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Wednesday, September 28, 2016

Estante #2 Livros que têm de ler antes de ver os filmes



Eu sou a pior companhia para alguém no cinema - porque falo, falo, falo. Comento tudo e mais alguma coisa. E se for uma adaptação de um livro que já tenha lido, já sei que no fim vou dizer "pfff, o livro é muito melhor". Não digo que os filmes nunca sejam bons mas é muuuuuito difícil transpor para o cinema a magia de um livro sem quebrar parte dela.

Há uns dez anos, estava no cinema na noite de estreia de um dos Harry Potter's e, a dada altura, uma mulher começou aos gritos porque, lá atrás, eu e mais pessoas estávamos a comentar todas as falhas sucessivas que iam aparecendo no ecrã. A dada altura ela gritou que "para quem não tinha lido os livros, não havia necessidade de estar a contar tudo". Muggle. Se não leu os livros, nem tinha direito a estar ali hihihi.

Este é exactamente o tema de que falo este mês na Estante da Fnac: escolhi 10 livros intemporais e para todos os gostos, de leitura obrigatória e que dão mil a zero aos filmes - como A Mulher do Viajante no Tempo (na fotografia) e dois que estão agora no cinema: A Rapariga no Comboio (estreia na quinta-feira) e O Bebé de Bridget Jones.

O que quero partilhar é que há filmes cujos livros têm de ser obrigatoriamente lidos antes de as personagens serem encarnadas por actores que já conhecemos e antes de as adaptações darem novas interpretações às histórias. Escolhi 10 que me marcaram de alguma forma e que julgo que vão marcar a diferença nas vossas vidas - mesmo que já tenham visto os filmes.

Podem ler aqui :)


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Tuesday, September 27, 2016

Fora com o velho, olá ao novo


Eu sou uma pessoa de letras e nunca o devia ter negado - quando decidi estudar Política Social e, mais tarde, Criminologia. Mas, porque a vida dá as voltas que tem de dar para nos levar onde temos de ir, tive de passar por todas essas experiências até ser de novo colocada no meu lugar: a escrever.
A obsessão com a escrita diária

Para mim, as agendas nunca foram um sinal de regresso à rotina ou ao trabalho, como talvez o sejam para a grande maioria das pessoas. Uma agenda era para mim uma página em branco. Aquele momento em que me sentava (e sento) a preencher a primeira página, a dar-me a conhecer àquele livro em branco com os dias do meu próximo ano, era como uma terapia. Uma forma de dizer: olá, eu sou a Helena, vais ter o prazer de me conhecer durante o resto do ano. E não pensem que escrevia os meus compromissos (os testes, as visitas de estudo, as datas para entregar um qualquer trabalho de grupo...) nas quatro linhas de cada quadradinho diário. A par com os meus diários, eu escrevia um resumo do meu dia na agenda. Era quase uma obsessão em guardar o mais importante de cada dia: uma emoção, um sorriso de algum rapaz, uma tristeza, uma preocupação.

E esta obsessão - ou uma vontade extrema de não me esquecer de nada, um medo atroz de ser esquecida que me tem acompanhado a vida toda - fez-me guardar praticamente todos os anos da minha vida. Há uma música que me está gravada na cabeça - a música do anúncio d'A Minha Agenda - que dava na televisão todos os natais. Podem vê-la aqui neste video para uma dose de nostalgia. E não me lembro de nenhum Natal da minha vida em que não tivesse recebido uma A Minha Agenda da minha mãe que acompanhou, ao longo dos anos, esta minha obsessão com a escrita pessoal. Não faço ideia se ainda existem à venda hoje em dia. Agora temos uma série de marcas a criar agendas modernas e a estimular a organização nas pessoas.

Agendas: porque nunca deixamos de ser adolescentes

Este ano - e pela primeira vez há muito tempo - optei por uma agenda de ano escolar, ao invés de uma agenda anual porque queria algo da Mr. Wonderful, que descobri na Fnac. Os anos vão passando por nós mas a verdade é que, cá dentro, nunca deixamos de ser adolescentes. Continuamos a querer cadernos coloridos que nos dêem vontade de escrever. Agora já não faço resumos dos meus dias - e muito menos escrevo sobre o Dino, (mais) um rapaz da escola por quem era apaixonada em 1998 e que marcou a agenda da Mafalda. Agora marco compromissos, datas de entregas de artigos, contactos importantes que não posso perder, trabalhos, entrevistas. E apesar de confiar no digital, gosto de ter tudo escrito à mão para ter a certeza absoluta de que nada falha.

