tem tudo para ser um homem à antiga, daqueles por quem nos acabamos por apaixonar e atirar de cabeça. O Mr. Likes fala de cinema, de música, de séries, de livros, de museus, de cultura. O Mr. Likes não vai a discotecas. O Mr. Likes diz que é uma alma velha. Ou se calhar disse isso só a mim porque sabe que eu o sou. Mas - porque as redes sociais nos permitem ver tudo - vocês vêem que o Mr. Likes também mete likes em toda a gente. E - foda-se - o Mr. Likes é uma puta dos likes. Perdoem-me. É que repeti a palavra likes tantas vezes numa só frase (pensavam que ia pedir perdão pelas asneiras hein? Mas não porque caem bem neste tema).

Quando conheci o Mr. Likes, achei-lhe imensa piada. Foi um daqueles momentos em que já não sabemos como nos comportar e temos a sensação de que tudo o que dizemos é ridículo. Ganhamos uma maior consciência da nossa forma de estar porque queremos estar bem. Queremos impressionar e começamos a lembrar-nos daquelas coisas que menos gostamos em nós. Eu virei-me de lado na mesa para ele não ver o meu dente torto. Só para verem o quão estúpida é a mente humana.

E isto podia ter corrido bem mas comecei a reparar que em tudo o que era fotografia de miúdas no Instagram aparecia lá o nome dele - porque a app nos mostra, na foto de uma pessoa, duas ou três que nós conhecemos e também meteram like. E ou o Instagram é extremamente inteligente ou foi apenas sorte - porque o nome dele começou a aparecer sempre. Elas eram youtubbers, blogguers, miúdas daquelas que só têm fotografias em fato-de-banho... ele estava lá sempre, sempre! A fazer o seu like indecente.

Quero um homem sem redes sociais ou, se as tiver, não pode ter mais de 20 likes por foto. Será pedir muito?

E de repente, eu que estava consciente de lhe querer agradar, fiquei enjoada e até arrependida q.b do tempo que perdi. Perguntei a duas delas que conheço virtualmente se o conheciam  - porque nós mulheres temos esta capacidade de #girlpower nestas situações - e ambas disseram que ele estava sempre a mandar-lhes mensagens. Bastou-me cinco minutos para desconstruir imediatamente a personagem Mr. Likes. A puta dos likes.

Quem é que, no final do dia, e com as redes sociais tão abertas, quer um homem assim?

Alguém?

Não?

Obrigada.

Eu costumo brincar a dizer que preciso de um homem de 1) 40 anos, 2) sem redes sociais ou 3) se tiver, não pode ter mais de 20 likes por foto e 4) ter o perfil fechado. Será difícil de encontrar nos dias de hoje?

O Mr. Likes é aquele homem que é falado. Toda a gente sabe quem ele é e toda a gente o ignora (umas mais, outras menos). Mas o Mr. Likes tem toda esta conversa inteligente que, para quem seja mais distraída, poderá cativar. Eu até gostava de ser mais distraída mas vem tudo parar-me à frente dos olhos. Mesmo quando não quero ver.

E eu que estava tão cativada por ele, perdi logo o tesão.

RIP Mr. Likes.

5 dicas rápidas de Primavera

27 de março de 2017 Home

Às vezes perguntam-me porque não falo mais sobre beleza no blogue. E eu costumo explicar que isso já é o meu trabalho - não me faria sentido estar a escrever mais e mais sobre beleza por aqui, se não de forma pontual ou mais adaptado a dicas pessoais. Falar de novidades e/ou lançamentos não me faz grande sentido quando já há tantos bons blogues que o fazem ou, para quem procura algo mais profissional, sempre (me) pode ler no Observador.

Mas o que gosto mesmo de fazer é escrever numa registo mais pessoal e, no caso da beleza, acabo por me focar muito mais em dicas. Porque não há maquilhagem que funcione se a pele não estiver no seu melhor. E falar de pele é comigo :)

Embora esteja frio (muuuuito frio, estou gelada mesmo), a primavera já chegou e é bom ir fazendo algumas mudanças graduais.

Se vivêssemos numa sitcom...

24 de março de 2017 Carcavelos


Eu sou completamente fã de sitcoms. That 70s Show, A Teoria do Big Bang, Friends, Seinfeld, How I Met Your Mother, New Girl... há todo um fenómeno fantasioso de viver numa comédia que nos faz literalmente mais felizes porque nos conseguimos identificar com as situações - ou não. Mas, na verdade, se vivêssemos numa sitcom, a nossa vida seria tão mais fácil. Em todos os aspectos. E é isso que me lixa - quanto mais as vemos, mais estúpidos nos sentimos.

Na nossa vida real, toda a merda que fazemos tem consequências. E aquele momento em que "no final, tudo acaba por se resolver" nunca mais chega. Na nossa vida real, os cabrões são sempre cabrões. Não são, no fim, um tipo porreiro que acaba por se revelar maravilhoso. São cabrões, ponto. Na nossa vida real, não somos a Cinderela e o universo não conspira para que tudo corra a nosso favor. Na verdade, vamos passar por provações, sofrimento e desgraças que, no final do dia, nem sequer conseguimos compreender porque nos estão a acontecer por mais mensagens que daí tentemos retirar. Na nossa vida real, não há um grande gesto que nos faz esquecer tudo o que de mau aconteceu. O mais certo é recebermos uma mensagem pelo Facebook e já vamos com sorte.

Porque beber chá é fixe. E bom!

