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Sermos uns para os outros num mundo cão

22 de agosto de 2017


O mundo não é um lugar bom para partilhar as nossas conquistas e felicidades. E isso não significa que as pessoas são más. Eu continuo a acreditar que o nosso problema - nós, seres humanos - é não conseguirmos vibrar com o sucesso de alguém porque isso nos confronta com o nosso fracasso. Qualquer que ele seja. Tornámo-nos pessoas egoístas e invejosas porque passamos mais tempo a comparar-nos com os outros do que a tentar perseguir as coisas que realmente queremos.

#5 A visita surpresa na redacção

21 de agosto de 2017


Acho que só depois da Mariana ter ido embora - e de ter assistido in loco àquele momento insólito às cinco da manhã - é que me apercebi de quão frágeis, vulneráveis e indefesos estávamos todos aqui à mercê de duas pessoas absolutamente dementes e desequilibradas. E apesar de tudo, senti que nos agarrámos ainda mais uns aos outros. A própria Marlene também se deve ter sentido desamparada (talvez porque com o despedimento de Mariana, o Satanás decidiu não contratar mais ninguém e elas as duas ficaram com muito mais trabalho) e começou a unir-se mais a nós. Mas foi sol de pouca dura. Ganhei uma grande afeição (e respeito até) para com as pessoas que já lá estavam há mais tempo e que, por isso, me pareciam membros de força da redação a quem me amparar. As miúdas da moda eram (achava eu) intocáveis, a Paula do marketing (com a ausência da Vera dentes de rato) ganhou novo fôlego, Carlota era o meu braço direito. Foi nessa altura que mais histórias ouvi de Clarice e de outros trabalhadores que por aqui tinham passado e que atestavam a demência que por aqui pairava. Falaram-me de pessoas a quem Clarice tinha colocado peças de moda na mala para poderem acusar de roubo e despedir sem pagar indemnizações. Contaram-me que, numa produção de moda num descampado qualquer, Clarice tinha ficado o tempo todo a debitar ordens enquanto as estagiárias carregavam dezenas de sacos e ela andava de um lado para o outro a falar ao telemóvel e a rejeitar todas as ideias de Anita - apesar desta ser a diretora de moda. Tudo aquilo me parecia demasiado Diabo Veste Prada numa versão cafona e excessivamente estúpida porque Clarice parecia uma barbie escanzelada vestida em roupas de luxo com quem era impossível manter uma conversa coerente. Houve uma miúda da moda que tinha lá estado antes de Sofia chegar que, inocentemente, e no fim de uma produção fotográfica de quinze horas, perguntou a Clarice (que morava ao lado das Amoreiras), se podia ir entregar umas jóias que teriam de ser devolvidas no mesmo dia. Deviam ser umas dez da noite e, se ainda fosse para o centro comercial, a miúda (que morava algures na margem sul), ia perder o último autocarro (que apanhava depois do barco). Clarice gritou histericamente que era a diretora e estava-se nas tintas se ela perdia o autocarro ou o barco ou o comboio ou a merda de um transporte público. A miúda recusou-se e disse que, então, entregaria as jóias somente no dia seguinte durante o horário laboral. Sabe-se lá como, apareceram umas luvas e uma carteira na mochila dela. E foi despedida por justa causa dois dias depois.

Comer fora de casa (ou no escritório) no calor

15 de agosto de 2017


Uma das coisas que tenho vindo a tentar melhorar em mim é a minha paranóia com a comida e com o calor. Tenho três (três!) sacos térmicos com várias utilidades: um pequeno quando só levo lanche, um quadrado para deslocações rápidas ou quando vou às compras e este grande para levar o almoço para o escritório. E chegar aqui já foi um longo caminho porque, no passado, era de tal forma obcecada que levava placas de gelo dentro dos sacos térmicos para a deslocação casa-trabalho. Ridículo, eu sei.