Nota: a única coisa que falhava nesta agenda era não ter um marcador, o que me obrigava a ter de andar sempre à procura da semana em que estou. Resolvi isso, ao atar uma fitinha à primeira argola. FYI: custa 16,95€ (na Fnac ou no site).

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Monday, September 26, 2016

Festival Iminente em Oeiras




Este fim de semana entrevistei um rapaz - é um jovem, só tem 16 anos - que me fascinou. Quando me apareceu à frente, vestia um casaco de cabedal com franjas, calças pretas rasgadas, botas bicudas. Tinha um chapéu preto e o cabelo comprido apanhado num rabo-de-cavalo. Olhando para ele, jamais me passou pela cabeça que fosse um dos mais jovens promissores guitarristas de guitarra portuguesa. E que já é uma estrela no fado português. Teria feito mais sentido, à primeira vista, que fosse um cantor de punk ou algo do género. E conhecê-lo deixou-me a pensar nas injustiças que fazemos ao julgar imediatamente os outros . No outro dia, li um comentário por aí sobre mim onde se dizia que era "uma escritora lol". Porque, por eu gostar de roupa, trabalhar em beleza e tirar fotografias é, veja-se lá, demasiado fútil para depois me poder auto-considerar "escritora lol".

Na verdade, e quando penso na minha trajetória, acho que a imagem que passo por aqui é do mais elegante e virtuosa possível. Tento, em tudo o que faço, colocar uma mensagem positiva. Sei que param por aqui bastantes raparigas jovens e a minha missão é sempre passar bons valores e, acima de tudo, marcar alguma diferença. Tenho sérias dúvidas que haja alguma coisa a apontar sobre mim nesse aspeto. Não me veem em bikini, em mini-saias, com decotes, soutiens subliminares ou em qualquer tipo de exposição que passe uma mensagem sexual. Se calhar, se o fizesse, as minhas fotos tinham quatro dígitos de likes mas essa é a última coisa que me importa. Mas também não julgo quem o faz. Está tudo relacionado com os objectivos de cada pessoa. E o que quero, no final do dia, é mostrar que não precisamos de nos sexualizar para ter sucesso.

Eu gosto de contar histórias e de criar, por aqui, um pequeno universo que tem a porta aberta a qualquer leitor. Gosto, acima de tudo, de criar alguma felicidade a quem por aqui passa. Nem que seja durante cinco minutos ou o tempo que demorem a ler cada post. E gosto de vos convidar a viver mais e melhor a vossa vida. Foi por isso que, apesar de estar de directa, decidi pegar nos convites que a BIC me enviou e ir passar a tarde ao último dia do Iminente em Oeiras. Também moro lá ao lado, não aceitar seria o cúmulo da inércia.

Não vi nenhum dos músicos que por lá passou - porque estava física e emocionalmente cansada de duas noites a trabalhar - e estive apenas a absorver a arte urbana e as exposições de Bordalo II (os flamingos), Maria Imaginário (alguns dos quadros), Vhils, Wasted Rita (as frases luminosas), David Oliveira (as esculturas de animais dentro da Estufa Fria e na colecção de oito isqueiros da BIC), Gonçalo Mar (os troncos de eucalipto que parecem um banquete de carne viva) ou SLAP (os grafittis e as pinturas na carruagem de metro).

Este é o tipo de histórias que gosto de criar - inspiradoras, bonitas. Se houver alguém que, a ler este post, pense "porra, no próximo Iminente tenho mesmo de ir", o meu trabalho aqui já foi feito. Porque, ao fim e ao cabo, o objectivo da arte (qualquer arte - escrita, música, artes plásticas, desenho, escultura...) é fazer-nos passar um bom bocado. É fazer-nos sentir qualquer coisa. É fazer-nos chegar a casa e pensar: este foi um bom dia. E, embora de directa, este domingo foi um bom dia. Espero que as fotografias vos façam sorrir.

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Friday, September 23, 2016

Wish (ou como conheci a Dani)




Plantar sementes - é isto que estou sempre a dizer. Plantem sementes, deixem marcas, falem com pessoas, façam contactos. Depois, vão ver as flores a crescer. E isto é meio caminho andado para começarem a construir uma network.