21 de março de 2017 Home



A sério que vais beber chá? Sim, vou. É isto que estou sempre a ouvir. Também com variações mais ou menos jocosas: vais beber um cházinho? Vá, pede lá um cházinho. Quero um mojito e tu? Um cházinho? Porque tens 80 anos? Quiçá, se calhar tenho. Já me perguntaram porque no livro falo tanto em beber chá e na verdade o que eu quero é mostrar uma personagem (eu narradora e não eu própria, por favor não confundam) que foge dos conceitos clichés da "escritora" a beber vinho pela noite dentro a la Carrie Bradshaw. Porque é exactamente assim que eu sou e queria transportar esse meu lado para a narradora e para a envolvência do livro. Raramente bebo álcool e não há um único dia em que não beba uma chávena de chá para me aquecer o corpo e a alma.

Então sou a pessoa certa para falar de chás e para opinar sobre todo este universo hihihi. Embora o chá seja algo british, foi a infanta Catarina de Bragança (mais tarde rainha) que criou este hábito nos ingleses. E é um excelente substituto para quem bebe demasiado café (não é o meu caso) ou refrigerantes às refeições (também não é o meu caso). A única coisa que faço mal (e um crime para muita gente) é que encho os chás de açúcar mas não o consigo evitar.

O que não falta em minha casa é chá de todos os feitios. E embora use muito mais as saquetas no dia-a-dia - porque são mais rápidas e fáceis, é verdade - gosto de o ter também na sua versão em ervas, raízes ou pó. Porque, sei lá, o chá que bebo também depende do meu estado de espírito.

O meu favorito dos favoritos é o chá preto. Sem leite - porque não bebo leite há bem mais de 15 anos. Todos os pretos, de todas as marcas e misturas. Qualquer pessoa que venha a minha casa, leva com um chá. Como diz o Sheldon - oferecer uma bebida quente faz parte da arte de bem receber.

Tenho vários conjuntos de chás - dois antigos da minha avó que passaram para a minha mãe e agora para mim (mostro noutra altura). E tenho coisas que uso mais no dia-a-dia porque, c'mon, não vou lavar chávenas com 50 anos três vezes ao dia. Assim não chegam aos meus netos.....  Regressando à realidade, todas estas coisas de chá que mostro agora são da decoração do Jumbo Moda (que está com uma nova campanha de decor de chás e cafés, vejam aqui). O Eddy também gosta.






Apresentação do Diz-lhe Que Não

20 de março de 2017 Lisboa


O blogue esteve parado nas últimas duas semanas porque, voilá, o Diz-lhe Que Não foi finalmente lançado e, depois, foi a apresentação. Foram duas semanas cheias de stress, medo, pânico, ansiedade e, ao mesmo tempo, um tesão do caraças por ver este grande projecto cá fora. Foi este livro que andei a escrever no verão - como já tinha falado - e que me fez abdicar das férias. Foi um bebé que foi uma grande diversão escrever - porque acaba por ser no mesmo registo das crónicas d'O Amor é Outra Coisa. Mas foi também um desafio diário e constante - passei por períodos em que o achava a coisa mais fantástica que alguma vez tinha escrito e por outros em que, sempre que o relia, o via como uma grande merda que nunca iria ver a luz do dia.

Escrever é, de facto, um bicho estranho. E reler as coisas que escrevemos pode quase levar-nos à loucura. Consegui manter a sanidade e ainda nem acredito que ele já está nas mãos de tanta gente. O feedback que me têm dado é incrível e ainda fico em lágrimas com cada mensagem que recebo. Nunca esperei que a aceitação fosse tão boa e que vocês - leitores - fossem realmente viver este livro da forma tão intensa como o estão a viver.

Fazer uma apresentação pública era algo que nunca imaginei e que, na verdade, até fugi de o fazer. Tenho imensa ansiedade e expor-me numa posição tão frágil era o gatilho para um ataque de pânico. Depois, tive pesadelos em que ninguém aparecia. E - Deus meu - o quão sofri com esta possibilidade. Felizmente, correu tudo bem. Ter a casa cheia no dia 16 foi absolutamente mágico e emocionante. E mais do que conhecer alguns dos leitores que foram até lá, o que mexeu mais comigo foi ver tantos amigos e conhecidos que vibraram tanto com isto como eu. Sentirmo-nos acarinhados e vermos que as pessoas da nossa vida se interessam e querem estar presentes nos nossos momentos importantes é das melhores coisas que nos podem dar. Senti o carinho do João e da Inês que cantaram a música Dizer que Não da Lúcia Moniz para me fazerem uma surpresa (porque é, sem dúvida, a banda sonora do livro). Senti o carinho da Marta e do João que andaram para lá a fotografar tudo. Senti o carinho do Boticário que me maquilhou para estar no meu melhor. Senti o carinho da Catch my Legs que me deu este vestido tão bonito. Senti o carinho da House of Fudge que personalizou chocolates com a palavra Amor e os ofereceu a quem por lá passou. Senti o carinho da Luísa Barbosa, do Diogo Faro e da Isabel Machado, três pessoas que eu admiro, que apresentaram o Diz-lhe Que Não e tornaram aquela noite mágica com as suas palavras.

A pessoa que viram ali não sou eu, claro. Estava atarantada, emocionada e com tudo à flor da pele. Não sabia se queria chorar ou gritar. Não sabia se estava a gostar ou se só queria que terminasse. Foram muitas emoções juntas, alguma ansiedade e medo qb.

Mas obrigada. Muito obrigada por me lerem. Por estarem a vibrar com este livro. Por terem tirado algum tempo das vossas vidas para ir até lá dar-me um olá. E tenho pena de não ter conseguido tirar fotografias com toda a gente - estava realmente meio parva com tudo o que estava a acontecer.

Obrigada por me dizerem que sim.

OMG: Diz-lhe Que Não já está à venda

12 de março de 2017 Lisboa


Não sei que diga... só que já está à venda desde ontem. E eu ainda nem acredito que isto realmente se concretizou.

Latest Instagrams

© the styland. Design by Fearne.