#4 O regresso da Clarice - a maluca da esposa

14 de agosto de 2017


Nos meus primeiros meses aqui a trabalhar, percebi que isto poderia funcionar como uma espécie de um reality show. Vivíamos num ambiente tão opressivo que comecei a vê-lo como um estudo de caso da condição humana. E uma das coisas que me apercebi foi que em ambientes onde há um ódio comum - neste caso, o Satanás - toda a gente se acaba por unir. E caramba, como nos divertíamos ali. Pode parecer confuso para muita gente porque razão aceitávamos ser maltratados desta forma. E também as minhas amigas e os meus pais me questionaram isso. Eu própria também me questionei muitas vezes - a maioria delas quando estava a trabalhar às três de manhã e fazíamos uma pausa para ir à merda do McDonald que era a única coisa perto aberta àquela hora miserável. E eu simplesmente não como McDonald. O meu pai costumava dizer que, quando a fome aperta, não há tempo para esquisitices. E foi exactamente isso que aprendi naquela altura. E não sei porque não me despedi simplesmente. Mas a verdade é que numa empresa fantasma em que o patrão aparece às seis da tarde, aqueles dois ou três dias em que não dormíamos acabavam por ser vividos numa espécie de bomba-relógio em que estávamos ali todos para o mesmo: suportar tudo, tolerar tudo, aguentar tudo. Sorrir e acenar como os pinguins. Se ele diz que o céu é verde, quem é que se importa com a merda da cor do céu? Esta é mesmo a revista dele e eu entrei no registo de quase toda a gente aqui: queria receber o meu ordenado e que ninguém me chateasse. E quando as noitadas acabavam... tínhamos mais três semanas de diversão na feira popular.

Decoração portuguesa para a casa

7 de agosto de 2017


Já partilhei várias vezes o quanto gostaria de apoiar mais o que se faz em Portugal, as nossas marcas e a nossa produção. Mas por vezes não é fácil porque os nossos valores nem sempre acompanham a nossa carteira. No outro dia, vi umas almofadas com padrões de gato de uma marca portuguesa que as desenha e produz. Apaixonei-me e queria comprar meia dúzia. Mas cada uma rondava os 70€. E esse valor está absolutamente fora do meu orçamento. Às vezes acaba por ser impossível fugirmos à produção em massa como na Primark, Ikea ou H&M porque é mais acessível. E isso também não tem mal nenhum. Se soubermos equilibrar coisas destas lojas com outras mais pequenas, conseguimos ter uma decoração que não foge muito ao nosso budget e, ainda assim, com coisas originais, portuguesas e que tornam a nossa casa única.

O ano passado, passei 24 horas em Guimarães e andei a fazer um mini-tour pela cidade. Uma das coisas que encontrei nas lojas de souvenirs, foram uma série de produtos (panos, ímans para o frigorifico, toalhas, saquinhos para o pão, etc) com um padrão colorido com umas frases engraçadas sobre o amor. Até fotografei uma que é sobre a amizade e está no post de Guimarães. Entretanto percebi que isto faz parte de uma tradição dos namorados do séc. XVIII (podem ler mais aqui), inspirados nos lenços senhoris que foram adaptados pelas raparigas minhotas para conquistar o seu amado. Era hábito as raparigas bordarem um lenço e entregarem-no ao seu amado como uma espécie de ritual de conquista. Depois, o homem passaria a usá-lo em público como forma de mostrar que tinha dado início a uma relação. Caso não o fizesse, era sinal que não tinha aceite a relação. Muito mais simples que toda esta odisseia de mensagens e chats e Tinder e fotografias e comentários e telefonemas. Era só bordar um lencinho e conquistar. Achei isto mágico (porque nunca tinha ouvido falar desta tradição portuguesa) e comprei um peixinho com uma frase para o frigorifico.