Há uns anos, talvez aí em 2013, a Dani enviou-me uma mensagem pelo Linkedin. Na altura, eu trabalhava numa revista feminina e ela, também jornalista no Brasil, queria trocar contactos e saber informações das revistas portuguesas e qual a abertura da nossa imprensa a jornalistas brasileiras. Eu respondi-lhe, expliquei-lhe a minha visão do nosso mercado, a forma como eu o interpretava e as coisas que ia sabendo daqui e dali. Na verdade, podia não lhe ter respondido. Ela não tinha nada para me dar e eu podia ter pensado que não valia a pena perder tempo com uma pessoa que, em última análise, acabava por ser minha concorrente. Mas não foi assim que interpretei este acaso - sou completamente a favor de nos ajudarmos uns aos outros e de partilhar as coisas que sabemos. E acredito que todos temos coisas para dar e para receber.

Continuámos a falar, passámos para os emails, eu partilhei com ela os contactos das revistas portuguesas, dei-lhe algumas dicas, trocámos mais emails, passámos para o Facebook e, a dada altura, parecia simplesmente que nos conhecíamos há anos. Um ano e tal depois, a Dani veio a Lisboa e fartámo-nos de sair, de falar, de passear, de trocar ideias e vimos que tínhamos imensas coisas em comum - desde música (Amy Winehouse yey) a livros (escritoras e literatura feminina). Ela, acima de tudo, era uma miúda bastante simpática e de fácil trato. Uma miúda de bom coração.

Ficámos amigas - somos amigas. Mas trocámos mais do que uma amizade. A Dani escreveu sobre mim várias vezes (aqui e aqui), escreveu uma peça na Cosmopolitan Brasil com alguns dos meus sítios favoritos em Lisboa, deu-me uma história hilariante d'O Amor é Outra Coisa (não vou dizer qual hihihi) e foi graças a ela que cheguei ao contacto com os editores do Brasil Post que, depois, me convidaram para escrever sobre amor por lá. Mas, muitas vezes, senti que ela me tinha dado muito mais do que eu lhe tinha dado a ela. Dei-lhe um ombro amigo em Lisboa mas - e que mais?

A Dani veio morar, esta semana, para Lisboa - um sonho que já tinha há anos e que continuava a adiar porque, sempre que vinha cá, nunca conseguia um visto de trabalho. E eu coloquei-a em contacto com uma empresa que acabou por querer trabalhar com ela. Finalmente senti que tinha partilhado algumas das minhas sementes com ela, que retribuí um pouco do que ela me deu a mim. Nos próximos seis meses, pelo menos, é por Lisboa que ela vai andar e podem lê-la no seu blog e segui-la pelo Instagram.

Abram-se à vida, aceitem as pessoas que aparecem (mesmo que vivam a 8,500km, como a Dani), criem sinergias, partilhem ideias, contactos, não guardem para vocês as coisas que podem fazer tão bem aos outros. Porque desconhecemos os desígnios que nos aguardam, as coisas que os outros têm para nos dar. Mesmo que possa parecer, num instante, que não têm nada.
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Tuesday, September 20, 2016

A Partir de Uma Historia Verdadeira de Delphine de Vigan



Uma das coisas com que sou questionada uma série de vezes é se as histórias d'O Amor é Outra Coisa são reais ou inventadas/imaginadas por mim. E eu estou sempre a dizer que a linha entre o real e a ficção é muito ténue. Porque a partir do momento em que cada pessoa interpreta uma realidade à sua maneira, cada um de nós faz a sua própria ficção.

E é esta mesma premissa que está por detrás do novo livro de Delphine de Vigan, um thriller psicológico intenso que nos deixa sempre na duvida se o que estamos a ler é real ou um romance baseado na realidade - se é que isto existe. Escrito na primeira pessoa, a personagem principal também se chama Delphine e está a viver um período de grande sucesso após a publicação de um livro pessoal que se tornou um estrondo (tal como a autora, após ter escrito Rien Ne S'Oppose à La Nuit, sobre a sua própria mãe). E, ao longo da leitura, ficamos sempre na dúvida se isto é meramente uma ficção ou se aconteceu realmente à própria autora. Vamos mergulhando página atrás de página nesta narrativa curiosa sobre a amizade de Delphine (a personagem principal, não a autora) com L., uma mulher que entra na sua vida, lhe lê os pensamentos, adivinha tudo aquilo que deseja e se torna, dia após dia, assustadoramente presente, chegando a assumir a própria identidade de Delphine.

Poucas pessoas sabem quando devem aparecer se não as chamarmos. Poucas pessoas sabem passar por cima das barreiras que erguemos na terra movediça e lamacenta das nossas trincheiras. Poucas pessoas são capazes de vir buscar-nos onde realmente estamos. Mas pedir ajuda no presente, no momento em que te afundas, em que te afogas, tenho a certeza de que nunca o fizeste.