E estou a falar disto porque o Jumbo criou uma linha de decoração feita exclusivamente em Portugal e de produção portuguesa inspirada, claro está, nas nossas tradições. E lá estão os padrões dos namorados, os azulejos, as sardinhas, o fado, o coração de Viana... E é fantástico quando uma marca internacional se adapta a cada país e tenta explorar um pouco mais a sua produção como está a ser feito em Portugal. Acho que já não é novidade para ninguém a minha relação com o Jumbo mas esta relação não existiria se não me sentisse 100% em sintonia com eles. Escolhi algumas coisas da linha portuguesa de decor do Jumbo para vos mostrar e que encaixaram perfeitamente na minha casa. O ponto positivo é que esta não é uma linha massificada. São, como se costuma dizer, coleções cápsula apenas com um X número de produtos. Então, é agarrar enquanto há :)

Diz-lhe Que Não: o feedback de mais de 200 leitores

1 de agosto de 2017


Já andava há algum tempo a querer escrever isto não para me auto-promover (embora o possa fazer, claro que posso) mas para compilar algum feedback que fui guardando numa espécie de memória literária e, acima de tudo, para (quem ainda não leu) inspirar o público a conhecer e a ler o Diz-lhe Que Não. Olha, pronto, estou mesmo a promover-me :)

Escrever este livro foi uma experiência - hum - diferente do que estava habituada. Eu escrevo muito como falo porque gosto de criar uma experiência de leitura fluída. E acho imensa piada quando as pessoas (que me conhecem) dizem que, ao ler, estão mesmo a imaginar a minha voz. E claro que isso não é muito fácil transpor para um registo escrito. Principalmente porque pode ser mal interpretado. Toda a gente sonha em escrever um grande romance literário, queremos todos ser Jane Austen mas a verdade é que a própria escrita tem de se adaptar aos tempos em que vivemos. Todos estes romances - de Eça de Queirós às irmãs Bronte - representavam a época em que os autores viviam. São grandes porque hoje, com a carga literária que ganharam, nos relembram o que o amor e a vida deve ser, nos transportam para outras épocas e servem quase como um registo histórico da forma como o mundo era. Mas é difícil hoje querer ser-se um grande escritor e não nos conseguirmos colocar no espaço temporal em que vivemos. Então, quiçá, daqui a 200 anos, o Diz-lhe Que Não seja um grande clássico da geração dos anos 2000.

Porque foi exactamente isso que quis criar com o Diz-lhe Que Não - um livro bastante real e que vos fizesse pensar na forma como, aos dias de hoje, nos relacionamos uns com os outros. Fala de sexo, fala da vida, fala de homens mas fala, acima de tudo, de amor. Daquele amor que procuramos e que, nesta época tão rápida em que vivemos, é tão difícil encontrar.

Para quem vai agora de férias, sim, acho que este é um livro fantástico para se ler em viagem, na praia, na piscina, no jardim, ao sol ou à sombra numa tarde longa. É um livro que vos vai fazer ter vontade de sair de casa e viver. De gritar. De beijar. De ouvir música alta. De dançar. De abordar estranhos na rua. De continuar a acreditar em todas as coisas que nos fazem tremer as pernas. E o coração.

Claro que esta é a minha interpretação. Mas vinda do autor é sempre suspeita.

Vejam, por isso, a interpretação de tantos leitores que falaram comigo pelas redes sociais e que consegui guardar. Se há algo bom nesta geração digital... é isto. É este contacto. Esta proximidade. Recebi centenas e centenas de mensagens, emails, falei com tanta gente, li as vossas opiniões, troquei ideias, li as vossas histórias e a forma como se relacionaram com todas estas personagens tão reais e especiais. E não há nada que pague este sentimento. Há exactamente um ano atrás estava a escrever o Diz-lhe Que Não. Estava a construir estas histórias e nunca me passou pela cabeça que pudessem de facto ter tido impacto na vida de tanta gente. E que tantas outras mulheres (e homens) se fossem identificar.

OBRIGADA POR ME LEREM :)

E se ainda não me conhece, leitor, pode comprar na Fnac AQUI ou na Wook AQUI ou na Bertrand AQUI!

E também nas lojas físicas e nos hipermercados como Jumbo e Continente.

Há lojas para todos os gostos!

#3 A miúda da moda

31 de julho de 2017



Toda a gente me bateu palmas na segunda-feira quando lá cheguei de manhã. Afinal, não tinha sido despedida. Mas isso não significava nada porque, nessa semana, uma das miúdas acabou por ser posta no olho da rua e os meus medos confirmaram-se: aqui não havia espaço para qualquer tipo de erro, qualquer falha, qualquer passo em falso. Estava exausta. Podia ter chegado ao fim a minha primeira revista mas, na verdade, o ciclo retomava. 

5 dicas para quem quer escrever um livro (e abordar uma editora)

26 de julho de 2017


Uma das coisas que, desde que saiu o Diz-lhe Que Não, mais me têm perguntado é como abordar editoras, como conseguir um contrato, como escrever, no sentido prático, um livro. Porque era muito bonito se bastasse escrever. Ideias todos temos. Mas ter uma boa ideia ou ter uma editora que acredite em nós já não é tão fácil assim nos dias de hoje. E o mais triste no meio disto tudo foram as histórias que me contaram e que mostram como ainda há muito boa gente neste mercado a aproveitar-se dos (nossos) sonhos.

Várias coisas que penso que podem ser úteis a toda a gente que sonha em editar um livro:

#2 O primeiro fecho de edição no manicómio

24 de julho de 2017


10 anos a falar de empowerment

21 de julho de 2017

A Evódia que, hoje em dia, trabalha em vários projetos com mulheres cabo-verdianas e criou a plataforma Womenise It

Teremos nós capacidade para nos apercebermos dos momentos que mudam a nossa vida? Continuo a achar que não. Se tivéssemos consciência deles, dar-lhes-íamos muito mais atenção. Mas, nesse caso, talvez não se tornassem momentos-chave de mudança.

Quando um estranho nos aborda na rua...

20 de julho de 2017


No outro dia vi este vídeo (em baixo) sobre o amor bonito, cliché, romântico, mágico, intenso, imprevisível e todos os adjectivos que lhe quiserem chamar. Aquele amor que todos (secretamente ou não) desejamos encontrar mesmo ali ao virar da esquina, na nossa vida banal, no dia-a-dia, enquanto esperamos pelo metro ou tomamos café ou lemos um livro ao final do dia. Porque, na verdade (e nisto acredito mesmo), todos começamos como estranhos uns para os outros.

O único problema desta visão tão cor-de-rosa da coisa é que não é simplesmente real. E isso continua a dar continuidade aos desejos fantasiosos que perseguimos e que, de forma muito prática, nos fazem perder as oportunidades que realmente são reais e estão mesmo ali à nossa frente.


Vamos analisar esta ideia tão fofinha das relações. Se um tipo olhasse para mim desta forma, o mais provável era eu levantar-me e ir embora. Porque, sim, começamos todos como estranhos mas o mundo está cheio de tipos demasiado estranhos.

E agora o que eu quero mostrar é o outro lado deste vídeo e a mensagem errada que passa.

Em 99% dos casos, se uma mulher não dá resposta aos avanços de um tipo, significa simplesmente que não está interessada. Se ela não tira os headphones para falar com ele e diz que não tem número de telefone, está basicamente - e de forma até bem educada, eu não seria tão cortês assim - a dizer que 1) não quer ser incomodada, 2) não está interessada e 3) não, não está a fazer-se de difícil à espera que o tipo pense em formas românticas e bonitas de a abordar. Muito menos vindas de um estranho. Até porque na vida real muito dificilmente nos cruzamos com as mesmas pessoas nos mesmos sítios à mesma hora. A não ser que, sei lá, trabalhemos ali ao lado e estejamos ali todos os dias na hora de almoço a beber café. E neste caso, a abordagem até está mais ou menos positiva: muitos tipos não sabem simplesmente o que fazer para nos abordar sem parecerem assassinos psicopatas porque, lá está, são como nós. E estão a tentar fazer qualquer coisa com piada para chamar a nossa atenção.