O que continuamos a questionar ao longo da leitura é: quem é L.? E o que vai acontecer a Delphine?

Aquilo que mais gostei, mas a título pessoal, claro, são as questões que Delphine levanta sobre a vida de um escritor. Como prosseguir depois de se escrever um grande sucesso? Como conseguir escrever qualquer coisa que pode vir a ser uma merda? E isto aplica-se a qualquer um de nós, nas nossas vivências e profissões. O que fazer depois de se ter atingido um grande sucesso? É preciso igualar o sucesso prévio com um ainda maior? E fazemo-lo para nós ou para os outros?

É um romance psicológico e bastante peculiar, em que assistimos na primeira fila a tudo o que se passa na mente do narrador/personagem principal e questionamo-nos continuamente: será L. real ou não? Li-o de uma assentada em três ou quatro dias, bastante embrenhada para chegar à conclusão, sempre na expectativa do que iria acontecer.

E o final? Está em aberto - o que significa que qualquer leitor o deixa à sua consideração. Mas, deixo-vos uma dica. Termina com: Fim*. E o leitor atento vai, finalmente, perceber o que aconteceu a L. e a Delphine.

A Partir de Uma História Verdadeira de Delphine de Vigan, publicado por Quetzal.

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Monday, September 19, 2016

Cascais | Guincho




O que é ter um blogue, então? É isto que tenho muitas vezes de responder a pessoas (fora deste meio) que, quando sabem que tenho um blogue me perguntam logo se sou daquelas dos looks do dia e das reviews de produtos de beleza. E eu digo que não, bem, não é bem assim, é mais ou menos, pronto, sim é mas eu não sou assim. E não me interpretem mal, eu sigo blogues que fazem looks do dia e reviews de produtos de beleza e gosto. Gosto mesmo. O problema é que, à data de hoje, 90% do que se encontra pela internet fora não tem conteúdo relevante, interessante ou, em última análise, fidedigno e credível.

E talvez mais gente se identifique com o que vou dizer: hoje em dia, dizer-se que se tem um blogue é imediatamente conotado como alguém fútil e tonta. Eu passo por isso todos os dias. E, algumas vezes nos últimos dois anos e meio, cheguei a ter vergonha de o dizer. Ou cheguei a evitar dizê-lo (em contexto profissional) para não perder a credibilidade.

O que é ter um blogue, então?, perguntam-me muitas vezes. Para mim é construir narrativas que possam, de alguma forma, envolver os leitores, inspirar-vos e poder, nem que seja durante dez segundos, fazer-vos um pouquinho mais felizes. É escrever sobre amor, sobre a vida, sobre tudo e sobre nada. É mostrar sítios que gosto, coisas que me marcaram e aquilo que realmente tem algum impacto na minha vida e que sinto que vale a pena partilhar.

Acredito fielmente que todos nos inspiramos uns aos outros. Vivemos num ciclo onde inspiramos e somos inspirados diariamente e constantemente. É por isso que, neste blogue, só aceito que entrem as coisas e/ou as marcas de que gosto mesmo ou que me inspiram, por assim dizer. Perdoem-me todas as marcas que me contactam e eu não dou resposta mas, muitas vezes, não sinto que seja a pessoa certa para falar delas. Porque se não me apaixonam, de que forma poderei fazer os leitores apaixonarem-se por algo que não me toca? É como as cores: eu odeio o laranja mas há milhões de pessoas no mundo a amá-lo. E outras tantas que se vão apaixonar por essas marcas.

E uma das coisas de que já falei muitas vezes aqui é o quanto adoro projectos portugueses, pessoas que vão atrás daquilo em que acreditam e que constroem o seu pequeno castelo a partir de nada. São histórias assim que me inspiram todos os dias a continuar a escrever e que me dão um gosto danado falar sobre elas. Como a Aly John, uma marca de gangas onde cada peça é feita à mão e que nasceu do sonho de um jovem em criar uma marca de jeans com a ajuda dos seus dois tios alfaiates. 30 anos depois, a Aly John cria peças únicas, especiais e exporta essencialmente lá para fora mas não deixa de ser uma marca portuguesa (e do norte, carago!) a vingar e a levar o nome de Portugal atém fronteiras.

O blusão que tenho vestido é Aly John e o copo onde tenho estado a transportar o meu chá todas as manhãs é da Mr. Wonderful - mas isto é um tema para outro post. Espero que se apaixonem da mesma forma que eu me apaixonei :)
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