Mas o que este vídeo mostra é que nós, mulheres, quando dizemos não, na verdade queremos dizer que sim. Mas queremos que os homens se esforcem um pouquito mais. E isso é uma mensagem tremendamente errada. Claro que não estou a generalizar. Gosto de homens que se esforcem mas há uma diferença entre um tipo que conheço e se está a esforçar para (e esta é a minha palavra favorita de sempre) me conquistar e um tipo bizarro na rua que fica a olhar para mim no banco e a colar-me post-its nos meus livros à espera que eu responda aos seus avanços. Estes são aqueles que, depois, nos vão esconder numa cave debaixo da casa dele.

Um dos grandes problemas desta geração que se esconde atrás das redes sociais é que perdemos aquela capacidade básica de abordar alguém, de conversar, de tentar conhecer. E nisto, este vídeo até está a acertar na mouche embora de uma forma um pouco incoerente: temos de voltar a ter coragem de falar com as pessoas. Em tempos, um amigo disse-me algo que nunca mais me saiu da cabeça: tu não tens coragem de abordar um homem que te atraia, mas aqueles que te vão abordar são exactamente aqueles que tu não queres. Quando eles vêm com a conversa toda é porque já a praticaram demasiadas vezes e aqueles que tu gostas são os que nunca te vão abordar porque têm tanto medo de serem rejeitados como tu.

E isto foi a coisa mais certa que alguém me disse. Podemos ficar à espera encostadas ao balcão do bar e ser apenas mais uma que um tipo abordou durante a noite (a ver se tem sorte). Ou podemos ter cojones para, se alguém nos atrair, abordar, dar o primeiro passo, convidar para um café e por aí além. Porque, acreditem, o homem errado é sempre aquele nos vai abordar facilmente. Porque está demasiado habituado a isso. E há mais: se estamos num grupo de amigas, um homem não nos virá abordar porque se sente tão intimidado quanto nós nos sentiríamos a abordar um tipo num grupo de homens. Se estamos na rua com os headphones nos ouvidos, um tipo não nos irá abordar como o do vídeo. Se estamos num café a falar ao telefone ou a rolar pelo Instagram a passar o tempo, um tipo não nos irá abordar porque não faz ideia se estamos solteiras ou a falar com alguém. Há mil e uma condicionantes e, tal como nós, os homens também pensam nelas todas. E, provavelmente, 99% dos homens não vai fazer o que este tipo do vídeo faz por uma única razão: têm medo de parecer phsycos. Como este parece.

O que não podemos fazer? Acreditar nestas mensagens deste tipo de vídeos que, no final, até têm boas intenções (spoiler: ela é surda e é por isso que não tira os headphones) mas que são uma fantasia. Gostava de conhecer o tipo que teria coragem de fazer isto.

Se não queremos estar sempre a conhecer cabrões, temos simplesmente de saber ler os sinais - porque eles estão sempre lá. Os olhares, os sorrisos... e quando olhamos para alguém, o nosso cérebro demora 0,3 segundos a responder a um estímulo e, neste caso, para sabermos se a outra pessoa nos atrai ou não. E, aí, podemos dar o primeiro passo com aquele homem que nunca o irá fazer porque, na verdade, tem tanto medo como nós. Se ficamos eternamente à espera de encontrar o amor ao virar da esquina, só vamos conhecer tipos bizarros que nos continuam a chatear mesmo quando dizemos que não.

#1 26 mil horas sem matar o patrão | A entrevista

17 de julho de 2017


Foda-se. Foi exactamente isso que pensei quando, numa quarta-feira às quatro em ponto da tarde, entrei nos escritórios daquela que, viria a saber depois, era, afinal, uma revista feminina portuguesa até bem cotada. Não em bolsa mas em números. Tudo se resume aos números e, atenção, as redes sociais ainda nem dominavam a nossa realidade porque estávamos em 2010. Eu que nunca tinha lido uma revista feminina na vida, acabei por me rir para mim própria pelos acasos da vida. Estacionei o carro a meio da avenida da Liberdade e, depois de passar uns bons 10 minutos de cabeça no ar a ler os letreiros das portas, lá encontrei o número 320. Respirei fundo – nem sabia bem o que raio estava ali a fazer – e entrei. Apanhei o elevador para o quinto piso.

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